Ter sido astro mirim, como Yasmim, pode aumentar risco de depressão


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Ter fama na infância sem continuidade na adolescência pode ser um agravante para a depressão, segundo a psicóloga Priscila Gasparini Fernandes, especialista em casos de depressão e suicídio. “Manter o reconhecimento das pessoas, as pessoas gostarem de você é um prazer para o ego. A partir do momento que você tem isso e perde é uma agravante para a depressão”, explica.

A jovem Yasmim Gabrielle, 17, cantora mirim do programa Raul Gil na infância, morreu neste domingo (21), e há suspeita de suicídio. Ela sofria de depressão.

“Infelizmente nesta manhã perdemos nossa Yasmin Gabrielle. Depressão é uma doença que está acabando com nossas crianças. Que Jesus a receba com amor e que ela encontre paz. Muito triste”, escreveu Raul Gil Júnior, filho do apresentador e diretor do programa, nas redes sociais.

A última apresentação de Yasmin no programa foi em 2017, quando ela contou que a mãe havia morrido de câncer, em 2012.

Tristezas, angustias e frustações podem ser desencadeadores da depressão em pessoas que já têm disposição genética à doença, de acordo com a psicóloga. Ela explica que a adolescência é uma fase de ainda maior fragilidade devido a alterações comportamentais e hormonais do período.

“O meio não causa a depressão, mas é um facilitador. Os pais ou adultos pelos quais o adolescente tem identificação, como avós ou tios, devem ficar atentos a mudanças comportamentais que podem ser sinais da depressão, como comer demais ou não comer, dormir muito ou ter insônia, sair muito ou se isolar”, afirma.

“O adolescente fica triste, prostado, angustiado, irritado”, completa.

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Ela ressalta que não existe uma epidemia de depressão entre adolescentes. “O que ocorre é que hoje há um melhor diagnóstico e a depressão é tratada como doença”, explica.

Segundo ela, no caso de mudança de comportamento, é importante tentar se aproximar do adolescente, seja tentando conversar ou se colocando à disposição. “O adolescente se sente muito sozinho. Ele precisa sentir que é amado e que conta com um apoio. É importante que ele seja encaminhado para um especialista para o tratamento da depressão”, diz.

A psicóloga explica que a depressão leve pode ser tratada apenas com psicoterapia. Já a moderada e grave exigem tratamento com medicação própria.

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“O suicídio ocorre quando o instinto da preservação da vida é dilacerado, quando há um desequilíbrio na saúde mental. Existe uma diferença muito grande entre querer chamar a atenção e se matar. Por isso a importância de um profissional especializado”, destaca. 

O Brasil é o país que mais apresenta casos de depressão na América Latina. Quase 6% da população, um total de 11,5 milhões de pessoas, sofrem com a doença, segundo dados da OMS.

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