Rodrigo Campos recai no samba com inspiração entre ansiedades e reflexões


Artista lança single duplo com duas músicas inéditas gravadas com mistura de timbres inusitados e cadências típicas do gênero. Capa do single duplo ‘Meu samba quer se dissolver’, de Rodrigo Campos
Divulgação
Resenha de single duplo
Título: Meu samba quer se dissolver
Artista: Rodrigo Campos
Compositor: Rodrigo Campos
Edição: YB Music
Cotação: * * * *
♪ Dois anos após abrir alas e pedir passagem com o álbum 9 sambas (2018) para nova visão do gênero, nascida da interação entre tradições e modernidades, Rodrigo Campos recai no samba com inspiração em single duplo.
Programado pela gravadora YB Music para sexta-feira, 23 de outubro, o single duplo Meu samba quer se dissolver é disco gravado inteiramente em casa por conta da necessidade do isolamento social.
No disco, o cantor, compositor e músico paulistano apresenta dois inéditos sambas autorais, Corpo azul e a faixa-título Meu samba quer se dissolver, ambos criados solitariamente e gravados com todos os instrumentos tocados pelo artista. A única intervenção externa foi a de Cacá Lima, responsável pela captação da voz e pelas mixagem e masterização dos dois fonogramas.
Rodrigo Campos apresenta os sambas ‘Corpo azul ‘ e ‘Meu samba quer dissolver’ no single duplo que sai na sexta-feira, 23 de outubro
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Os dois sambas soam interessantes na forma em que são apresentados no disco. Composição que persegue a linha existencialista do cancioneiro do compositor carioca Paulinho da Viola (cuja obra foi recentemente abordada por Rodrigo Campos em live), Meu samba quer se dissolver expõe ansiedades do Homem diante do fluxo incontrolável da vida (“Quero fazer samba / Como se fosse voar / Como se houvesse sentido / Como se fosse possível / A morte enganar”, expõe o sambista nos versos iniciais).
Já Corpo azul apresenta reflexão sobre a ilusão do amor com aceitação da solidez apenas aparente da paixão. “O véu da ilusão / Engana o coração / É bom saber / Mas há de ser / Melhor que a solidão”, resigna-se o eu-lírico do samba.
Tanto Corpo azul e Meu samba quer se dissolver são apresentados no disco com mix de timbres inusitados e cadências típicas do gênero.
Além de tocar o já notório cavaquinho, Rodrigo Campos percute todo o arsenal instrumental recorrente na formatação do samba nas rodas e nos discos – agogô, ganzá, pandeiro, repique de mão, surdo, tamborim – e harmoniza o baticum com o toque insidioso de guitarra que faz balançar o império da tradição, mas sem deixá-lo cair. Nessa habilidade, reiterada no single duplo Meu samba quer se dissolver, reside o talento de Rodrigo Campos, bamba abridor de alas.