Vacinação por idade depende da conclusão do grupo de professores e das comorbidades, diz chefe do PNI


Municípios terão autonomia para vacinar pessoas sem comorbidades depois que concluírem imunização dos docentes e das pessoas com doenças preexistentes, mas precisarão, paralelamente, atender outros grupos prioritários já previstos na lista, como forças de segurança, metroviários e outros. Vacinação contra Covid-19 no DF
TV Globo / Reprodução
A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Francieli Fontana, explicou que a vacinação contra Covid-19 fora dos grupos prioritários depende que cada município conclua o atendimento das pessoas com comorbidades e dos professores. Nesta sexta, o Ministério da Saúde determinou uma ordem para vacinação dos professores no país.
“Se esgotar essas possibilidades (comorbidades e professores), pode abrir (por idade), é uma avaliação local”, explicou Francieli Fontana. Segundo a coordenadora do PNI, a mudança no plano de vacinação ocorreu porque alguns estados e municípios relataram ter demanda reduzida para alguns dos grupos prioritários.
“A gente não pode deixar vacina estocada, a gente resolveu flexibilizar para acelerar a vacinação. Essa demanda reduzida pode estar relacionada à superestimativa principalmente do grupo de comorbidades. Não existe um número exato (das pessoas com comorbidades), existe uma margem de erro”, explicou Franciele.
As explicações da coordenadora do PNI buscam detalhar uma nota técnica emitida nesta sexta pelo Ministério da Saúde. A pasta definiu uma hierarquia para vacinação de trabalhadores da educação.
“A gente começa já a vacinar a população brasileira (fora dos grupos prioritários) a partir do momento que concluir os trabalhadores da educação. Nós temos uma continuidade no PNO (plano nacional de operacionalização da vacinação), tem outros segmentos que estão depois dos trabalhadores da educação e nós vamos, em paralelo, abrir por faixa etária”, explicou Francieli.
Conforme a nota técnica, dentro do grupo dos docentes, os professores de creches e pré-escolas deverão ser os primeiros da fila, e os da educação superior, os últimos. Segundo a assessoria do ministério informou ao G1, serão incluídos todos os profissionais que trabalham na Educação, não somente professores – como os da faxina, portaria e manutenção.
Ordem da vacinação de professores
Creches
Pré-escolas
Ensino fundamental
Ensino médio
Ensino profissionalizante
Educação de jovens e adultos (EJA)
Ensino superior (grupo prioritário nº 19)
Para as pessoas fora dos grupos prioritários com idade entre 18 e 59 anos, a vacinação deverá ocorrer em ordem decrescente de idade, ou seja: primeiro as mais velhas, depois as mais novas.
A imunização dos grupos não prioritários deverá acontecer ao mesmo tempo em que ocorre a vacinação dos grupos prioritários que vêm depois dos professores. Os profissionais da Educação são o 18º e o 19º grupos prioritários da imunização, conforme a edição mais recente do Plano Nacional de Operacionalização (PNO) da vacinação contra a Covid-19.

Veja como fica a ordem geral de vacinação
O documento diz que as doses serão enviadas da seguinte forma:
Parte das doses será destinada aos grupos 14 a 17 do PNO, cuja vacinação já está ocorrendo:
grupo 14: pessoas com comorbidades e gestantes e puérperas com comorbidades;
grupo 15: pessoas com deficiência permanente (18 a 59 anos) sem cadastro no BPC;
grupo 16: pessoas em situação de rua (18 a 59 anos);
grupo 17: funcionários do sistema de privação de liberdade e população privada de liberdade.
Conforme a determinação da nota, parte das doses será, agora, destinada aos trabalhadores de Educação, que serão imunizados na ordem da lista mais acima (grupos 18 e 19 do PNO).
Depois que os professores forem vacinados, as pessoas de 18 a 59 anos que não se encaixam em nenhum grupo prioritário poderão receber a vacina. A vacinação desse grupo será feita ao mesmo tempo em que a dos grupos prioritários que vêm depois dos professores, que são:
grupo 20: forças de segurança e salvamento e Forças Armadas (na 11ª etapa da Campanha iniciou-se a vacinação escalonada desses trabalhadores, restrita aos profissionais envolvidos nas ações de combate à Covid-19);
grupo 21: trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros
grupo 22: trabalhadores de transporte metroviário e ferroviário
grupo 23: trabalhadores de transporte aéreo
grupo 24: trabalhadores de transporte aquaviário
grupo 25: caminhoneiros
grupo 26: trabalhadores portuários
grupo 27: trabalhadores industriais
grupo 28: trabalhadores da limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos
Autonomia de estados e municípios
A nota ressalta, ainda, que “a estratégia organizacional das ações de vacinação é de responsabilidade das três esferas de gestão do SUS”.
A vacinação em paralelo de grupos prioritários e não prioritários, por idade decrescente, já está ocorrendo em algumas cidades e estados do país:
Em Salvador, catadores de materiais recicláveis e médicos veterinários começaram a ser habilitados para vacinação nesta sexta (28). Na quinta (27), começaram a ser vacinadas as pessoas com 56 anos nascidas entre 28 de maio e 28 de julho de 1964.
Em Aracaju, a prefeitura anunciou na quinta (27) que começaria a vacinação de pessoas com 59 anos e sem comorbidades.
Também na quinta-feira (27), Pernambuco ampliou a vacinação para pessoas a partir de 59 anos e para quem trabalha em ônibus, metrô, escolas, presídios e outras profissões. Em Recife, a imunização começou para pessoas com 59 anos, trabalhadores da educação e do transporte público. O mesmo ocorreu em Jaboatão (PE). A vacinação também será ampliada a partir deste sábado (29) em Petrolina (PE).
Em Maceió, pessoas de 58 anos sem comorbidades poderão se vacinar a partir deste sábado (29).
O Piauí anunciou que vai vacinar profissionais da Educação de 55 a 59 anos em junho. O governo de Minas Gerais também afirmou que espera vacinar no mês que vem pessoas sem comorbidades.
A prefeitura de Natal afirmou que vai começar a imunização de pessoas com 59 anos sem comorbidades a partir da próxima remessa de vacinas.
Já São Paulo anunciou o início da vacinação de pessoas de 55 a 59 anos sem comorbidades e de professores para julho. Em agosto será a vez das pessoas de 45 a 54 anos sem comorbidades.
Também há casos de inclusão de grupos não previstos entre os prioritários no Plano Nacional de Imunização (PNI) – como as grávidas e puérperas sem comorbidade – no Rio Grande do Norte e em Guarapuava (PR).
Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil: