Série ‘Dom’ se inspira em história de ‘bandido gato’ dos anos 2000 para falar de família


Gabriel Leoni e elenco falam sobre busca pelo poder, vício e relação familiar que dão norte à série que estreia nesta sexta (4). Pedro Dom assaltava prédios de luxo no Rio nos anos 2000. Elenco de ‘Dom’ fala sobre série inspirada na história real de Pedro Dom
No começo dos anos 2000, não foram poucos os prédios invadidos por uma gangue liderada pelo “bandido gato” no Rio de Janeiro. Pedro Machado Lomba Neto, o Pedro Dom, era um jovem de classe média, um dependente químico que acabou indo para o crime.
A história bateu literalmente na porta do diretor Breno Silveira, através do pai de Pedro Dom, Luiz Victor Lomba. O policial o procurou, porque queria contar o outro lado de uma história que as páginas policiais cobriram à exaustão até a morte de Dom aos 23 anos, em 2005.
Intrigado com os relatos de Victor e as notícias que pareciam coisa de cinema, Silveira criou “Dom”, série de ficção inspirada em eventos reais e na história de Pedro e Victor, vividos por Gabriel Leone e Flavio Tolezani.
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Mais do que a história de um dependente de cocaína e criminoso, os oito capítulos focam na relação entre pai e filho, sempre conturbada.
Victor é um policial de elite que combate o crime desde a adolescência, mas não consegue impedir que a cocaína entre em sua casa.
“A escolha do roteiro e do Breno é falar sobre os efeitos disso da família e da relação familiar dentro de tudo. É uma série que tem ação, mas a pauta ali é a relação do pai e do filho e a desestruturação que acontece por conta disso tudo”, explica Tolezani ao G1. Assista no vídeo acima.
Flávio Tolezani e Gabriel Leone são pai e filho na série ‘Dom’, inspirada na história do líder criminoso Pedro Dom
Reprodução
Na série e na vida real, Pedro Dom se torna dependente de cocaína ainda criança e passa por vários períodos de internação, mas tem recaídas e volta para a droga, foge de casa e volta para o morro.
“Acho que um ponto de reflexão interessante da série é justamente essa quebra de estereótipo, de um cara que vira viciado e, criminoso depois, e que é um playboy, veio da Zona Sul, teve oportunidades, teve acesso a escola, tudo”, diz Leone.
“A série levanta uma reflexão a respeito disso, da responsabilidade dos pais em relação a isso, dá atenção, da superproteção ou da omissão.”
A série estreia nesta sexta-feira (4) no Prime Video, serviço de streaming da Amazon.
Inspiração no ambiente
Pai de Pedro Dom sobe no morro para procurar seu filho na série ‘Dom’
Divulgação
Para interpretar Pedro Dom, Gabriel Leone se apegou ao roteiro e ao ambiente em que a série foi gravada. O pai de Pedro teve um único contato com a equipe de roteiristas em 2009, segundo Silveira. Logo depois, ele descobriu um câncer e morreu.
A construção de menino até a vida adulta e de dependente químico à líder de um grupo criminoso foi feita cronologicamente com o aval da direção. Essa escolha facilitou a vida de Gabriel.
“A gente foi construindo no passo a passo, então para mim, foi muito interessante ir vivendo situações que por si só são situações drásticas, extremas, super profundas”, afirma Leone.
“Além do vício na droga, que começou muito cedo desde muito pequeno, ele passou por muitas internações. Tudo isso foi relatado pelo pai dele… Ele tinha uma disfunção, uma relação diferente com a adrenalina, era um certo vício.”
Essa característica foi conservada na série e explica muitos das loucuras, no crime e nas drogas, do personagem.
“Tudo isso também impôs de alguma forma menos limite, menos noção das consequências para ele”.
Outro ponto que foi importante para compor o personagem foi estar em ambientes em que Pedro frequentava.
“A gente filmou bastante em comunidades e o convívio diário ao longo das filmagens me trouxe muitas coisas, até de encontrar pessoas que conviveram com o Pedro naquele lugar que a gente estava filmando.”
O bonde que causava estrago no Rio
Na série ‘Dom’, quadrilha era formada por Lico (Ramon Francisco), Jasmin (Raquel Villar), Pedro Dom (Gabriel Leone), Armário (Digão Ribeiro) e Viviane (Isabella Santoni)
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Depois de uma das brigas com o pai, Pedro deixa o apartamento da família e vai morar no morro, onde passava noites e noites nos bailes funks com os amigos.
Lá, ele encontra Jasmin (Raquel Villar), Viviane (Isabella Santoni), Lico (Ramon Francisco) e Digão Ribeiro (Armário) e entra para um esquema de assaltar prédios luxuosos no Rio.
Com cara de boa pinta e educado, Dom ganhava os porteiros e seguranças e abria os caminhos para a ação da quadrilha.
Isabella Santoni é Viviane na série, uma mulher que não encontra afeto em casa e acaba deixando a família para ir morar na comunidade.
Além do dinheiro, a atriz percebe que o desejo de poder era algo que estimulava o grupo nos assaltos.
“O crime ali coloca todos os personagens em uma posição que eles não ocupariam, se eles vivessem uma vida normal. Eles são os poderosos do baile, eles são os poderosos de onde estão e acho que tem uma sede de poder muito grande”, diz Santoni.
É a personagem dela que está ali atiçando Dom para usar drogas, mesmo após ele passar meses em uma clínica de reabilitação. “Acho que quem incentiva está tão perdido quanto o outro.”
Gabriel Leone, como o criminoso Pedro Dom, na série ‘Dom’; no começo, ele era viciado em cocaína, mas depois se envolve com drogas
Divulgação
Raquel Villar interpreta a Jasmin, uma mulher sozinha que mora no morro e tem que se virar. Inicialmente, ela vê o Dom como um aliado, mas depois eles se acabam se envolvendo.
“O poder é um vício e você pode se perder dentro dele. Então acho que eles acabam se perdendo, ela tentando sobreviver, se proteger, mas acaba indo para um caminho que não é tão bom”, defende.
Para construir sua personagem, Raquel viu documentários da época e procurou mergulhar no universo dos anos 2000 sem cair no estereótipo. A atriz diz que se lembrava pouco da história de Pedro Dom ao ter contato com o roteiro.
“Quando comecei a ler existia esse nome na minha memória, a coisa do ‘bandido gato’, mas eu não tinha mais informações”.
A história dessa família que foi afetada pelas drogas e as atitudes de Pedro Dom nos assaltos também inspirou o livro “Dom” (2020), de Tony Belloto, guitarrista dos Titãs.
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