Sintomas do sarampo vão muito além de manchas vermelhas 

Manchas vermelhas são elevadas e não coçam, segundo o infectologista

Manchas vermelhas são elevadas e não coçam, segundo o infectologista
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Os sintomas do sarampo vão muito além de manchas vermelhas pelo corpo. Segundo o infectologista Carlos Fortaleza, da Sociedade Paulista de Infectologia, o quadro infeccioso lembra uma gripe, com os chamados sintomas catarrais – coriza, tosse, espirro -, febre acima de 38°C e conjuntivite.

“Geralmente se tem o quadro completo. Os sintomas se manifestam ao mesmo tempo, durando de seis a oito dias. As manchas são um pouco elevadas, não coçam e aparecem primeiramente na face, migrando depois para a periferia do corpo, como braços e pernas. É uma doença que deixa a pessoa de cama”, afirma. 

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Ele explica que o sarampo tem um longo período de incubação, se manifestando de uma a duas semanas depois de contraído. “O grande problema é que dois a três dias antes de os sintomas se manifestarem a pessoa já está transmitindo a doença”.

A doença é altamente contagiosa. Diferentemente da gripe, que é transmitida por gotículas de saliva, o sarampo se dissemina pelo chamado aerosol, que são partículas muito pequenas de saliva com alcance maior que as gotículas. “Por exemplo: em um vagão de metrô, uma pessoa com gripe é capaz de contaminhar algumas pessoas ao redor, já uma pessoa com sarampo pode contaminar o vagão inteiro”.

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O maior risco de proliferação do sarampo, segundo o médico, são locais onde há aglomerações, como escolas, transporte público e shoppings. Mas ele ressalta que quando há um caso suspeito da doença é feito o chamado bloqueio vacinal, que consiste na imunização de todas as pessoas daquele meio.

Diferentemente da vacina contra a febre amarela, a tríplice viral, que protege contra o sarampo, rubéola e caxumba, não demora dez dias para fazer efeito. “Se é dada próxima ao momento da exposição, consegue barrar a evolução do sarampo”, diz.

“Metade dos adolescentes não recebeu a segunda dose, o que oferece 10% de falha na imunização. E é nesses 10% de falha que os casos da doença estão acontecendo”, completa.

Não existem remédios antivirais específicos para tratar o sarampo, portanto são ministradas medicações contra os sintomas. De acordo com o infectologista, não é uma doença que costuma levar à internação, a não ser quando há complicações, sendo as mais comuns a otite, que é uma inflamação no ouvido, e a pneumonia. Há também complicações neurológicas, como a encefalite. É uma doença que pode matar.

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“Não se sabe por que em algumas pessoas o sarampo evolui para complicações. Como em todas as enfermidades, quem tem doenças preexistentes estão mais sujeitas a esse risco”, afirma.

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