Unicamp inicia escolha de novo reitor à espera de 35,1 mil votos em consulta à comunidade; veja propostas dos três candidatos


Processo começa às 8h30 desta quarta-feira (10) e segue até 17h30 de quinta. Mario Saad, Sérgio Salles-Filho e Tom Zé disputam sucessão de Marcelo Knobel e posse é prevista para 19 de abril. Uma das entradas do campus da Unicamp em Campinas
Antoninho Perri / Unicamp
A Unicamp inicia nesta quarta-feira (10) o processo para escolha do novo reitor à espera de 35,1 mil votos de professores, alunos e funcionários. A comunidade pode escolher entre as candidaturas de Mario Saad, Sérgio Salles-Filho e Tom Zé para a sucessão do físico Marcelo Knobel, e a posse está marcada para 19 de abril. Confira abaixo as propostas dos três candidatos, regras e cronograma.
A consulta será por votação eletrônica, com e-voto. O 1º turno tem início às 8h30 desta quarta e segue até 17h30 de quinta-feira (11). Além de eventual 2º turno, a definição só irá ocorrer após envio da lista tríplice ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), para que seja realizada a nomeação. O mandato vai até dezembro de 2024 e, tradicionalmente, o escolhido é o mais votado pela comunidade.
A universidade estadual foi fundada em 1966 e o processo vai definir o 13º reitor da história.
Colégio eleitoral para escolha do novo reitor da Unicamp
Candidatos
Os professores inscritos, por ordem alfabética em publicação no site da Secretaria Geral, são:
Mario Saad – Faculdade de Ciências Médicas
Mario Saad, candidato a reitor da Unicamp em 2021
Antoninho Perri / Unicamp
Vice: Marco Aurélio Zezzi Arruda (“Zezzi”)
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Sérgio Salles-Filho – Instituto de Geociências
Sergio Salles-Filho, candidato a reitor da Unicamp em 2021
Antonio Scarpinetti / Unicamp
Vice: Eliana Martorano Amaral (“Eliana”)
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Tom Zé – Faculdade de Engenharia de Alimentos
Tom Zé, candidato a reitor da Unicamp em 2021
Antonio Scarpinetti / Unicamp
Vice: Maria Luiza Moretti (“Luiza”)
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No site da Secretaria Geral há, ainda, link para sites de campanha e e-mails para contato.
Expectativas e valorização da sociedade
O presidente da Comissão Organizadora da Consulta (COC), professor Pascoal Pagliuso, afirma que as campanhas têm apresentado nível elevado e foco em planos para melhorias da universidade. Segundo ele, o propósito das chapas não fica limitado aos campi diante do atual contexto político no Brasil.
“Querem levar a Unicamp para além dos muros, aproximá-la da sociedade e das decisões científicas de todas as áreas. Fazer com que todos conheçam o valor dela enquanto universidade pública, gratuita e referenciada”, avalia.
O professor Pascoal Pagliuso, na Unicamp
Antonio Scarpinetti / Unicamp
Ao explicar a regra de proporcionalidade dos votos – a participação de um docente tem peso 3, ante peso 1 para estudante ou servidor, haja vista a dimensão de cada grupo envolvido – ele espera que o número de alunos dos cursos de graduação e pós participantes aumente nesta consulta para reitor. Além disso, avalia que a pandemia não deve influenciar no nível de abstenção de votantes.
“Esta não é a primeira eleição remota, já tivemos para escolher representantes do Consu [Conselho Universitário, Cipa [Comissão Interna de Prevenção de Acidentes] e a participação tem sido maior. Os estudantes, que costumam não se envolver tanto quanto deveriam, talvez tenham maior engajamento neste momento de defesa da universidade pública, além do fato que ser remota facilita.”
No primeiro turno da consulta em 2017, por exemplo, a Unicamp contabilizou 9 mil votos, embora o colégio eleitoral fosse de 38 mil. O maior índice de abstenção foi de estudantes, o equivalente a 92,5%. O índice de ausentes foi de 32,7% entre servidores, e o menor, de 12,7%, verificado para docentes.
Regras
O 2º turno da consulta será necessário na hipótese de nenhum dos candidatos receber mais de 50% dos votos válidos da comunidade acadêmica. Com isso, está prevista a formalização da lista com o resultado, incluindo os três nomes, em sessão marcada para 6 de abril no Consu.
Caso algum dos três candidatos alcance mais da metade dos votos válidos, os números da consulta serão indicados ao governador de São Paulo, após a reunião marcada para 23 de março.
O número de concorrentes à reitoria neste ano representa uma diminuição no comparativo com a consulta anterior, quando foram cinco. Além disso, é a mesma quantidade verificada em 2009.
“Eu acredito que é circunstancial pela qualidade das chapas. A partir do momento em que há articulações de pensamentos, grupos, filosofia de gestão, acabam agrupando e diminui a chance de candidatos independentes com poucas chances de cativar a escolha da maioria, avalia Pagliuso.
Cronograma
1º turno: 10/03 e 11/03
2º turno: 24/03 e 25/03
Como votar?
A votação será eletrônica e, por isso, a universidade diz que cada participante deve garantir que a conta de e-mail institucional esteja ativa e operacional.
“Caso use e-mail de redirecionamento, o provedor indicado não deverá bloquear a entrega de mensagens originadas pelo remetente evoto@unicamp.br, ou exigir passo de confirmação para liberar a mensagem do referido remetente”, diz nota da assessoria.
A universidade destaca, em outro trecho, que antes da pandemia já trabalhava na infraestrutura para permitir consulta remota antes da pandemia, e que o voto eletrônico é usado “há mais de uma década”.
Além disso, admite que o processo atual permite voto nulo, mas adianta que pretende discutir modificação de legislação interna para que eles sejam eliminados. “Em sistemas eletrônicos não existe por definição a possibilidade de voto nulo, que eleições em papel tinham. Quanto menos modificações no software original, melhor do ponto de vista da transparência do processo”, diz texto.
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Perfil da Unicamp
A universidade tem orçamento estimado em R$ 2,84 bilhões, incluindo R$ 208,6 milhões de uma reserva financeira com objetivo de cobrir déficit de anos anteriores e o total previsto neste exercício.
Atualmente, ela é responsável por 8% da pesquisa acadêmica no país e tem 37 mil alunos matriculados em 65 cursos de graduação e 158 de pós. Já o quadro de funcionários ativos é formado por aproximadamente 2 mil professores e 7,1 mil servidores técnico-administrativos.
Além dos campi instalados em Campinas (SP), Limeira (SP) e Piracicaba (SP), a universidade estadual também contabiliza as áreas de dois colégios técnicos – Cotuca (Campinas) e Cotil (Limeira) – além do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas, em Paulínia (SP).
Estudantes no campus da Unicamp, antes da pandemia da Covid-19
Antonio Scarpinetti / Unicamp
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