Sem coragem para acabar um casamento de décadas?


É importante deixar de lado a visão de que todos esses anos foram um investimento do qual não se deve abrir mão Às vezes passamos anos nos enganando sobre o casamento, achando que vale a pena manter aquele relacionamento. Afinal, depois de tanto tempo de sacrifícios e dedicação, como dar um basta naquela relação? E assim vamos carregando um peso morto que envenena o dia a dia e nos impede de buscar novas experiências e realizações. O primeiro passo é deixar de lado a visão de que todos esses anos juntos foram um investimento do qual não se deve abrir mão. Enquanto a convivência funciona, os bons momentos servem de combustível para seguir adiante, mas, depois que desanda, ela pode se transformar num ambiente cada vez mais tóxico.
Terminar um casamento de décadas: é importante deixar de lado a visão de que todos esses anos foram um investimento do qual não se deve abrir mão
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Você está longe de se sentir feliz, mas se contenta com o argumento de que pelo menos tem uma rotina previsível. Pensar em sair da zona de conforto faz soar vários alarmes. E se estiver muito velho ou velha para isso? E se a situação financeira se tornar instável? E se ficar emocionalmente frágil? São questões relevantes, porque uma separação se dá em quatro níveis: legal, financeiro, emocional e social. Há reflexos que vão de ajustes no padrão de vida ao afastamento de amigos, por isso é fundamental esgotar as opções de conversa antes da decisão.
No entanto, ninguém está destinado a uma existência miserável porque se separou. Na verdade, você pode escolher entre mergulhar num pântano de raiva e amargura ou investir em novos caminhos para ser feliz. Em primeiro lugar, não se defina como um divorciado, ou uma divorciada, nem encare o fim do casamento como um fracasso pessoal. No lugar disso, comece a fazer planos para povoar esse território recém-conquistado. É verdade que a liberdade repentina pode ser meio assustadora no início, mas as oportunidades estão ali, à sua espera.
Pessimista quanto às chances de um envolvimento amoroso? Embora o número de mulheres mais velhas e sós seja muito superior que o de homens na mesma situação, lembre-se dos alicerces que dão sustentação a um relacionamento. Atributos como honestidade, respeito e confiança são objeto de consumo deles e delas, principalmente quando se envelhece e não são os hormônios que comandam o espetáculo. Cerque-se de gente que pensa da mesma forma.
Um levantamento realizado em fevereiro pelo think tank britânico Resolution Foundation mostrava que adolescentes de 16 anos e idosos de 70 eram os indivíduos que apresentavam o maior grau de felicidade, enquanto os que estavam na casa dos 50 eram os mais infelizes. Ter saúde e renda suficiente para viver com dignidade eram pontos importantes na pesquisa, mas o segredo do bem-estar dos mais velhos estava atrelado à liberdade para viver de acordo com seus desejos e convicções, sem ter mais que dar satisfações a ninguém.