Tribunal impede que Ghosn participe de reunião do conselho da Nissan


Negativa impede o executivo de participar de discussões na aliança que ajudou a criar. Preso desde 19 de novembro, o brasileiro foi solto na semana passada após pagar fiança de R$ 33,8 milhões. Brasileiro Carlos Ghosn (ao centro, de boné azul e máscara) é escoltado ao sair da Casa de Detenção de Tóquio
Behrouz Mehri / AFP Photo
Um tribunal de Tóquio rejeitou pedido do ex-chefe da Nissan, Carlos Ghosn, para participar de uma reunião do conselho da empresa nesta semana. A negativa impede que Ghosn esteja à mesa para discussões apesar de a montadora estar prestes a fortalecer uma aliança que ele construiu ao longo de duas décadas.
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Procuradores entregaram um documento da Nissan ao Tribunal Distrital de Tóquio expressando oposição à participação de Ghosn na reunião do conselho da empresa na terça-feira (12), disse o advogado de Ghosn, Junichiro Hironaka, a repórteres.
“A forte oposição da Nissan à participação de Ghosn é muito lamentável”, disse Hironaka diante de seu escritório. A equipe de defesa ainda teria tempo para apelar da decisão, acrescentou. Mais tarde os advogados de fato o fizeram, segundo a agência Kyodo News.
Prisão e soltura
Ghosn foi solto da prisão na última quarta-feira (6) graças a uma fiança de US$ 9 milhões, depois de passar mais de 100 dias preso.
Ele é acusado de não ter declarado cerca de 82 milhões de dólares de seu salário na Nissan ao longo de mais de uma década — acusações que ele classificou de “infundadas”.
Nesta segunda-feira (11), o Tribunal Distrital de Tóquio se recusou a suspender temporariamente uma condição da fiança de Ghosn que o impede de se encontrar com pessoas ligadas ao caso, inviabilizando o que teria sido uma confrontação entre o executivo e os colegas que ele acusa de fomentar um golpe. A corte não justificou sua decisão.
A agência Reuters não conseguiu contato com a Nissan para obter comentários fora do horário comercial.
A decisão da corte veio no momento em que a montadora francesa Renault, a principal acionista da Nissan, confirmou estar conversando com a Nissan e a Mitsubishi Motors sobre a criação de um novo organismo para aprimorar a colaboração.
A prisão impactante de Ghosn em novembro provocou temores sobre o futuro da aliança — a maior fabricante de automóveis do mundo, com exceção dos caminhões pesados.
“O arranjo proposto não terá nenhum impacto na existência dele (acordo de aliança) e da estrutura de propriedade conjunta cruzada, que continuarão em vigor”, informou a Renault.
Nissan, Renault e Mitsubishi planejam criar uma estrutura de reunião do conselho conjunta provavelmente a cargo do novo presidente da Renault, Jean-Dominique Senard, disseram à Reuters pessoas com conhecimento direto do assunto.
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Fernanda Garrafiel, Roberta Jaworski e Juliane Souza/G1
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