Transexual que registrou agressão em Uberlândia relata ameaças: ‘Minha vida acabou’

Jovem fez ocorrência na semana passada contra grupo de travestis em ponto de prostituição; desde então afirma ser vítima de ataques. Novo boletim policial foi feito nesta quarta-feira (28). A estudante transexual que relatou ter sido vítima de roubo e lesão corporal na última semana recorreu à Polícia Militar (PM) novamente, nesta quarta-feira (28), para registrar um novo boletim de ocorrência. Segundo a jovem de 24 anos, desde o ocorrido vem sofrendo ameaças e teve a casa sendo monitorada por suspeitos.
O boletim foi registrado no início da manhã e a estudante relata que durante o fim de semana foi ameaçada de morte. Ela contou que a irmã trabalha em um posto de combustíveis próximo a um local de prostituição e um dos travestis que faziam programa no ponto disse à frentista que a transexual estava com os dias contados.
Informou também que dois rapazes em uma motocicleta estiveram na porta da casa dela na tentativa de invadir o imóvel na última segunda-feira (26). “Eles chegaram no portão e ouvi comentando sobre estar trancado com cadeado. Corri na mesma hora para o telefone para pedir ajuda. Tive que sair de casa e vir ficar com a minha tia por enquanto”, disse.
A jovem é de Uberlândia, mas estava morando em Catalão (GO). Ela tinha retornado à cidade há duas semanas e durante a noite fazia programas sexuais. Foi em uma dessas noites que ela sofreu as agressões e foi socorrida até uma Unidade de Atendimento Integrada (UAI) com ferimentos no rosto, no pescoço e nos pés.
Ao G1, ela contou que tem evitado sair para a rua e que está temendo pela sua segurança desde as agressões e repercussão do fato na cidade.
“Eu nunca fiz mal para ninguém, nunca tive problemas. Minha vida acabou, eu tenho medo de andar na rua. Até falei com meu advogado que eu estou indo atrás dos meus direitos pela minha segurança e para ter justiça”, desabafou a jovem.
Garota de programa trans foi agredida na rua
O caso foi registrado na madrugada da última sexta-feira (23) no Bairro Marta Helena no momento em que a jovem estava em um ponto de prostituição. Segundo o registro da PM, um grupo de travestis se aproximou e começou a agredir a transexual.
Ela relatou aos militares que, entre as agressoras, reconheceu a vereadora de Uberlândia Pâmela Volp (PP) que teria dito “vaza daqui bicha” e pegado o celular dela. O aparelho não foi localizado.
Os policiais tentaram contato com a vereadora para prestar esclarecimentos sobre a versão apresentada, porém ela não atendeu às ligações no dia dos fatos.
Em nota, a assessoria de comunicação de Volp esclareceu que ela sempre esteve e estará aberta ao alcance da verdade pelas autoridades competentes. Disse, ainda, que não é a primeira vez que o nome da parlamentar esteve na mira de falsas acusações e, contra isto, sempre lutou para honrar a história de luta e sacrifícios.
Ao G1 a Polícia Civil informou que foi instaurado inquérito para apurar os fatos da ocorrência feita pela jovem na madrugada de sexta-feira (23). Ela deve ser ouvida nos próximos dias. Sobre a ocorrência desta quarta-feira (28), a assessoria de comunicação da polícia esclareceu que ainda não recebeu o registro para abertura de inquérito.

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