Sarajane, voz pioneira da axé music, se revigora com EP gravado com estrelas do gênero


Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Margareth Menezes, Carlinhos Brown e Durval Lelys turbinam cinco gravações inéditas que, mesmo sem reinventar a roda, revitalizam a carreira da cantora baiana. Capa do EP ‘Liquidificação’, de Sarajane
Reprodução
Resenha de EP
Título: Liquidificação
Artista: Sarajane
Gravadora: Siri Music
Cotação: * * * *
♪ “Tô pra cima”, celebra Sarajane no verso-título da música que encerra o EP Liquidificação, disco que aportou nas plataformas na temporada pré-carnavalesca, com cinco gravações inéditas, para celebrar os 40 anos de carreira dessa cantora e compositora baiana.
Voz pioneira da axé music, projetada nacionalmente na segunda metade da década de 1980 com o sucesso A roda (Sarajane, Robson de Jesus e Alfredo Moura, 1987), a soteropolitana Sarajane de Mendonça Tude entrou em cena, aos 12 anos, como cantora de jingles. Aos 14 anos, a adolescente artista já era vocalista do trio elétrico Novos Bárbaros.
Esse pioneirismo é reverenciado pelas cinco estrelas da axé music – Carlinhos Brown, Claudia Leitte, Durval Lelys, Ivete Sangalo e Margareth Menezes – que marcam belas presenças no EP Liquidificação.
Sarajane nunca saiu de cena, mas se revigora neste disco que revitaliza a cantora e a própria axé music no ano em que a Bahia festeja os 35 do gênero irrompido em 1985 com a explosão nacional de Luiz Caldas.
“O axé nunca cai / Só sobe ladeira”, celebra Carlinhos Brown, com voz grave, em versos da música intitulada Axé music, inventiva composição do próprio Brown gravada por Sarajane com o ativista timbaleiro. O baticum percussivo eletrônico da faixa contagia pelo clima festivo dessa gravação que louva o axé com direito a vocais sacros de Sarajane em feitio de oração.
Composição de Dan Kambaiah, Marcio Brito, Juca Maneiro, a música-título Liquidificação jorra adrenalina ao ir atrás do trio elétrico em gravação que junta Sarajane com Ivete Sangalo. Com Claudia Leitte, Sarajane reabre A roda com pegada atual sem deixar com ar modernoso o maior sucesso da estrela pioneira.
O beat desacelera, mas se mantém aliciante, no reggae Chuva de flores (Bieno Martins, Dan Kambaiah, Digo Martins e Pão Dantas), gravado com Margareth Menezes. No fecho do disco, Sarajane propaga felicidade com a energia de Tô pra cima (André Lima, Dan Kambaiah, Juca Maneiro e Roberto Cruz), música gravada com Durval Lelys e eletrizada pelo pulso dos metais do maestro Spok.
Disponível desde 16 de janeiro, o EP de Sarajane mostra que, mesmo sem reinventar a roda da axé music, a cantora faz jus às reverências feitas por Brown, Ivete, Cláudia, Margareth e Durval neste disco vigoroso à altura da fase áurea da pioneira artista.