‘Tempo’, de M. Night Shyamalan, explora natureza humana: ‘Um dos meus filmes mais emocionais’


Em entrevista ao G1, diretor e atores falam sobre suspense baseado em HQ que estreou no Brasil nesta quinta-feira (28). Há alguns anos, o diretor M. Night Shyamalan ganhava das filhas a história em quadrinhos “Castelo de areia”, de Pierre Oscar Lévy e Frederik Peeters. O presente de dia dos pais bateu forte no cineasta, que usou a trama da obra como inspiração para explorar a natureza humana em seu novo filme, “Tempo”, lançado no Brasil nesta quinta-feira (29).
“É um dos meus filmes mais emocionais”, diz sobre o suspense o cineasta conhecido por “O sexto sentido” (1999) em entrevista ao G1. Leia a resenha completa do filme.
“Esse foi definitivamente um período muito pessoal e emocional. Não sei se foi o que estava acontecendo na minha vida pessoalmente, a pandemia. Tudo. Quão velho eu estou. A idade das minhas filhas. Meus pais.”
O diretor M. Night Shyamalan durante as gravações de ‘Tempo’
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De olho no relógio
De fato, “Tempo” destoa das demais obras do diretor e roteirista de 50 anos.
Ao contar a história de um grupo de turistas presos por uma força misteriosa em uma praia onde envelhecem anos em minutos, ele discute temas como amadurecimento, laços familiares e os lados mais primitivos do ser humano.
Mesmo assim, volta mais uma vez sua atenção aos quadrinhos, peça fundamental da trilogia que iniciou em “Corpo fechado” (2001) e encerrou em “Vidro” (2019).
“Quando penso em uma ideia, eu não sei bem como descrever além de que a ideia não tem um fundo”, conta Shyamalan, que assina o roteiro de “Tempo”.
“‘Castelo de areia’ fez isso pra mim. Quando eu li, tive essa impressão da pedra no poço de que não tinha fundo. Eu poderia continuar tendo ideias para sempre.”
Vicky Krieps, Thomasin McKenzie, Luca Faustino Rodriguez e Gael García Bernal em cena de ‘Tempo’
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Gravação pandêmica
A trama de certa forma distópica encontrou reflexos na própria realidade.
As gravações realizadas em 2000 em uma praia na República Dominicana marcaram a primeira vez em que o diretor comandava uma produção fora dos Estados Unidos.
Enquanto isso, o mundo enfrentava as medidas de segurança por causa da pandemia – que chegaram a paralisar Hollywood por meses.
Tudo isso ajudou a criar o sentimento de isolamento necessário para a história, e reforçou laços entre o elenco formado por atores de diversas partes do mundo.
“É a melhor coisa trabalhar com um diretor que é tão ousado e tão comprometido com um tipo de procura e experimentação ao fazer esses grandes filmes de gênero”, afirma o mexicano Gael García Bernal (“Wasp network: Rede de espiões”).
Thomasin McKenzie e Alex Wolff em cena de ‘Tempo’
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“Envolvem muitas premissas malucas, que são difíceis de imaginar como juntar em uma história, em uma estrutura narrativa.”
No filme ele interpreta Guy, pai da família de protagonista, um homem metódico que leva os filhos naquela que prometia ser a última lembrança deles antes da separação do casal.
“Eu aprendi muito. Foi realmente legal trabalhar com ele, ver a forma como ele monta as coisas”, diz o ator sobre o Shyamalan.
“Ele não apenas atingiu minhas expectativas, mas ultrapassou elas completamente em deslumbramento.”
Rufus Sewell em cena de ‘Tempo’
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