Rússia e China querem abandonar Windows em sistemas militares


China quer evitar ataques e influência norte-americana, segundo uma revista especializada. Página oficial do Astra Linux. Sistema é tem ‘edição especial’ para uso em sistemas sensíveis.
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A China e a Rússia estariam se preparando para diminuir a presença do sistema Windows da Microsoft em seus equipamentos militares. Enquanto Rússia pretende migrar para o sistema Astra Linux, desenvolvido especialmente para essa tarefa, a China estaria na fase inicial de criação de um novo sistema voltado para seu uso militar.
Não há informações claras sobre quais sistemas seriam migrados ou quando. No caso da Rússia, no entanto, o interesse em abandonar o sistema da Microsoft já é conhecido e afirmado em anúncios oficiais. Em abril deste ano, um órgão russo liberou o Astra Linux para uso em sistemas que lidam com informações sensíveis.
O sistema da Microsoft nunca foi usado em sistemas automatizados de armamentos na Rússia, mas a migração para o Astra Linux nos escritórios militares aparentemente começou em janeiro de 2018. Agora que o sistema pode ser usado em ambientes sensíveis, outros setores poderão ser migrados.
O caso chinês ainda carece de fontes oficiais, mas foi relatado por uma publicação canadense especializada no setor militar asiático, a “Kanwa Asian Defence. Segundo a publicação, as autoridades chinesas não confiam nos sistemas operacionais americanos (o que inclui o Windows e derivados de Unix, como o Linux) nem nos controladores lógicos alemães usados na indústria do país.
Por essa razão, foi montado um grupo de trabalho de “liderança em tecnologia” para capitanear o desenvolvimento de um novo sistema operacional chinês. Esse grupo estaria respondendo diretamente ao Comitê Central do Partido Comunista.
O objetivo da medida é impedir que outras nações consigam atacar e invadir os sistemas da China. Frequentemente acusada pelos Estados Unidos de realizar ataques de hacker para roubar tecnologia, a China sempre negou envolvimento nessas ações e, em muitas vezes, disse ser a vítima de ataques cibernéticos.
O novo sistema operacional não é a única medida de isolamento adotada pela Rússia. O país tem conduzido testes para “desconectar” o país da rede mundial, para poder manter apenas sua rede interna em funcionamento no caso de uma emergência.
A China, por sua vez, vem enfrentando sanções dos Estados Unidos: além da tributação dos produtos importados da China, o presidente Donald Trump assinou um decreto que limitou as operações comerciais com fabricantes chinesas, obrigando o Google a cortar relações com os celulares da Huawei que usam Android.
A ideia de um sistema operacional para uso nacional tem precedentes. A Coreia do desenvolve desde 1998 uma distribuição própria do Linux. Chamada de “Red Star OS”, a distribuição foi analisada em 2015 pelos especialistas Florian Grunow e Niklaus Schiess. A dupla descobriu que o sistema adiciona marcas d’água ou códigos de rastreamento em todos os arquivos — possivelmente para ajudar autoridades a rastrear a circulação de arquivos indesejados em pen drives e outros meios.
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Selo Altieres Rohr
Ilustração: G1