Sonda da Nasa busca poeira do asteroide Bentu para estudos; entenda as etapas da missão


Nem bem passou a festa pelo sucesso do pouso da InSight em Marte, já temos outra marca para comemorar: a chegada da OSIRIS-REx ao asteroide Bentu.
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Nem bem passou a festa pelo sucesso do pouso da InSight em Marte, já temos outra marca para comemorar: a chegada da OSIRIS-REx ao asteroide Bentu.
Em setembro de 2016 a NASA lançou a sonda OSIRIS-REx em parceria com a Universidade do Arizona com o objetivo de estudar o asteroide Bentu. Esse asteroide está na categoria de Asteoides Potencialmente Perigosos, mas que não representa nenhum risco real para a Terra. Ao menos nos próximos séculos. Essa classe abrange os asteroides que atinjam distância igual ou menor que 20 vezes a distância Terra-Lua quando ele cruza a órbita do nosso planeta. Então asteroides dessa categoria são bons alvos porque estão perto e, além de potencialmente perigosos, são também potencialmente lucrativos!
Depois de viajar 2 bilhões de quilômetros, a OSIRIS-REx finalmente adentrou a ‘Esfera de Hill’ do asteroide. Essa esfera representa o ponto onde a força gravitacional de um corpo no espaço, no caso Bentu, se torna mais intensa que a força gravitacional do Sol. Em outras palavras, a sonda foi capturada pelo campo gravitacional do asteroide.
A missão da OSIRIS-Rex é bem ousada, depois de mapear a superfície do asteroide, irá se aproximar dele e colher uma amostra do terreno para enviá-la à Terra para análise. Agora que finalmente foi capturada pela gravidade de Bentu, a uma distância de aproximadamente 70 km, a sonda deve permanecer por cerca de 1 ano fazendo voos mais baixos para fazer o mapa do asteroide em detalhes. A sonda deve orbitar entre 19 km e 7 km de altura e com suas câmeras de alta resolução, vai produzir um mapa com a posição precisa das principais rochas de Bentu. A ideia é que em determinado momento a sonda não use mais as estrelas para se guiar em órbita do asteroide e consiga se orientar a partir do mapa de sua superfície!
Além de ser usado para orientação, o mapa será usado para escolher a melhor região para a sonda recolher suas amostras. O lugar ideal precisa ser livre de rochas, ou pelo menos deve ter poucas rochas grandes. A sonda não deve pousar na superficie de Bentu, para recolher as amostras, a sonda vai estender um braço robótico com um recipente na sua ponta. Quando a cesta estiver na posição correta, tocando a superfcíe por uns 5 segundos, o braço vai disparar uma carga de nitrogênio para literalmente assoprar sua superfície fazendo a poeira do asteroide, chamada regolito, cair na cesta. Espera-se que neste processo algum pedregulho também seja recolhido. O braço tem 3 cargas de nitrogênio para repetir o processo e espera-se que a OSIRIS-REx recolha pelo menos 60 gramas desse material, mas podendo chegar a 2 quilos.
Depois de recolher as amostras, que deve ocorrer apenas em 2020, a sonda deverá ficar orbitando Bentu até 2021, quando se abre a janela para iniciar o retorno para a Terra. Ela deve chegar por volta de setembro de 2023, quando a capsula com o material recolhido se desprender da sonda, reentrando na atmosfera terrestre e aterrisando no estado americano de Utah. Depois de recuperada, a cápsula será levada para o Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston e suas amostras serão analisadas até o ano de 2025. A agência americana se comprometeu a guardar pelo menos 75% do material recolhido para ser distribuído entre outros laboratórios espalhados pelo mundo, bem como preservar uma parte para ser estudada no futuro. Essa é uma prática realizada desde as amostras lunares trazidas pelas missões Apollo. O objetivo é deixar material para ser analisado quando houver equipamentos mais modernos que os atuais, permitindo uma análise mais detalhada.
A sonda japonesa Hayabusa-2 também deve realizar missão semelhante, só que no asteroide Ryugu. Nessa missão, a sonda vai também recolher amostras para análise posterior, mas já deixou dois jipinhos e um módulo de pesquisa da agência espacial europeia. Os três equipamentos são bem peculiares, pois eles podem se mover sobre sua superfície, mas não possuem rodas. Eles se movimentos aos saltos, dando pulinhos de um lugar ao outro, pois de outra forma não conseguiriam sair do lugar. A gravidade do asteroide é muito baixa, o que deixa os equipamentos com pouco peso, o que é importante para dar atrito nas rodas. Com pouco atrito, assim que encontrasse uma pedra no caminho, as rodas ficariam patinando sem nunca sair do lugar.
O ano que vem promete!