Taylor Swift: entenda por que cantora refaz álbuns com cópias de si mesma


Objetivo é recuperar os direitos sobre os seis primeiros discos. Álbum ‘Fearless’ sai em abril e faixa ‘Love story’ já foi divulgada, quase igual à original. Entenda briga em VÍDEO. Olhos da cantora Taylor Swift são destacados pelo flash de fotógrafos durante sua chegada ao tapete vermelho para o evento ‘Billboard Women in Music’ em Los Angeles, nos EUA
Mike Blake/Reuters
Quando um artista leva suas músicas antigas ao estúdio, é normal criar versões diferentes, que mostrem algo novo. Afinal, não faz sentido ouvir a mesma pessoa cantar e tocar tudo do mesmo jeito. Mas, para Taylor Swift, a estratégia é copiar a si mesma. Ela está refazendo seus seis primeiros álbuns.
É que a cantora não é dona das gravações dos seus seis primeiros discos. Os direitos eram da gravadora Big Machine. O contrato foi assinado quando ela tinha 14 anos, em 2004. A artista inexperiente tinha pouco poder de barganha e as cláusulas eram generosas com a gravadora.
A situação dela não é rara entre astros pop que têm pouco controle sobre os primeiros trabalhos por terem feito contratos parecidos. Mas o jeito que ela criou para tentar contornar isso é incomum e pode ter impacto na indústria musical.
Quem é dono das gravações hoje?
A Big Machine foi comprada por Scooter Braun, empresário de Justin Bieber, em 2019. Taylor Swift não se dá bem com ele, e já disse que sofria “bullying” de Braun, por isso ficou indignada quando ele passou a ser dono das suas gravações.
A coisa piorou quando, um ano depois, Braun revendeu o catálogo de Taylor Swift para a Shamrock, empresa fundada por Roy E. Disney, sobrinho de Walt Disney, US$ 300 milhões. “Essa foi a segunda vez que minha música foi vendida sem meu conhecimento”, ela lamentou.
Os donos das gravações originais têm parte do lucro com o streaming e, principalmente, podem controlar uso em outras obras, mesmo que seja em um filme da própria Taylor. Por ser compositora, ela também tem poder de veto para certos usos e recebe parte da arrecadação.
Uma cláusula do antigo contrato com a Big Machine deu a brecha para o projeto atual de Taylor: a partir do fim de 2020, ela ganhou o direito de regravar as composições registradas nos cinco primeiros álbuns.
Com as novas gravações, ela recupera o controle total sobre sua obra, sendo autora e dona do novo registro em áudio. Agora, a luta vai ser convencer os fãs e os produtores de filmes e comerciais a ouvirem e usarem as novas versões.
No final de 2019, o G1 explicou a briga, veja o vídeo abaixo:
Semana Pop #64: Taylor Swift e seus empresários entram em guerra
Quando saem os álbuns e como eles vão ser?
O primeiro disco da série que ela chama de “Taylor’s Version” será “Fearless”, seu segundo álbum de estúdio, lançado em 2008. O álbum sai em abril e faixa “Love story” foi divulgada na noite desta quinta (11). Os outros álbuns ainda não têm data certa.
Mesmo com tudo regravado, a diferença é pouca. As cordas são um pouco mais baixa e a guitarra é um pouco mais baixa, por exemplo. A voz parece não ter envelhecido. Soa mais como se fosse uma remasterização do que algo feito do zero.
Vai haver seis faixas inéditas, o que deixa mais ainda a impressão de disco de “remaster” – e aquela impressão de que, se ela não achou que valia a pena soltar as seis músicas na época, elas não devem ter virado imperdíveis com o tempo.