Trabalhadores do transporte coletivo paralisam atividades e pedem o fim do ‘Táxi Compartilhado’ em Porto Velho


Mais de 900 trabalhadores aderiram ao movimento. Nesta segunda-feira (26) será votada na Câmara Municipal a lei que autoriza os taxistas a trabalharem com ‘Táxi Compartilhado’. Greve no transporte coletivo de Porto Velho
Hosana Morais/G1
Os trabalhadores do transporte coletivo do Consórcio Sistema Integrado Municipal (Sim) paralisaram as atividades na madrugada desta segunda-feira (26) em Porto Velho.
De acordo com o representante a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luismar Neves, que é filiado ao Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sitetuperon), o movimento reivindica a não aprovação da liberação do ‘Táxi Compartilhado’.
Mais de 900 trabalhadores aderiram ao movimento. Ônibus foram estacionados na Avenida Sete de Setembro, na rua Dom Pedro II (em frente a Prefeitura), em frente a Câmara de Vereadores e ainda em frente a Secretaria Trânsito Mobilidade e Transporte (Semtran).
De acordo com Neves, nesta segunda-feira (26) será votada na Câmara Municipal a lei que autoriza os taxistas a trabalharem com ‘Táxi Compartilhado’.
Greve no transporte coletivo de Porto Velho
Hosana Morais/G1
“Nós amanhecemos paralisados. Fizemos uma assembleia geral antes de paralisar e foi aprovado por unanimidade essa paralisação devido o prefeito incluir dois parágrafos na lei que vai ser aprovada hoje a tarde em que autoriza o táxi compartilhado a rodar por seis meses, até que se adequar a uma lei que eles vão propor, do aplicativo”, explica Neves.
Conforme o representante, desde que o ‘Táxi Compartilhado’ iniciou as atividades na capital, muitos trabalhadores do Consórcio Sim foram demitidos, sem contar que afetou a arrecadação da empresa.
“Já foram mais de noventa demissões só no primeiro mês em que o táxi compartilhado começou a rodar. Foram 10 mil usuários a menos sendo carregados por dia pelo transporte coletivo. Então, com medo, o sindicato tomou a decisão de fazer uma assembleia e foi deliberado fazer uma paralisação até que o prefeito se posicione de forma concreta e objetiva”, informa Neves.
Greve no transporte coletivo de Porto Velho
Hosana Morais/G1
O sindicato informou ainda que todo o efetivo do Consórcio Sim aderiu a paralisação até que uma reposta da prefeitura seja tomada.
“Todo o efetivo da empresa paralisou, 100% está presente na manifestação, uma média de 930 trabalhadores”, disse Neves.
“Estamos em quatro lugares, na Avenida Sete de Setembro [com 80 ônibus], em frente a prefeitura, em frente a Câmara de Vereadores e em frente a Semtran”, continua.
O Sindicato informou ainda que eles possuem uma liminar que impede que o ‘Táxi Compartilhado’ opere na capital e que a provação da lei que autoriza o transporte é irregular. A paralisação será realizada até que a categoria consiga se reunir com o prefeito.
Greve no transporte coletivo de Porto Velho
Gabriela Cabral/Rede Amazônica
“A gente quer uma reunião que o prefeito traga uma posição concreta. Ele tem a base maior da câmara. Queremos que nos prometa a aprovação da lei sem alteração. Que a lei regulamente o táxi normal, que não exista uma nova modalidade dentro do táxi normal”, finaliza Neves.
O jovem aprendiz Leonardo Queiroz só soube da paralisação quando chegou na parada de ônibus e precisou pedir carona de última hora.
“Eu estava aqui [na parada de ônibus] quando eu fui ver as mensagens dos meus amigos falando que já estava em greve. Foi um grande transtorno e eu tenho que estar no curso às 8h e agora vou de carona. Meio-dia eu tenho que voltar para casa e caso não tenha ônibus, eu vou ter que ir a pé ou de carona de novo”, disse o jovem aprendiz.
Prefeitura
Greve no transporte coletivo de Porto Velho
Hosana Morais/G1
Em nota, a prefeitura de Porto Velho informou que a Semtran não recebeu o comunicado oficial sobre a greve. O secretário da pasta disse que está pronto a receber o representante do sindicato a fim de tentarem encontrar uma solução para que a população não seja mais prejudicada. O prefeito dará uma coletiva de imprensa com o posicionamento sobre a ação.
Consórcio SIM
A diretoria do consórcio informou em nota que foi surpreendida com a ação dos profissionais do transporte coletivo.
“A diretoria do Consócio entende que os 850 pais de famílias que fazem parte do sistema, estão inquietos com as deliberações que estão acontecendo no sistema, e querem garantir seus empregos. Porém, declara que espera que as leis sejam cumpridas, para garantir que a normalidade do serviço seja retomada imediatamente”, conclui a nota.
Confira a nota abaixo na íntegra da prefeitura:
O secretário municipal de Trânsito, Mobilidade e Transportes (Semtran), Carlos Henrique da Costa, informou que não recebeu nenhum comunicado sobre o movimento grevista do transporte coletivo em Porto Velho.
O motivo da paralisação dos motoristas do transporte público, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Rondônia (Sitetuperon) é o táxi compartilhado.
O secretário municipal de Trânsito disse que a prefeitura está pronta para receber o Sitetuperon para conversar e, dentro de suas possibilidades e responsabilidades, encontrar uma solução para situação que no momento prejudica a população que precisa do transporte público.
Pagamento
Carlos Henrique informou ainda que a prefeitura mantém o pagamento do Consórcio rigorosamente em dia que não houve nenhuma reivindicação da empresa, o que torna o movimento ilegal e pior, prejudicando assim milhares de pessoas da Capital.

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