Rivalidade tecnológica é pano de fundo da guerra comercial entre EUA e China


Pequim mira maior autossuficiência tecnológica, o que dificulta as negociações comerciais com os EUA e gera desconfiança mútua. O presidente dos EUA, Donald Trump (à direita na mesa), e o presidente da China, Xi Jinping, durante encontro da cúpula do G20 em Buenos Aires
Kevin Lamarque/Reuters
Por trás de sua guerra comercial, os Estados Unidos e a China lutam pelo domínio tecnológico. Enquanto os americanos estão decididos a manter sua vantagem sobre os chineses no setor, os asiáticos estão desesperados para passar à sua frente.
Nesta sexta-feira (10), entrou em vigor o aumento para 25%, contra 10% de antes, nas tarifas a mais de 5 mil categorias de produtos chineses, conforme já havia sido anunciado o presidente americano, Donald Trump, elevando as preocupações de uma escalada na guerra comercial entre as duas maiores economias mundiais.
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Veja a seguir as principais rivalidades dos dois gigantes econômicos no setor de tecnologia:
Drones
A empresa número um global de drones civis é chinesa. A DJI, fundada em 2006 em Shenzhen (sul) por um jovem apaixonado por modelismo, fabrica 70% dos drones civis do mundo. Não existe nenhum concorrente americano, após a empresa californiana GoPro deixar o setor. Em 2017, o Exército americano proibiu o uso de drones da DJI por motivos de segurança.
Risco de cortina de ferro tecnológica
Alguns especialistas estão preocupados com o risco de o mundo se dividir em dois, com uma “cortina de ferro tecnológica”. Na China, os BATX (Baidu, Alibaba, Tencent e Xiaomi) se beneficiam da proibição de todas as redes sociais e motores de busca estrangeiros. Eles substituem os GAFA (Google, Apple, Facebook e Amazon) e têm ambições internacionais.
As gigantes de pagamento com cartão de crédito (Visa, Mastercard, American Express) sofrem na China por uma legislação muito restrita, e ficam à margem de ‘players’ chineses (Alipay, WeChat e UnionPay), além da tendência de fazer pagamentos pelo smartphone.
Beidou x GPS
No setor de geolocalização, a China se afastou do GPS americano e criou seu próprio sistema de navegação via satélite, o Beidou (literalmente, “A Ursa Maior”). Como garantia de independência estratégica e econômica, ele se baseia em uma rede de cerca de 30 satélites e estará em pleno funcionamento no mundo todo a partir do ano que vem.
Pequim conta com seu amplo projeto das Novas Rotas da Seda para convencer os países participantes a usarem sua tecnologia.
‘Made in China 2025’
Autonomia no setor tecnológico e desenvolvimento de suas próprias habilidades. Este é o objetivo do ambicioso programa “Made in China 2025”, que busca transformar a gigante asiática em uma potência das novas tecnologias: da indústria aeroespacial às telecomunicações, passando pela robótica, a biotecnologia e os veículos elétricos.
Pequim mira na autossuficiência tecnológica de 70% dos componentes e materiais básicos até 2025.
Este plano “aterrorizante” – nas palavras de Washington – dificultou as negociações comerciais entre China e EUA e fortaleceu a desconfiança mútua.
Huawei, líder da rede 5G
Washington considera, há muito tempo, a gigante chinesa das telecomunicações uma ameaça, devido ao passado de seu fundador Ren Zhengfei, de 74 anos, ex-engenheiro do Exército chinês. Uma lei de 2017 exige que empresas chinesas cooperem com os serviços de inteligência do país.
O governo dos EUA proibiu suas agências de comprarem equipamentos da Huawei, temendo que Pequim pudesse espionar suas comunicações e acessar infraestruturas cruciais do país. Os Estados Unidos também aumentaram a pressão sobre seus aliados para banir a Huawei de sua infraestrutura de redes.
A diretora financeira do grupo, Meng Wanzhou, há muito tempo sinalizada como favorita para suceder seu pai à frente da Huawei, também é alvo de Washington, que a acusa de driblar sanções contra o Irã. Presa no Canadá em dezembro, Meng pode enfrentar a Justiça dos Estados Unidos em breve.
China Mobile descartada
Os Estados Unidos rejeitaram o pedido da China Mobile para entrar em seu mercado de telecomunicações porque consideram que seus laços com Pequim ameaçam a “segurança nacional” – uma decisão que reforça a importância estratégica das telecomunicações e da tecnologia no confronto entre as duas potências.
Corrida de patentes
De acordo com a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar há quatro décadas no número de patentes apresentadas internacionalmente, mas a China pode superá-los até 2020.
Em 2017, a data dos últimos dados disponíveis, duas empresas chinesas dominaram o pódio mundial: a Huawei (4.024 pedidos) e a outra gigante de telecomunicações chinesa ZTE (2.965 patentes). A primeira empresa americana ficou em terceiro lugar: a Intel (2.637).