Trabalhadores rurais são vacinados contra Covid em fazendas isoladas no Pantanal de MS; doses só chegam de avião


O técnico de enfermagem Ewerton Muriense nunca havia montado em um cavalo, a primeira vez foi para simular a vacinação contra Covid, em um peão. Voo de Corumbá até propriedades tem duração de 2 horas. A vacinação foi feita em solo e a foto simula a aplicação. Para o registro, a seringa não continha agulha e muito menos dose do imunizante.
Everton Mauriense/Arquivo pessoal
Por terra, por água, pelo ar ou até mesmo à cavalo. Maneiras para levar as doses das vacinas contra Covid ao máximo de pessoas não são dispensadas. Nesta quarta-feira (14), cerca de 300 trabalhadores rurais de fazendas isoladas no Pantanal de Mato Grosso do Sul foram imunizados.
Em uma destas propriedades, na região de Nhecolândia, a 2 horas de avião de Corumbá (MS), que o técnico de enfermagem Ewerton Muriense simulou a vacinação de um peão, ambos montados em cima de cavalos.
“Nunca tinha subido em um cavalo. Por segurança vacinei o peão em solo, depois para o registro e conscientizar a população, decidimos tirar a foto simulando a vacinação, os dois em cima dos animais. O pessoal ficou meio com medo, me acharam meio doido por querer vacinar em cima do cavalo, porque eles acharam que eu ia aplicar de verdade”, explicou aos risos, Muriense.
A princípio, a ideia da foto da imunização sobre os cavalos tinha sido de uma amiga do técnico de enfermagem. A ida até a fazenda, de acordo com Muriense foi “uma das experiências mais marcantes” da carreira dele.
“Nunca tinha conhecido o Pantanal, nunca tinha andado de avião também e tudo isso foi novidade. As pessoas e o proprietário da fazenda me receberam com todo o carinho e toda a atenção. Depois embarquei no outro dia e conversando com as minhas “chefes” , contei que queria subir no cavalo para tirar uma foto”, lembra o técnico de enfermagem.
Vacinação em locais isolados
Aviões foram cedidos por proprietários das fazendas, no Pantanal.
Sindicato Rural de Corumbá
O local onde Muriense foi para aplicar a imunização é um dos pontos habitáveis mais longes de Corumbá (MS), cidade pantaneira. São cerca de 2 horas de avião para chegar até o local e mais alguns minutos por estradas de chão para avistar as fazendas.
Os aviões que foram utilizados para transportar as vacinas até às fazendas do Pantanal de Mato Grosso do Sul são de proprietários e filiados ao Sindicato Rural de Corumbá, que prontamente destinaram as aeronaves para auxiliar na logística de imunização.
De acordo com o centro de imunização de Corumbá, cidade que proporciona a vacina para os trabalhadores rurais do Pantanal, na última semana, 1.826 profissionais do campo foram imunizados contra o coronavírus.
Trabalhadores rurais chegando em trator para receberem a vacina contra Covid, no Pantanal
Sindicato Rural de Corumbá
À cavalo, à pé, de caminhonete ou até mesmo na carroceria de um trator. Quando os trabalhadores rurais descobriram que a vacinação contra Covid chegaria nas fazendas, a mobilização foi rápida, de acordo com as informações da secretaria municipal de Saúde de Corumbá.
Muriense, ao conversar com o G1, lembrou da felicidade vista nos olhares dos pantaneiros ao receberem as vacinas:
“A experiência foi maravilhosa. ‘Top’ demais”. Eu conseguia ver pelo esforço dos trabalhadores rurais ao chegarem nos pontos de vacinação. Eles tinham uma certa dificuldade por estarem em locais isolados. Eles ficaram na fila para tomar a vacina. Me senti muito feliz por eles acreditarem no meu trabalho, me darem essa oportunidade”, expressou o profissional que trabalha na área da Saúde há nove anos.
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