Saiba como lidar com o medo de agulha na hora de vacinar seu filho

Criança recebe vacina tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola

Criança recebe vacina tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola
Reprodução/Ministério da Saúde

O medo de agulha pode dificultar a vacinação de crianças, que contam com ao menos oito vacinas obrigatórias na infância. Segundo o pediatra Moises Chencinski, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPP), algumas condutas ajudam a facilitar esse processo.

No caso de crianças que ainda estão sendo amamentadas, ele recomenda que a vacinação seja feita durante o aleitamento. “Cinco minutos antes da vacinação, a mãe pode começar a amamentar e, durante esse processo, a vacina pode ser dada no braço ou na perna da criança”, afirma.

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Segundo ele, mais do que distrarir a criança, a amamentação atua sobre o efeito da dor. “Existem outras medidas para amenizar a dor, como fornecer o leite materno, sem o aleitamento, e oferecer água com açúcar ou doce quando a criança tem mais de 2 anos. Antes dessa idade é aconselhado zero açúcar”, diz.

O pediatra explica que existem vacinas “mais dolorosas” que são a de meningite B, febre amarela e tríplice bacteriana (tétano, difteria e coqueluche). “A criança tem menos tolerância à dor do que o adulto e o líquido, mais do que a agulha, pode, às vezes, ser um pouco dolorido”, afirma.

A vacina de meningite B e da febre amarela não são obrigatórias na infância. “A da meningite B não é oferecida pelo SUS, mas faz parte do calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria”, diz.

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De acordo com o médico, em casos excepcionais, analgésicos podem ser ministrados uma hora antes da aplicação da vacina contra a meningite B. “Ressaltando que é só no caso dessa vacina, pois de outras pode haver interferência na eficácia do imunizante”.

Pais podem influenciar o medo 

Chencinski explica que, involuntariamente, pais podem influenciar no desenvolvimento do medo de agulhas nos filhos ao demonstrarem apreensão quando a criança vai ser vacinada. “A criança percebe a reação dos pais”, diz. 

Demonstrar o próprio medo em tomar vacina também é uma forma de criar pânico na criança. “Se o filho vê o pai desmaiar quando é vacinado, ele poderá agir da mesma maneira”, explica.

Encarar a vacinação e exames de sangue com naturalidade pode contribuir para a formação de adultos sem medo de agulhas. “O exemplo faz toda a diferença. Quando for levar o filho para se vacinar contra a gripe, por exemplo, se toda a família também se vacinar e demostrar que não doi nada, o filho se sentirá mais seguro e irá encarar a vacinação como algo positivo”, afirma.

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Quando o medo da criança passa a ser limitante, ou seja, se percebe um sofrimento excessivo ao ter que enfrentar a agulha, ele orienta que se consulte um psicólogo. “Se ao levar a criança para ser vacinada ela transpira muito, tem o coração acelerado e se debate, ou seja, apresenta uma reação exagerada, o medo pode ter se tornado uma fobia e precisa ser tratado”, explica.

Alguns laboratórios dispõem de um dispositivo vibratório que, associados ou não a uma bolsa fria, ameniza a sensação de dor ao confundir as terminações nervosas. Segundo o pediatra, a eficácia desse produto não tem comprovação científica.

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