Stylist de Petra Costa diz que ela vai usar só marcas nacionais no Oscar: ‘Vestir é um ato político’


Anderson Rodriguez diz que eles buscam marcas ‘com posicionamento político ao menos aceitável’ e que diretora quer incluir algum símbolo de ‘protesto’ no look. Petra Costa, nos bastidores de ‘Democracia em vertigem’
Divulgação
A preparação para escolher o look do tapete vermelho do Oscar começou há seis meses para a equipe que trabalha com Petra Costa. A brasileira está concorrendo com “Democracia em Vertigem” na categoria de “Melhor Documentário”.
A lista dos indicados saiu no dia 13 de janeiro, mas o stylist Anderson Rodriguez está acompanhando e produzindo os looks da diretora desde o começo da campanha, em estreias do filme no Brasil e no exterior, e em outras premiações.
Anderson trabalha como stylist, responsável por selecionar roupas e acessórios – trabalho diferente de um estilista, que desenha e produz as peças.
De Los Angeles, onde acompanha Petra até dia do Oscar, no domingo (9), Rodriguez contou ao G1 que trabalha com cinco opções de vestido, mas a decisão final deve acontecer só na véspera do prêmio.
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“A gente não definiu ainda, mas temos duas opções do Alexandre Herchcovitch e três do Lino Villaventura”, afirma.
Além do vestido, as joias que Petra vai usar também serão de artistas nacionais. “Não vamos usar importado no tapete vermelho. Foi uma coisa que conversamos e ela aceitou desde o começo”.
‘Ato político’
Para o stylist, há algo especial neste tapete vermelho. “É diferente de vestir uma modelo, ela é uma pessoa mais intelectual. Eu estou tentando tirar as características e o que ela quer passar”, afirma.
“É um ato político vestir uma pessoa que acredita nas coisas que ela acredita”.
Rodriguez ainda diz que alguns estilistas são descartados. “Se ela vestir uma marca que não se posicionou como ela está se posicionando, as pessoas podem cair em cima dela”, explica.
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“Buscamos marcas mais alinhadas com um posicionamento político pelo menos aceitável. A gente não está levantando a bandeira vermelha, mas também não pode ir para um outro lado”, afirma.
Por falar em vermelho, essa é cor de um dos vestidos finalistas. “É uma opção super forte. Petra gosta muito de vermelho”.
Além desta, há uma opção em branco, a preferida de Rodriguez. “É uma peça fluída com volume e brilho em algumas partes. Queria muito que ela usasse esse”, defende. A diretora também pediu e tem uma opção colorida, “bem Brasil”.
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Protesto no look?
Perguntado se o tapete vermelho é um lugar para ousar, Rodriguez lembra dos artistas que usaram uma fita azul contra Trump na cerimônia de 2017.
“Petra quer fazer alguma coisa de protesto no look, mas ainda estamos pensando porque tem várias pessoas assessoria, Netflix…”, afirma.
O stylist citou temas como aborto, feminismo, antifascismo e até a questão do número de mulheres indicadas como possíveis questões abordadas pela diretora no evento.
“Ela é a única brasileira que foi indicada, única diretora mulher que tá sendo indicada. Ela também representa as mulheres”, finaliza.
Capa com Fernanda Montenegro
Um trabalho marcante de Anderson foi a produção de arte e a cenografia da capa da revista “QuatroCincoUm” com a atriz Fernanda Montenegro,em setembro de 2019. Ela apareceu vestida como uma bruxa junto de livros, em referência à censura.
A capa foi criticada pelo diretor de teatro Roberto Alvim, que ofendeu Fernanda Montenegro. Depois disso, ele assumiu como Secretário de Cultura do governo Bolsonaro, cargo do qual foi exonerado por um vídeo com referência nazista.
Confortável no almoço e com Brad Pitt
Petra Costa foi fotografada enquanto conversava com Brad Pitt no almoço dos indicados ao Oscar 2020
Reprodução/Instagram/PetraCosta
Na foto ao lado de Brad Pitt, Petra Costa parecia estar confortável com a conversa e com a sua própria roupa no almoço dos indicados ao Oscar nesta segunda-feira (27).
Segundo o stylist, a diretora gosta da produção da marca mineira Coven, porque a deixa à vontade.
“Ela gosta muito de tricô e também tem uma relação com Minas Gerais. Tínhamos outra opção colorida, mas ela não queria chamar atenção, prezou pelo conforto”, afirma e entrega que a diretora não gosta de saltos muito finos.