Taxa de escolarização cai entre jovens em idade escolar no estado de São Paulo, diz pesquisa do IBGE


De acordo com os números, a faixa etária que teve a maior queda de escolarização em SP foi entre os jovens de 15 a 17 anos, onde o índice passou de 87,4%, que estavam na escola em 2018, mas que passou 86,2% em 2019. Evasão também aumentou entre os alunos no ensino superior. Taxa de escolarização cai em SP, diz IBGE
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta quarta-feira (15) afirma que o estado de São Paulo registrou queda na taxa de escolarização de jovens entre os anos de 2018 e 2019, que indicam crescimento da evasão escolar em várias faixas etárias.
De acordo com os números, a faixa etária que teve a maior queda na taxa de escolarização no estado foi entre os jovens de 15 a 17 anos, onde o índice passou de 87,4% de jovens que estavam na escola em 2018, mas que no ano passado, em 2019, passaram para 86,2%. Queda de 1,2%.
Na faixa etária entre 18 e 24 anos, o índice de escolarização também teve uma leve queda e passou de 29,8% para 29,4%.
Os dados são relativos ao ano passado, ou seja, antes da pandemia do novo coronavírus. Um tempo em que escolas e faculdades não estavam fechadas e que o ensino a distância não era a única alternativa para quem quer aprender.
Número do IBGE sobre a evasão escolas em São Paulo em 2019.
Reprodução/TV Globo
A Giovanna Anjos tem 19 anos e está no 1º ano de uma faculdade de Direito particular de São Paulo. Ela tem uma bolsa parcial, trabalha como secretária em um escritório no Centro, e, nas horas vagas, vende bolo de pote para poder pagar o curso.
A luta da Giovana é para tentar se manter entre o grupo acima de 18 anos que está estudando: “Tá dando uma ajuda. Porque, se não fosse a venda de bolo, acho que eu já tinha trancado a faculdade”, conta a jovem.
Quem também faz o possível para também não deixar de aprender é o João Vítor, de 16 anos. Ele está no 2º ano do Ensino Médio de uma escola estadual de Guarulhos, na Grande São Paulo. Mas desde que as aulas a distância começaram, ele vê vários colegas com dificuldades para manter os estudos.
“Tem alguns que falam que não fazem algumas matérias porque não conseguem, não entendem e não tem mais a vontade de fazer as vezes, que não tem aquele mesmo incentivo para eles”, afirma João Vítor Vieira Góis.
Apesar dos números ruins entre os jovens, por outro lado, a pesquisa mostra bons números no ensino fundamental paulista. Entre as crianças de 6 a 14 anos, 99,9% estavam na escola ano passado.
“A gente pode dizer que em São Paulo praticamente todas as crianças de 6 a 14 anos frequentam escolas. E a medida que a gente vai subindo os grupos etários, essa frequência, essa taxa de escolarização tende a diminuir”, diz a analista da pesquisa do IBGE, Adriana Berengui.
Taxa de escolarização entre alunos do estado de São Paulo.
Reprodução/TV Globo
Para o coordenador do Núcleo de Inteligência do Movimento “Todos pela educação”, Caio Sato, as projeções são preocupantes e, por isso, o poder público precisa agir para evitar que mais jovens abandonem os estudos.
“A própria Pnad de 2019 já mostrava um movimento preocupante que tende a se agravar agora em 2020, com o contexto da pandemia, e quem sabe até 2021 também. São vários os fatores que influenciam esses dados, esse fenômeno, e que as políticas públicas de alguma forma têm que endereçar especialmente agora num momento de pandemia tem que pensar em soluções mais focalizadas pra garantir que a perda de aprendizagem não seja tão acentuada como temos observado até então”, afirma Sato.
A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, responsável por cerca de 4 milhões de alunos, reconhece o desafio e diz que está trabalhando para tornar a escola mais atrativa.
“Nosso grande esforço é aumentar a atratividade da escola, fazer a escola que o adolescente quer estar. Então pra isso a gente tá fazendo algumas coisas. A primeira é mudar todo o currículo do ensino médio, então a gente tá fazendo um currículo no qual o aluno vai primeiro fazer uma parte geral e depois vai poder aprofundar naquilo que é mais interessante para ele”, afirma o coordenador pedagógico da secretaria estadual, Caetano Siqueira.
Segundo a secretaria, a proposta do novo currículo do ensino médio em São Paulo, foi enviada para análise do Conselho Estadual de Educação. Se aprovado, o governo do estado espera homologar as mudanças até o fim do ano.
A Giovanna, que conhecemos vendendo bolos, diz que está gostando do curso de Direito. E, apesar de todas as dificuldades, não pensa em desistir: “Quero ser uma advogada e depois passar para juíza”, afirma ela.
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