Sete mulheres morrem em menos de três meses em maternidade pública do AP


Índice é o mesmo de todo o ano de 2017. MPE identificou casos após relatório. Sesa informou que vai apurar mortes e prevê implantar classificação de riscos na recepção ainda no primeiro semestre. Sete mulheres já morreram na Maternidade Mãe Luzia, em Macapá, em 2018
Fabiana Figueiredo/G1
Sete mulheres morreram em menos de 3 meses no Hospital da Mulher Mãe Luzia, a maior maternidade do Amapá, localizada em Macapá. O índice é o mesmo registrado em todo o ano de 2017. O último registro foi no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.
Os casos foram denunciados em um relatório feito pelo Ministério Público do Estado (MPE), após vistoria no hospital. Desde de 2010, a Promotoria de Saúde move uma ação judicial, cobrando a criação de uma equipe de classificação de riscos, de mais leitos e compra de medicamentos e equipamentos.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que pretende implantar a equipe de classificação de risco até o fim deste primeiro semestre.
Último óbito foi constatado no dia 8 de março
Reprodução/Rede Amazônica
Durante a vistoria na maternidade, representantes do MP conversaram com médicos e enfermeiros e muitos teriam relatado os dramas vividos pelos profissionais e pelas famílias na unidade de saúde.
Além disso, o relatório aponta sérios problemas na estrutura da maternidade, falta de medicamentos, equipamentos e insumos. Na vistoria, foi verificado que não havia respiradores suficientes, tanto na UTI neonatal, quanto para as mães.
“Falta de leitos suficientes de UTI materno e neonatal, medicamentos básicos faltando, as enfermarias muito calorentas, lotadas, e ainda continua com problemas de supelotação. Duas mães e duas crianças dividindo o mesmo leito. Não houve muita diferença entre a nossa ida em dezembro e agora em março”, descreveu a promotora Fábia Nilci de Sousa.
Marizélia Ferreira de Paiva foi uma das 7 mulheres que morreram
Reprodução/Rede Amazônica
A última morte registrada na maternidade foi a de Marizélia Ferreira de Paiva, de 26 anos. Grávida de 39 semanas, Marizélia deu entrada na maternidade no dia 6 de março, por volta das 16h, com fortes dores, mas só foi atendida na sala de pré-parto quase quatro horas depois.
O parto aconteceu somente no dia seguinte, uma quarta-feira, às 16h25. Os médicos chegaram a indicar que Marizélia fosse para a UTI, mas os únicos dois leitos da maternidade estavam ocupados. Ela morreu às 8h do dia 8 de março, antes de dar entrada no setor de UTI.
A família de Marizélia contou que o bebê está bem, mas afirma que houve negligência no atendimento à mãe.
“Eu corria no corredor com neném no colo, pedindo socorro e eles não faziam nada. Não fizeram nada, nada”, disse Marinelde Ferreira, irmã de Marizélia.
Além das 7 mulheres mortas, outros 20 recém-nascidos também foram à óbito na maternidade. Os números confirmam a alta taxa de mortalidade infantil no Amapá, a maior do país.
Elioneide Monteiro, superintendente de Atenção à Saúde, deu novo prazo
Reprodução/Rede Amazônica
A Sesa informou que abriu uma investigação para apurar o caso de Marizélia. Sobre os ajustes pedidos pelo MP, o Estado deu novos prazos.
“Para se montar uma equipe para fazer um acolhimento está sendo feito um plano junto com o Comitê da Saúde, trabalhando sobre a qualidade do atendimento, a implantação inclusive do acolhimento da extratificação de risco para ser implantado ainda neste primeiro semestre”, declarou Elioneide Monteiro, superintendente de Atenção à Saúde.
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