Vacina da gripe é eficaz? Tire dúvidas


Campanha nacional de vacinação começa na quarta-feira (10). De acordo com o Ministério da Saúde, 50 pessoas morreram pelo vírus da influenza em 2019. Em idosos e crianças, a gripe é uma condição potencialmente séria que pode levar à insuficiência respiratória e pneumonia.
Divulgação/Prefeitura de Curitiba
Todos os anos, o governo federal realiza uma campanha nacional de vacinação voltada a pessoas mais vulneráveis ao vírus da gripe. Desta vez, a campanha começa na quarta-feira (10). Segundo dados do Ministério da Saúde, até março deste ano já foram notificados 232 casos de influenza e a morte de 50 pessoas no país.
O Ministério divulgará o número de doses e metas somente no lançamento da campanha. Em 2018, foram adquiridas 60 milhões de doses. Neste ano, alguns estados, como Amazonas e Roraima, tiveram que antecipar o início da campanha por causa de surtos de gripe.
A seguir, tire suas dúvidas sobre a vacina que ainda é motivo de receio e questionamentos por grande parte da população.
Como age o vírus da gripe?
Na verdade, são vários os tipos, subtipos e linhagens de vírus causadores da gripe. Eles entram no corpo principalmente pelas vias respiratórias. O contato com pessoas doentes e com objetos contaminados são as principais formas de transmissão.
A queda das temperaturas no outono e no inverno tende a aumentar as aglomerações de pessoas em lugares fechados, sem ventilação. Portanto, são maiores também os riscos de pegar a doença.
De acordo com o médico infectologista Dr. Robson Poul Lucas Tiossi, o vírus da gripe ataca as vias respiratórias e pode causar infecções. Por isso, os sintomas comuns são irritações no nariz, na garganta, espirros, febre, dores no corpo e cansaço. O vírus pode também pode provocar infecções mais graves, como nos pulmões (pneumonia).
Como a gripe derruba a imunidade da pessoa doente, pode abrir as portas para bactérias e induzir a um problema ainda mais sério. Em casos extremos, as infecções podem levar à morte.
A vacina realmente me protege?
É muito maior a probabilidade de que a pessoa não desenvolva a gripe após tomar a vacina, mesmo que tenha contato com o vírus.
A vacina permite que o paciente fique imune aos tipos de vírus mais comuns em circulação, sem ter que pegar a doença e, portanto, sem o desconforto dos sintomas. Segundo o Dr. Tiossi, é possível que, se chegar a ficar doente, o paciente adquira uma forma muito mais branda da gripe, pois estará mais resistente.
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Quem deve tomar a vacina?
As vacinas oferecidas gratuitamente pelo governo são destinadas a:
Crianças de 6 meses a 5 anos de idade;
Gestantes; puérperas, isto é, mães que deram à luz há menos de 45 dias;
Idosos;
Profissionais de saúde, professores da rede pública ou privada, portadores de doenças crônicas, povos indígenas e pessoas privadas de liberdade.
Portadores de doenças crônicas (HIV, por exemplo) que fazem acompanhamento pelo SUS também têm direito à vacinação gratuita.
Porém, qualquer pessoa pode tomar a vacina. Quem não faz parte dessas categorias pode adquirir a vacina contra a gripe na rede privada por cerca de R$ 100 a 150.
A única contra-indicação é para pessoas alérgicas a algum componente da vacina, como a clara de ovos, usada na fabricação. Inclusive quem já está doente pode tomar a vacina contra gripe, mas os médicos costumam indicar que a pessoa não tome enquanto tiver febre.
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Posso ficar gripado por causa da vacina?
A vacina não causa a gripe, pois o vírus que ela insere no corpo está inativo. Somente partes do vírus são usadas em sua composição. “A vacina só estimula o sistema imunológico para que ele produza anticorpos”, diz o médico.
Leves reações à vacina podem acontecer após a aplicação, como dores locais e febres baixas – isso pode acontecer com qualquer vacina. Em casos raros, podem ocorrer reações alérgicas.
Alguns estados tiveram que antecipar o início da campanha de vacinação por causa de surtos de gripe.
Secretaria de Saúde do Recife/Divulgação
O que é preciso levar no ato da vacinação?
Conforme orientação do Ministério da Saúde, para receber a dose da vacina é importante levar:
Cartão de vacinação
Documento de identificação (RG ou CNH)
Quem tomar a vacina por ter doenças crônicas ou outras condições clínicas especiais precisa apresentar uma prescrição médica. Já os pacientes cadastrados em programas de controle das doenças crônicas do SUS deverão se dirigir aos postos em que estão registrados. Os professores e profissionais de saúde devem levar contracheque ou crachá.
Há diferença entre a vacina da rede pública e a vendida na rede privada?
A vacina distribuída pelo sistema de saúde é trivalente, ou seja, compreende três tipos de vírus mais frequentes (H1N1, H3N2 e influenza B). Já aquela vendida nos hospitais e clínicas privadas é tetravalente e, portanto, compreende um tipo a mais de influenza B.
Porém, de acordo com o Dr. Tiossi, ambas são eficazes. Os dois causadores mais fortes da gripe são o vírus influenza e H1N1, presentes em todas as vacinas. “O que é disponibilizado no sistema de saúde é suficiente. Não há diferença em termos de eficiência de vacina, apenas na abrangência, pois aquela da rede privada pega um vírus a mais”, explica.
Por que é preciso tomar a vacina todos os anos?
Os diferentes vírus causadores da gripe sofrem mutações rapidamente e, portanto, as variedades de vírus em circulação mudam a cada ano. Por isso, a vacina deve ser “atualizada” anualmente.
Há outras formas de evitar a gripe?
A vacina é o principal meio de prevenção, especialmente para os grupos vulneráveis. Porém, é bom manter as mãos sempre limpas, usar lenços descartáveis para limpar o nariz, evitar o contato direto com a secreção e deixar ventilar os ambientes fechados por onde circulam muitas pessoas.
Há motivos para ter medo da vacina?
Segundo o Dr. Tiossi, há muitos mitos em torno da vacina contra a gripe. “As pessoas acabam ouvindo o que outras pessoas dizem, julgam a vacina por relatos de terceiros”, conta.
“A vacina é eficaz e o melhor meio de proteção contra a gripe.” O médico insiste que uma simples dose pode proteger uma pessoa vulnerável de doenças mais graves desenvolvidas pela gripe, como a pneumonia. “Se as pessoas pararem de se vacinar é que ficarão muito mais vulneráveis”, resume.
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