Rubinho Barsotti, às da bateria na era do samba-jazz e fundador do Zimbo Trio, morre aos 87 anos


Rubinho Barsotti, baterista da formação original do Zimbo Trio
Divulgação
♪ OBITUÁRIO – Para quem testemunhou e/ou cultua a era do samba-jazz, vivida na efervescência das boates cariocas e paulistas da década de 1960, a morte do baterista e compositor Rubens Antonio Barsotti (16 de outubro de 1932 – 15 de abril de 2020), aos 87 anos, soou como nota especialmente desafinada.
Ocorrida na madrugada de quarta-feira, 15, na cidade natal do músico paulistano, em decorrência de complicações de operação no fêmur, a morte de Rubinho – como o baterista era conhecido e chamado no meio dos instrumentistas – repõe em pauta a maestria de músicos daquela geração na arte de tocar bateria.
Em bom português, na arte de manusear a bateria como refinada máquina de ritmo, proeza alcançada pelo autodidata Rubinho e por alguns poucos colegas de ofício como Dom Um Romão (1925 – 2005), Edison Machado (1934 – 1990) e Milton Banana (1935 – 1999). Não por acaso, todos esses ases foram bateristas ligados à bossa nova, matriz do samba-jazz.
Rubinho Barsotti saiu de cena para ficar na história como integrante da formação original do Zimbo Trio, grupo fundado em 1964 com Rubinho na bateria, Amilton Godoy no piano e Luiz Chaves (1931 – 2007) no baixo.
Zimbo Trio em foto de 1964, ano da formação do grupo
Reprodução / Facebook Zimbo Trio
Como integrante do Zimbo Trio, do qual o baterista original somente debandaria (por conta de problemas de saúde) no alvorecer dos anos 2010, Rubinho ganhou visibilidade na década de 1960 ao tocar e ao gravar disco com Elis Regina (1945 – 1982), cantora que entendia e falava a língua dos músicos.
Com Elis, o Zimbo atuou com regularidade no programa O fino da bossa, sucesso de audiência da TV Record entre 1965 e 1967. Finda a era do samba-jazz, o Zimbo continuou em plena atividade, lançando discos com regularidade até o fim dos anos 1990, embora sob menos holofotes.
Influenciado pelas orquestras que imperavam na década de 1950, Rubinho começou a trajetória profissional ainda nos anos dourados, antes do Zimbo. Tocou em vários conjuntos de bailes e lançou o primeiro disco em 1956, como integrante do Brazilian Jazz Quartet, grupo que já incluía o baixista Luiz Chaves, futuro colega de Rubinho no Zimbo.
Mestre da bateria, Rubinho Barsotti tocou de igual para igual com alguns dos maiores jazzistas norte-americanos e sempre foi considerado um dos mais virtuosos músicos no manuseio da caixa do instrumento que lhe deu fama e prestígio no meio musical.
Para Amilton Godoy, pianista que ainda prossegue atuante no Zimbo Trio, Rubinho foi simplesmente o melhor baterista de geração que incluiu pelo menos quatro ases. E um deles foi Rubinho Barsotti.