Ritmo da economia reduz intenção de investimento do setor de construção, diz pesquisa da CNI

Sondagem Indústria da Construção ouviu 483 empresas entre 1º e 12 de abril. De acordo com a CNI, fraco desempenho da economia está ‘frustrando’ expectativas dos empresários do setor e reduzindo o apetite para investimentos nos próximos seis meses. Sondagem da Indústria da Construção, divulgada nesta sexta-feira (26) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra queda no índice de intenção de investimento dos empresários do setor. O levantamento foi feito com 483 empresas, entre 1º e 12 de abril.
De acordo com a entidade, o indicador de investimentos da construção civil passou de 34 pontos, em fevereiro, para 32,8 pontos no mês passado. De zero a 100 pontos, quanto menor o índice, menor é a disposição para investir, explicou a CNI.
O indicador ainda permanece acima da média histórica, em 0,9 ponto, mas as quedas nos últimos meses mostram, de acordo com a CNI, “que a disposição a investir do empresário da construção está diminuindo rapidamente”.
“O fraco desempenho da economia brasileira frustrou as expectativas da indústria da construção e derrubou o apetite dos empresários para investir nos próximos seis meses”, avaliou a entidade, com base na pesquisa.
Nas últimas semanas, o mercado financeiro tem reduzido sua estimativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Na semana passada, estimou um crescimento de 1,7% para este ano, abaixo dos 2% de expansão projetados um mês antes.
Segundo Dea Fioravante, economista da CNI, a indústria da construção tem enfrentado problemas que são reflexo da baixa atividade econômica do Brasil.
“Com expectativas frustradas, os empresários se tornaram menos dispostos a assumir riscos, o que comprometeu os investimentos na indústria da construção”, afirmou.
Atividade e emprego
Apesar da queda no índice de intenção de investimentos, a pesquisa mostrou melhora em março nos índices de atividade e emprego, na comparação com fevereiro.
O índice do nível de atividade passou de 44,3 pontos para 44,5 pontos e o de emprego, de 42,9 pontos para 43,7 pontos. Em uma escala que varia de zero a 100 pontos, valores abaixo de 50 indicam queda no nível de atividade.
“Assim, apesar da leve melhora, os indicadores ainda refletem dificuldade de recuperação”, avaliou a CNI.
Expectativas
Segundo a CNI, a pesquisa também revela que os empresários da indústria da construção estão menos otimistas em relação aos próximos seis meses.
Os indicadores de expectativa de nível de atividade e novos empreendimentos e serviços caíram 2,5 e 2,9 pontos, registrando 53,6 e 53,2 pontos, respectivamente.
As expectativas de compras de insumos e matérias-primas e do número de empregados também diminuíram em 2,1 e 2,4 pontos, atingindo 52,4 e 52,1 pontos, respectivamente.
De acordo com a entidade, as expectativas permanecem acima da linha divisória de 50 pontos, “sugerindo que ainda há otimismo por parte dos empresários do setor quanto aos temas abordados”.
“No entanto, a queda generalizada indica que há uma frustração evidente entre os empresários do setor que está minando as expectativas em relação aos próximos meses”, concluiu.