Tecnologia: da escassez à abundância

Por Márcio Bueno

A tecnologia, demonizada por alguns e idolatrada por muitos, foi um gatilho que mudou a história da humanidade.

Ela nos permitiu, nos últimos 50 anos, melhorar nossa qualidade de vida, ajudou a reduzir a fome e a miséria, erradicar ou curar doenças. Seja diretamente, seja apoiando novos protocolos ou ainda incentivando novas condutas.

A taxa de mortalidade infantil reduziu quase 60% no mundo e mais de 90% no Brasil, passando de 16,9% a 1,44%, entre 1960 e 2018. A pobreza também reduziu drasticamente, passando de 42,1% da população em 1981 para 10% em 2015. Estes dados são publicados pelo Banco mundial.

Uma parte importante dos méritos desta melhoria, sem dúvida, se deve à tecnologia. Equipamentos e medicamentos que melhoraram (e salvaram) direta ou indiretamente muitas vidas.

Sem dúvida estes dados são importantes e nos deixam feliz, mas não podemos nos acomodar. A leitura dos dados em valor relativo pode ser enganosa, quando se trata de vidas.

Basta que uma pessoa morra por falta de acesso à tecnologia, alguém que poderia ter sido salva e não foi porque não fomos capazes de construir um modelo mais humanizado de sociedade, teremos falhado.

Temos muita tecnologia disponível. Daí a entrar no mérito se ela é acessível para todo mundo já é uma outra discussão, que será tema de um outro artigo em separado.

Fato é que, mesmo reduzindo a porcentagem, em valor absoluto, ainda temos muita gente sofrendo ou morrendo no mundo. A diferença é que antes se morria ou sofria por falta de tecnologia, hoje por falta de consciência ou por ganância.

Criamos empresas que adoecem pessoas ou, no mínimo, as fazem sofrer e, o pior, ainda estamos longe de atuar de maneira profilática para evitar que sofram. Enfim, estamos melhor que no século 18?  Em termos relativos sim, em valores absolutos não, em termos tecnológicos sim, em termos humanos… bastante questionável…

Em outras palavras, evoluímos muito em termos tecnológicos, mas ainda estamos longe de resolver os reais problemas da humanidade.

O dado positivo é que nunca tivemos uma oportunidade tão grande de utilizarmos a tecnologia a nosso favor, com o propósito genuíno de construir uma sociedade. Portanto, não podemos desperdiçá-la!

Vejamos alguns exemplos de como podemos mitigar os problemas das necessidades básicas do ser humano:

Alimentação: Não me refiro somente à melhoria de produtividade, no sentido maior produção por hectare, porque isso já fazemos com excelência. Obviamente isso ajuda a humanidade porque temos que alimentar a uma população cada vez maior. Temos projetos verdadeiramente disruptivos, como carnes de laboratório (já comentei alguns exemplos no canal observatório BE&SK), ovo sintético (pó e líquido), produção de arroz em água salgada e assim por diante.

Saúde: Muito além das curas de doenças, já temos óculos que fazem deficientes visuais enxergarem através de som, impressoras 3D que imprimem órgãos em testes avançados e iniciando os testes temos tratamentos com nano robôs, que podem aplicar quimioterapia somente na célula cancerígena, por exemplo. Sem contar as tecnologias que permitem exames laboratoriais básicos em domicílio. A inovação, neste caso, se observa mais pelo modelo de negócio do que pela tecnologia em si. Outro exemplo, o marketplace de saúde webmd, que reúne médicos, laboratório, hospitais, recebeu mais visitas e teve mais consultas online, que todas as consultas presenciais feitas por todos os médicos americanos juntos.

Moradia: Conceitos de casas sustentáveis, utilizando materiais recicláveis e reutilizáveis, aplicando tecnologias como impressoras 3D ou nanotecnologia. Este tipo de projeto reduz o custo, o tempo de construção e o impacto meio ambiental, não gerando resíduo da obra. Outros conceitos como motor homes minimalistas para nômades digitais ou tecnologias como IoT para eficiência energética, e assim por diante.

Educação: Inteligência artificial, realidade virtual, realidade aumentada tem enriquecido o conceito de ensino a distância, não obstante, a maior revolução tem sido em relação à democratização do conhecimento através das MOOC (Massive Open Online Course). Atualmente existem milhares (ou milhões) de Cursos Abertos Online gratuitos disponíveis em vários idiomas Em breve faremos artigos específicos sobre educação e saúde.

Poderia citar uma lista de 20, 50 ou 100 tecnologias que estão à nossa disposição. Porém, as tecnologias por si só não resolverão os nossos problemas.

E sabem por quê?

Porque muitas delas vão de encontro aos interesses de empresários sem visão, de investidores ou de grandes grupos econômicos.

Para que possamos levar estas tecnologias e gerar abundância à sociedade, precisamos de dois aspectos adicionais à tecnologia.

Mudança de mindset e novos modelos de negócio, mais conscientes e humanizados.

Para abordar estes três pontos, tecnologia, modelos de negócios rentáveis e conscientes e mentalidade, é necessária uma metodologia. Seria muito difícil ter sucesso se não os abordamos de forma integrada e sistêmica.

A maioria das startups já estão nascendo com esta visão, porém, o que acontece com as empresas atuais?

As estatísticas de vida útil das empresas mostram que haverá uma renovação muito maior ao que já vimos ao longo da história, porém, não é realista pensar que devemos matar todas as empresas atuais e substituir por startups, temos que buscar a forma de ajudar as empresas existentes.

O principal objetivo da Tecno-Humanização é unir tecnologia e pessoas, para transformar empresas tradicionais em organizações rentáveis, conscientes e humanizadas, através de seus 3 pilares:

Tecnology, Business & Mindset Transformation

Porque este é o caminho que encontramos para aplicar tecnologia para nos levar de um modelo de escassez para um modelo de prosperidade e abundância acessível a todos.

Fontes:

https://data.worldbank.org/topic/poverty?end=2018&start=1960

https://data.worldbank.org/indicator/SH.DYN.MORT?locations=BR

 

Marcio Bueno assina a coluna “Tecno-Humanização”, no Inova360, parceiro do portal R7. É Tecno-Humanista, fundador da BE&SK (www.bensk.net) e criador do conceito de Tecno-Humanização.

marciobueno@bensk.net

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