‘Surgeon Simulator 2’, apesar do nome, é um ‘simulador de caos’, dizem criadores brasileiros


Henrique Olifiers e Roberta Lucca falam ao G1 sobre continuação, lançada nesta quinta-feira, de game que viralizou desde 2013 com vídeos malucos. Para quem está pensando em treinar para virar médico, talvez “Surgeon Simulator 2” não seja o game ideal. Mas aqueles que querem caos, sangue, tripas e destruição podem se interessar um bocado pelo game lançado para computadores nesta quinta-feira (27).
“É ‘simulador de caos’. Se você está querendo ver caos, é 100% simulação. Agora, se você está querendo aprender a fazer uma cirurgia, meu amigo… (risos)”, brinca o brasileiro Henrique Olifiers.
Ele é um dos fundadores da Bossa Studios ao lado da também brasileira Roberta Lucca. Além de criarem o estúdio na Inglaterra, os dois já tinham trabalhado juntos na Globo, no desenvolvimento dos jogos do “BBB” e na própria interface de votação do programa.
“Uma vez, no primeiro ‘Surgeon’, a gente estava em um evento de games aqui na Inglaterra. Eu não sei por que, mas um representante do NHS (sistema de saúde pública britânico) parou e levou a sério. Queria conversar com a gente sobre o jogo. Levou uns 10 minutos para a gente explicar para ele que não era um simulador (risos)”, conta Olifiers.
“A gente recebeu cartas e e-mails de médicos residentes, na época do primeiro em 2013, dizendo que era o jogo de bebedeira deles”, diz Lucca. “Espero que sem operar ninguém de verdade.”
Assista ao trailer de ‘Surgeon Simulator 2’
Juntos no caos
O novo game é continuação do jogo de 2013, que se tornou um hit viral em vídeos caóticos publicados por influenciadores da área como o sueco PewDiePie.
Dessa vez, no entanto, a simulação de cirurgias que não quer simular nada expande sua capacidades para um sistema para até quatro jogadores, que podem correr de um lado para o outro pelas salas e corredores escuros de um hospital na tentativa de salvar vidas.
“A gente sempre soube que o grande pulo de gato do ‘Surgeon’ são as histórias que as pessoas contam enquanto estão falhando ao tentar jogar. Quando você multiplica isso por quatro, você na verdade tem 16 mais possibilidades. É exponencial”, diz Olifiers.
Para aumentar o público, e com isso a compatibilidade com múltiplos jogadores, a continuação tem comandos um pouco mais fáceis que o antecessor.
“Ele tende a ser mais mainstream. Os controles são mais simples que o anterior. O caos emerge pelo fato de que agora tem mais pessoas ajudando – e na verdade não estão ajudando. A gente teve a liberdade de fazer controles mais acessíveis.”
‘Surgeon Simulator 2’ reúne até quatro jogadores
Divulgação/Bossa Studios
Nascido em um universo único
A primeira continuação da história da Bossa, desenvolvida ao longo de dois anos e meio por cerca de 35 pessoas, nasceu de uma das sessões criativas que o estúdio realiza todo mês.
A cada uma delas, são gerados de seis a sete jogos embrionários (cerca de 80 por ano), que podem virar games completos se parecerem ter futuros promissores.
Entre os lançamentos, os dois “Surgeon” e o simulador de pão (na falta de um termo melhor) “I am bread” fazem parte de uma mitologia integrada, um dos focos da Bossa.
“A gente está criando um universo no qual poderemos adicionar o ‘I am Fish’ no futuro, e qualquer outro jogo que a gente lance. Ele pode ser expandido. Isso é super importante para a gente”, diz Lucca.
“O ‘Surgeon’ tem essa questão de uma sobreposição de algo que é muito sério, um transplante de coração, salvar um paciente, e esse caos de ‘simulação’. É uma simulação irreal. Essas duas dinâmicas foram super importantes para a gente pensar em como essa experiência do jogador vai ser.”
Entre todo esse caos, no entanto, há de se ter ordem. E ela vem através de uma história, que até fica lá pela quarta, quinta camada do jogo, escrita por Rhianna Pratchett.
Filha do renomado escritor britânico de fantasia Terry Pratchett, ela também foi responsável por roteiros de games como “Tomb Raider” e “Mirror’s Edge”.
‘Surgeon Simulator 2’ reúne até quatro jogadores
Divulgação/Bossa Studios
Simulador no futuro
Com um game multiplayer, no qual os jogadores podem personalizar seus personagens e criar uma verdadeira comunidade, a ideia é que o desenvolvimento nunca acaba de verdade.
“A ideia é que a gente não pare, que o time fique alocado no jogo expandindo o conteúdo eternamente. Enquanto ele permanecer relevante. Nós criamos as ferramentas exatamente para isso”, diz Olifiers.
Por isso, apesar de ter sido lançado no computador, “Surgeon Simulator 2” deve chegar em algum momento em consoles.
Além disso, também deve ganhar novas características, como maior integração com plataformas de transmissão, como o Twitch – até para honrar as origens do sucesso de seu antecessor.
Por enquanto, os streamers podem criar níveis, ou jogar com seu público, mas as possibilidades serão expandidas – “em um ou dois meses”.
“Estamos trabalhando em integrações com o Twitch, como um modo em que o público assistindo pode influenciar, através do chat, em coisas dentro do game, como trancar uma porta, mudar a gravidade, soltar uma galinha que corre atrás dos jogadores.”
‘Surgeon Simulator 2’ reúne até quatro jogadores
Divulgação/Bossa Studios