USP cai em ranking internacional de universidades, mas Brasil aumenta participação em lista


Cinco instituições entraram pela primeira vez em ranking internacional; outras oito atingiram pontuação para fazer parte da lista. Brasil passou de 14 universidades para 27 entre as analisadas. A Universidade de São Paulo (USP) caiu seis posições no ranking internacional da QS Quacquarelli Symonds, empresa de análise do ensino superior, saindo de 115ª para 121ª posição. O resultado foi puxado principalmente pela proporção entre docentes e alunos, segundo a pesquisa.
O levantamento, divulgado nesta terça-feira (8), aponta que cinco universidades brasileiras entraram pela primeira vez no ranking mundial: UFJF, UFPel, PUCPR, UFPB e UFG. Outras oito estão incluídas no ranking por melhorarem critérios como reputação acadêmica, reputação entre empregadores, número de professores e alunos, entre outros. Assim, houve aumento no número de universidades brasileiras, passando de 14 para 27. Com isso, o Brasil se tornou o país com mais instituições na avaliação.
“De fato, expandimos a lista e encontramos mais cinco universidades brasileiras que atendem aos nossos critérios de inclusão. A boa notícia é que há mais universidades brasileiras no ranking. Das universidades apresentadas, três melhoraram, quatro diminuíram, cinco são novas e as outras 15 mantiveram-se estáveis”, analisa Simona Bizzozero, diretora de comunicação da QS.
Universidades brasileiras no ranking da QS 2022
Nesta edição, o QS World University Rankings 2022 (veja o ranking completo aqui) expandiu para 1,3 mil o número de instituições ranqueadas, 145 a mais que na edição anterior.
Segundo os organizadores, os resultados mostram o desempenho de 14,7 milhões de trabalhos acadêmicos. Foram contabilizadas 96 milhões de citações destes trabalhos, ouvidos 130 mil professores e 75 mil empregadores.
Investimento em pesquisa
Ben Sowter, diretor de pesquisa da QS, aposta em expansão universitária e maior produção em pesquisa para melhorar os índices do Brasil.
“Se as universidades do país quiserem fazer mais melhorias, será necessário expandir os recursos de ensino em todo o país, para que os alunos possam desfrutar de experiências de aprendizagem pessoais e atenciosas. Também será necessário traçar estratégias para aumentar a produção e o perfil da pesquisa brasileira”, afirma.
Sowter explica que a avaliação de uma universidade também inclui o desempenho registrado nos últimos quatro anos na lista. Não se sabe se o difícil momento vivido atualmente pelas instituições públicas brasileiras, com cortes nas verbas, poderá ter influência em rankings futuros.
“Temos total conhecimento do trágico impacto da pandemia pelo mundo. Alguns países foram mais afetados do que outros e o Brasil é um deles. Nossa solidariedade e nossos pensamentos pela inteira população do Brasil”, diz o diretor de pesquisa.
Os dados trazem um alerta em relação à produção científica do país.
De acordo com a QS, 17 das 27 universidades analisadas apresentaram notas piores, ano a ano, no quesito que analisa o impacto das pesquisas.
Nesta edição, nenhuma universidade brasileira ficou entre as 300 melhores do mundo em pesquisa.
“Temos plena consciência do impacto trágico que a pandemia teve em todo o mundo. Alguns países foram mais afetados do que outros, e o Brasil, infelizmente, é um deles”, afirma Bizzozero.
Bizzozero cita a necessidade de expandir vagas no ensino superior.
“O fenômeno da falência de universidades não é só brasileiro. As universidades requerem um investimento substancial e uma excelente governança e liderança para prosperar. O Brasil tem a missão de proporcionar maior acesso ao ensino superior para a população mais jovem, especialmente a sub-representada. Acreditamos que o Brasil precisa de mais universidades, não menos, para atender à crescente demanda por educação superior”, analisa Bizzozero.
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USP
A análise da QS aponta que, apesar da queda, a USP apresenta 90.1 pontos entre 100 possíveis na análise de reputação acadêmica. Entre os empregadores, fez 71.3 pontos.
O que evitou que estes índices se sobressaíssem foi a queda no quesito proporção docentes/aluno. A USP caiu 42 posições e ficou em 688º lugar.
Praça do Relógio no campus da USP em São Paulo.
Marcos Santos/USP Imagens
As melhores do mundo e da América Latina
A melhor universidade no ranking mundial do QS 2022 segue sendo o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), pela 10ª vez seguida. A Universidade de Oxford subiu para o segundo lugar da pesquisa, o que não acontecia desde 2006. Universidade de Stanford e de Cambridge dividem o terceiro lugar.
Na América Latina, o Brasil é o país com mais universidades no ranking, superando Argentina e México, cada uma com 24.
Universidades da América Latina no ranking da QS 2022
Asfixia em universidades federais
A crise financeira pela qual o país atravessa levou ao corte de 37% no orçamento discricionário do Ministério da Educação (MEC) para universidades federais em 2021, se comparado ao de 2010 corrigido pela inflação.
A queda afeta recursos destinados a investimentos e despesas correntes, como pagamento de água, luz, segurança, além de bolsas de estudo e programas de auxílio estudantil. A análise não inclui os recursos para salários e aposentadorias, que são despesas de pagamento obrigatório.
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