Série ’13 Reasons Why’ levou ao aumento do suicídio entre jovens

"13 Reasons Why" conta a história do suicídio de uma menina de 17 anos

“13 Reasons Why” conta a história do suicídio de uma menina de 17 anos
Cinema 10 – Cinema

A série “13 Reasons Why”, da plataforma de streaming Netflix, que trata da história do suicídio de uma menina de 17 anos, levou ao aumento de suicídio entre adolescentes, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira (29) na revista científica JAMA Psychiatry.

A pesquisa mostrou que, três meses após o lançamento da primeira temporada, houve um crescimento de 13% na taxa de suicídio entre crianças e adolescentes de 10 e 19 anos. Isso corresponde a 94 suicídios a mais que o esperado.

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O estudo foi realizado por diversas universidades e hospitais dos Estados Unidos e o Instituto Nacional de Saúde Mental (INSM) e levou em conta as tendências de variação nas taxas de suicídio do país.

Os pesquisadores analisaram as taxas entre pessoas de 10 a 64 anos de idade, mas nenhum efeito foi observado em outras faixas etárias. 

Eles avaliaram o efeito do “contágio suicída” na mídia com base em dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo dos Estados Unidos antes e depois do lançamento da série para estimar os suicídios entre diferentes faixas etárias e identificar possíveis mudanças nos métodos usados. Eles também examinaram posts no Twitter e no Instagram para estimar a quantidade de atenção das redes sociais focada na série, segundo divulgado pela rede de TV norte-americana CNN.

Nas redes sociais, ele observaram que o interesse do público pela série foi maior em abril de 2017, mês de lançamento da primeira temporada, e insignificante depois de junho de 2017.

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Logo após o lançamento de “13 Reasons Why”, os pesquisadores notaram um claro aumento de suicídios entre homens e mulheres de 10 a 19 anos. O estudo estimou 66 suicídios a mais do que o esperado entre homens, o que equivale a um aumento de 12,4%, e 37 a mais entre mulheres, o que representa um aumento de 21,7%, entre 1º de abril de 2017 e 30 de junho de 2017, período de maior interesse do público pelo assunto nas redes sociais, segundo a CNN.

“O fato de essa associação ter sido observada apenas no grupo semelhante ao filme, da personagem Hannah Baker, de 17 anos, e o aumento proporcional ter ocorrido de forma mais forte entre meninas, assim como a ausência de alterações na taxa de suicídios em outras faixas etárias, é nitidamente consistente em indicar um efeito de imitação”, afirmou o principal autor do estudo, Thomas Niederkrotenthaler, chefe da Unidade de Saúde Mental e Pesquisa em Suicídio da Universidade Médica de Viena, na Áustria, à CNN.

Segundo ele, os efeitos da imitação podem ser explicados pela vulnerabilidade e identificação com a personagem principal que morre por suicídio. Na opinião dele, jovens mais vulneráveis devem procurar ajuda falando com um adulto de confiança ou telefonando para um serviço de prevenção ao suicídio.  

Um outro estudo, publicado no mês passado, chegou a conclusões semelhantes. A pesquisa demonstrou um aumento de 28,9% do suicídio entre meninos no mês seguinte à primeira temporada da série.

Na época, a Netflix divulgou uma declaração. “Este é um tópico extremamente importante e temos trabalhado duro para garantir que lidemos com essa questão sensível de maneira responsável”.

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Já nesta ocasião, a plataforma de streaming afirmou em comunicado que os dois estudos não explicam os aumentos de suicídios para meninas em novembro de 2016 nem os de meninos em março de 2017 – antes do lançamento do programa. “Os especialistas concordam que não existe um único motivo para as pessoas tirarem suas próprias vidas e as taxas de suicídio entre adolescentes vêm crescendo tragicamente há anos”, diz o comunicado, conforme divulgado pela CNN.

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