Unicamp 2020: aprovações de pretos e pardos diminuem, mas ‘nacionalização’ alcança recorde


Levantamento da universidade também indica redução na quantidade de convocados oriundos da rede pública. Por outro lado, instituição tem pela 1ª vez aprovados em 25 estados e no DF. Candidatos durante 2ª fase do vestibular 2020 da Unicamp
Antonio Scarpinetti
As aprovações de estudantes autodeclarados pretos e pardos na primeira chamada para cursos de graduação na Unicamp diminuíram neste ano, segundo dados divulgados na manhã desta quinta-feira (6) pela comissão organizadora do vestibular (Comvest). O levantamento considera todas as modalidades de seleção aplicadas pela universidade e indica, por outro lado, “nacionalização” recorde nos resultados: foram chamados pela 1ª vez candidatos oriundos de 25 estados e do Distrito Federal.
Esta é a segunda vez em que a instituição estadual implementou cotas étnico-raciais no vestibular, com objetivo de elevar a inclusão social, e também permitiu acesso às carreiras por meio das notas obtidas pelo candidato no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além disso, a Unicamp manteve a realização do vestibular indígena e reservou vagas em cursos para estudantes premiados em olimpíadas ou competições de conhecimentos realizadas entre 2018 e o ano passado.
O total de estudantes oriundos da rede pública também diminuiu nessa edição. Veja abaixo detalhes.
Candidatos aprovados na Unicamp – 2020
Diminuições
Os dados indicam que este grupo corresponde a 35,2% dos 3,4 mil aprovados, índice inferior aos 38,2% registrados na edição 2019. Além disso, também foi verificada baixa na quantidade de estudantes oriundos da rede pública aprovados para graduações na universidade: juntas, as seleções deste ano contabilizaram 1,6 mil convocados – 48,2% do total – montante abaixo do verificado no processo anterior.
O diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto, defende que, embora o número total de estudantes da rede pública tenha diminuído, 57% dos cursos têm neste grupo mais de 50% dos convocados.
“A redução merece atenção, mas corrigimos eventuais distorções como acontecia nos cursos com maior demanda […] A principal hipótese que consideramos foi a redução do número de convocados para a segunda fase. No ano passado, levamos quase 6 mil candidatos a mais e não havia exigência de nota mínima”, avalia.
Ao ponderar que oscilações são esperadas, ele explica que a redução na quantidade de pretos e pardos aprovados também está associada à distribuição de candidatos por carreiras oferecidas.
“Trata-se de uma equação complexa, o número de inscritos não é homogêneo e, dessa forma, há cursos que puxam a média para baixo”, diz o diretor ao destacar que 83% das opções oferecidas pela Unicamp registraram pelo menos 25% destes grupos convocados na primeira chamada.
O diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto
Antoninho Perri/SEC Unicamp
Segundo ele, a luta da universidade é para que mais estudantes da rede pública se inscrevam. “Nosso olhar mais atento está sendo direcionado por curso. Química tecnológica [noturno] e Letras [noturno] têm 80% de estudantes de escolas públicas. Gostaríamos que houvesse um percentual melhor distribuído.”
Alta de cotistas
Outro indicador abordado pelo diretor em entrevista ao G1 foi a alta na quantidade de cotistas – o índice subiu de 27,5% para 28,8%, o que para a instituição de ensino significa que ficou clara a forma de concessão do benefício e parte dos candidatos prefere disputar as vagas pela ampla concorrência.
“As cotas cumprem o objetivo de dar a representatividade da população negra do estado de São Paulo […] Os índices anteriores à adoção das cotas variavam entre 14% e 20%”, salienta Freitas Neto.
‘Nacionalização’ recorde
Com a consolidação dos dados, a universidade registra pela primeira vez convocação de candidatos em 25 estados e no Distrito Federal. A única unidade federativa sem “representante” é o Acre e o total de estudantes aprovados fora do estado de São Paulo corresponde a 19,4% (663) dos aprovados.
Convocados 2020
Região Metropolitana de Campinas (RMC): 23,6%
Região Metropolitana de São Paulo (RMSP): 29,1%
Outras cidades paulistas: 27,8%
Outros estados: 19,4%
“Os dados mostram como é importante manter um vestibular próprio e fazer com que a Unicamp vá a mais cidades e estados. As escolas estão mais familiarizadas com as provas e os candidatos se preparam especificamente”, pondera o diretor ao lembrar que as quatro modalidades de seleção, juntas, alcançam nove estados. Na edição 2019, foram aprovados candidatos de 23 unidades federativas.
No ano passado, o total de matriculados com origens em estados de fora de São Paulo foi de 11,7%.
Matrículas 2019
Região Metropolitana de Campinas: 39,5%
Região Metropolitana de São Paulo: 19,7%
Outras cidades paulistas: 29,1%
Outros estados: 11,7%
Segundo ele, até término das convocações pela Unicamp devem ocorrer transferências no percentual de aprovados na Grande São Paulo para a RMC. “Os demais indicadores pouco oscilam”, destaca.
Na edição 2020, a Unicamp aplicou provas do vestibular em 30 cidades paulistas, além de Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Fortaleza (CE) e Salvador (BA). Já o vestibular indígena foi aplicado em Campinas, Bauru (SP), Caruaru (PE), Dourados (MS), São Gabriel da Cachoeira (AM) e Tabatinga (AM).
Estudantes durante a 2ª fase do vestibular 2020 da Unicamp
Antoninho Perri/SEC Unicamp
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