Roupa térmica substitui biquíni e pode ser aliada da performance

Ao amenizar sensação de frio, Roupas térmicas ajudam desempenho

Ao amenizar sensação de frio, Roupas térmicas ajudam desempenho
Alexandre Loureiro/COB

A chamada “segunda pele” são roupas essenciais para temperaturas mais baixas, como as do Peru, onde está sendo realizado o Pan Lima 2019, com temperatura que varia entre 13°C e 17°C. E, como o biquíni já não é mais vestimenta obrigatória no vôlei de praia desde a Olimpíada de Londres 2012, diante das baixas temperaturas, a roupa térmica se tornou a melhor solução.

Mas será que as roupas térmicas ajudam a melhorar o desemprenho das atletas?  Segundo o Pesquisador do laboratório de fisiologia do exercício da Unicamp Arthur Gáspari, como as temperaturas em Lima estão baixas, levando a uma sensação térmica ainda menor, a roupa térmica auxilia na termoregulação do corpo, elevando a temperatura corporal durante o aquecimento e a mantendo durante o jogo.

O pesquisador ainda afirma que, no caso do vôlei de praia, há momentos de menor produção de calor pelo próprio corpo em consequentemente, aumento da sensação de frio. Além do aquecimento real, o fato de amenizar a sensação de frio é muito importante para a manutenção do desempenho, mais ainda em modalidades que exigem precisão e grande concentração para tomadas de decisão rápidas, pois as percepções de desconforto causadas pelo ambiente frio e rajadas de vento aumentam as demandas psicofisiológicas dos atletas, levando a desatenção, perda de foco e aumento da irritabilidade, sendo esse outro alvo dos efeitos positivos do uso das roupas térmicas.

Por que as roupas térmicas são melhores que os biquínis?

Algumas atletas do vôlei de praia, do surfe e do triatlo feminino optaram pelas roupas térmicas em vez das vestimentas de praia. Segundo o pesquisador do laboratório de fisiologia do exercício da Unicamp, para que o corpo seja capaz de atuar no seu máximo desempenho é imprescindível que os músculos estejam em uma temperatura ideal, ligeiramente aquecidos, facilitando assim reações bioquímicas responsáveis pela produção de energia e transmissão dos sinais neurais que controlam a contração.

“Ao escolher a roupa térmica em vez do biquíni as atletas estão ganhando tempo e qualidade no processo de aquecimento por facilitar a elevação da temperatura corporal nesse clima frio. Sem contar que a roupa vai ajudar a manter esse corpo aquecimento durante o jogo”, afirma Gáspari.

Roupa térmica no surfe pode melhorar o desempenho do atleta

Roupa térmica no surfe pode melhorar o desempenho do atleta
Reprodução/Instagram @wendersonbiludo

Roupa térmica pode melhorar o desempenho dos atletas?

A roupa térmica padrão, provavelmente confeccionada com poliamida ou poliéster mais elastano não vai levar a um aumento do desempenho nesse tipo de modalidade e condição, segundo o pesquisador.

“É interessante apontar que hoje existem tecnologias têxteis que poderiam aumentar o desempenho no jogo ou no campeonato. Os exemplos mais conhecidos são das roupas de compressão que comprovadamente podem diminuir a queda de desempenho causada por um esforço extenuante, principalmente em atividades que causam danos muscular, aquelas com ações de grande estresse mecânico como saltos, corridas, mudanças de direção e desaceleração”, afirma.

No caso do vôlei de praia, por exemplo, o pesquisador diz que as roupas térmicas não melhoram os movimentos, apenas podem trazer mais conforto para os atletas, como não sentir frio e até mesmo se arriscar em movimentos, além de não se preocupar com arranhões.

“Mas no surfe tudo é diferente. A roupa usada no esporte com prancha, além de ajudar e muito na questão da termoregulação, pode aumentar a flutuabilidade do atleta facilitando o deslocamento quando este está em contato com a água, como nas remadas ou mesmo após uma queda da prancha, quando o atleta tem que nadar”, diz Gáspari.

O pesquisador ainda finaliza dizendo que a grande novidade desse campo da ciência, das tecnologias vestíveis, são os tecidos que possuem propriedades de interação com a fisiologia humana.

O exemplo mais interessante são os tecidos emissores de infravermelho. Esse tipo de tecido possui micropartículas minerais capazes de absorver energia do ambiente como luz, calor e até o calor do próprio corpo e reemiti-la na forma de infravermelho longo. “O infravermelho longo por sua vez é conhecido por exercer diversões efeitos biológicos, como vasodilatação e melhora do metabolismo celular levando entre outras cosias a maior produção de energia pelo músculo”, explica.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini