Saques da poupança são os maiores para fevereiro em três anos, revela BC


No mês passado, saques superaram os depósitos na modalidade de investimentos em R$ 4,02 bilhões, informou a instituição. No bimestre, R$ 15,25 bilhões deixaram a poupança. As retiradas de recursos da caderneta de poupança superaram os depósitos em R$ 4,020 bilhões em fevereiro deste ano, revelou o Banco Central nesta sexta-feira (8).
Este foi o quinto ano seguido com saída líquida de recursos da poupança e foi, também, a maior retirada em meses de fevereiro desde 2016 – ou seja, em três anos.
No primeiro bimestre deste ano, ainda de acordo com dados oficiais, a retirada líquida de recursos da modalidade de investimentos (acima dos depósitos) foi de R$ 15,253 bilhões. Foi o maior saque para este período também desde 2016 (-R$ 18,670 bilhões).
Segundo o Banco Central, em todo ano passado, os depósitos superaram os saques em R$ 38,2 bilhões.
Volume total de recursos
Com a saída líquida de recursos na poupança, o estoque dos valores depositados, ou seja, o volume total aplicado, registrou queda em fevereiro.
Em janeiro de 2019, o saldo da poupança estava em R$ 788,898 bilhões. Já em fevereiro deste ano, o estoque total de recursos aplicados na poupança somou R$ 787,933 bilhões.
Além dos depósitos e das retiradas, os rendimentos creditados nas contas dos poupadores também são contabilizados no estoque da poupança. Em fevereiro deste ano, os rendimentos somaram R$ 2,965 bilhões.
Atratividade da poupança
Com a queda dos juros básicos da economia registrada até março de 2018, e a manutenção desde então da taxa Selic na mínima histórica de 6,5% ao ano, a caderneta de poupança passou a render menos.
Pela norma em vigor, há corte no rendimento da poupança sempre que a taxa Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano. Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial, calculada pelo BC.
Com a taxa Selic atualmente em 6,5% ao ano, a remuneração da poupança está hoje em 4,55% ao ano, mais Taxa Referencial.
Mas a queda de rendimento afeta também as aplicações conhecidas como prefixadas, ou seja, que têm por base a Selic.
Segundo cálculos da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a poupança continuará sendo uma “excelente opção de investimento, principalmente sobre os fundos cujas taxas de administração sejam superiores a 1% ao ano”.
Analistas avaliam que o Tesouro Direto, programa que permite a pessoas físicas comprar títulos públicos pela internet, via banco ou corretora, sem necessidade de aplicar em um fundo de investimentos, também pode ser uma boa opção para os investidores. O programa tem atraído o interesse de aplicadores nos últimos anos.
Além disso, outras aplicações financeiras também têm registrado performance melhor do que a poupança. No ano passado, por exemplo, o ouro e dólar foram os melhores investimentos. A poupança ficou na décima colocação (Veja abaixo).
Desempenho das aplicações financeiras em 2018
Fernanda Garrafiel/G1