Sergio Jorge, ícone da fotografia brasileira, morre aos 83 anos, vítima de Covid-19


Primeiro ganhador do Prêmio Esso de Fotojornalismo, Sergio Jorge teve carreira marcante no jornalismo e na fotografia publicitária. Dias antes da morte, ele postou fotos do hospital nos primeiros dias internado com coronavírus. O fotógrafo Sergio Jorge, em cena do documentário ‘Foto.Doc – Sergio Jorge’, de 2011
Reprodução
Morreu na madrugada desta segunda-feira (30) o fotógrafo Sergio Jorge, ícone da fotografia brasileira, aos 83 anos, em São Paulo. A informação foi confirmada pelo filho dele, o também fotógrafo Sergio Luiz Jorge, em post numa rede social. Ele estava internado há mais de duas semanas, diagnosticado com Covid-19.
“Sinto informar o falecimento de meu querido pai Sergio Vital Tafner Jorge, nesta madrugada”, escreveu o filho na manhã desta segunda.
O amigo Sergio Fernandes Jr. confirmou que a causa da morte foi o coronavírus e informou que o corpo do fotógrafo será enterrado em Amparo (SP), cidade natal de Sergio.
História na fotografia
Com carreira brilhante passando pelas redações de “O Dia” e “A Gazeta” nas décadas de 1950 e 1960, e depois na revista “Manchete” nas décadas de 1960 e 1970, Sergio Jorge viveu o romantismo da carreira de fotojornalista em seu auge.
“Muitas imagens passaram pelos olhos de Sérgio Jorge, um dos grandes mestres da fotografia brasileira. Impossível conhecer alguns do principais momentos da história da nossa fotografia e do nosso país sem passar por algumas de suas imagens”, escreveu Rubens, professor e pesquisador de fotografia ligado à Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).
Curador de uma exposição sobre a carreira de Jorge na Casa da Imagem de São Paulo em 2014, Rubens relembra contribuições marcantes do amigo para a fotografia brasileira, como “o primeiro Prêmio Esso de Fotojornalismo, a moda de Denner e Clodovil, o milésimo gol do Pelé, a inauguração de Brasília, as primeiras corridas no Autódromo de Interlagos, a demarcação territorial brasileira no Pólo Sul, a construção da rodovia Belém-Brasília, o Estúdio Abril de Fotografia, entre muitos outros significativos flagrantes que configuram a trajetória de um dos mais aguerridos profissionais: Sérgio Jorge”.
A primeira edição do importante Prêmio Esso de Jornalismo na categoria de fotojornalismo surgiu em 1960, e premiou uma série de fotos que mostrava o desespero de um menino ao ver seu cachorro levado pela carrocinha. Toda a ideia da pauta veio de Jorge, que havia passado por um trauma similar na infância. Ele passou três dias acompanhando o trabalho de funcionários da prefeitura que recolhiam cães de rua em São Paulo até conseguir o registro. As fotografias foram publicada em 32 veículos de imprensa ao redor do mundo, dando-lhe fama internacional.
Renato Suzuki, que codirigiu o documentário “Foto.Doc – Sergio Jorge”, de 2011, conta que ficou abalado com a notícia. “Falei com ele semanas antes de ele pegar a Covid. Ele estava super ativo, como sempre. Se não fosse essa doença, ele teria vivido mais uns 15 anos, pelo menos. Era de um pique impressionante”, conta.
Renato lembra que, além da enorme contribuição para o fotojornalismo, Sergio Jorge também ajudou a estabelecer a fotografia publicitária no país. “Antes, só se publicavam desenhos, ilustrações. Não existia gente que tinha capacidade pra fazer isso aqui”, conta. Ele explica que Sergio foi pesquisar publicações estrangeiras antes ajudar na criação do Estúdio Abril, na década de 1970.
No dia 20 de novembro, já internado, o fotógrafo postou algumas fotos em que relatava como estava se sentindo, e aparecia sorrindo em uma delas. “Eis aqui umas fotos do sexto dia do c19. (…) Cheio de problemas. Vou tentar dar os andamentos médicos no HCor… Lúcia já em casa”, escreveu.
Em post, fotógrafo Sergio Jorge contou como estava no 6º dia de internação com coronavírus
Reprodução/Facebook
Lucia, no texto, se trata da mulher de Sergio, que também foi diagnosticada com Covid-19 mas conseguiu superar a doença. Além dela, ele deixa quatro filhos, Simone, Luciano, Sergio e Siomara, além de netos.