Rex Orange County: conheça o cantor de 22 anos que junta soul, jazz, hip hop e ‘pop de quarto’


Músico inglês estava com show marcado no Brasil, mas teve que cancelar por causa da pandemia. Ao G1, ele fala da carreira que teve empurrão de astros do rap e influência de ABBA. Rex Orange County estava com show de estreia no Brasil confirmado. O cantor inglês seria uma das atrações do Lollapalooza 2020, quando todo o calendário de eventos foi cancelado, após a pandemia da Covid.
Seria uma oportunidade de ouvir ao vivo um som que caberia muito bem em pelo menos duas vitrines brasileiras:
As rádios de música mansa no estilo Antena 1 parecem perfeitas para as baladas dele;
As trilhas românticas de alguma novela também combinam demais com o trabalho do rapaz.
Quem é esse cantor com cara de menino?
O nome do Rex Orange County não é esse, claro. Na real, ele se chama Alexander James O’Connor e nasceu em 1998, num povoadinho inglês com duas mil e quinhentas pessoas chamado Grayshott.
O som é uma mistura de melodias marcantes, fáceis de assobiar, com algo de soul, jazz e hip hop. Os arranjos são bem lo-fi, de baixa fidelidade mesmo, feito no quarto, sem superproduções.
Ele é bem alternativo, mas tem bons números. O terceiro álbum, “Pony”, chegou ao quinto lugar entre os mais vendidos do Reino Unido e ao terceiro lugar na parada americana. No Youtube, são quase 240 milhões de visualizações em todos os vídeos.
Padrinhos do hip hop
Rex Orange County ao lado de Tyler The Creator
Reprodução/Facebook do artista
O início da carreira foi em 2015, tendo os astros do hip hop americano Tyler the Creator e Frank Ocean como “padrinhos”. “Eu só tinha 5 mil seguidores no Soundcloud, mas eles me apresentaram ao mundo”, resume Rex ao G1.
E o que começou em chats acabou virando uma amizade mesmo, com ele e o Tyler se encontrando em festivais nos Estados Unidos.
A amizade com o Frank Ocean também foi da internet para a vida real. Ele acabou tocando guitarra na banda dele: “Toquei com ele durante uma turnê. Eu sou um fã e ele é uma grande influência pra mim,”
Foi a partir dessa amizade com dois nomes celebrados do hip hop americano que o Rex Orange County passou a ser mais conhecido nos Estados Unidos.
O cantor inglês Rex Orange County
Divulgação
Mas ele não estava exatamente preparado para tanta paparicação. Acostumado a uma vida pacata, como é ser um cara legal em um meio que às vezes não é tão legal assim, que é até meio tóxico?
“Ahn, obrigado, eu agradeço mesmo. É bom ouvir uma coisa dessas”, responde. “Sendo bem honesto, eu tento ao máximo não deixar que tudo que vem com a música entre na minha cabeça, me faça tirar meus pés do chão. Sabe? Você tem que ser esperto o suficiente para ter um certo cuidado, para entender como essas coisas funcionam.”
Ele diz que é preciso “ter cuidado com o ego, ter certeza do que você quer”. “Um monte de gente aparece para te ajudar, para colar em você. Você não pode ficar louco com tanto afeto, tem que ir em frente.”
Rex Orange County se apresenta no ‘The Ellen DeGeneres Show’
Reprodução/YouTube/EllenDeGeneresShow
Mesmo tão ligado ao hip hop, o som de rex tem mais a ver é com o que muitos chamam de bedroom pop, estilo também usado para falar de Billie Eilish. Mas será que ele gosta deste rótulo, do tal “pop de quarto”?
“Claro que, literalmente, faz todo sentido. Billie fez o álbum dela no quarto, eu fiz o meu primeiro álbum também”, responde. “É quando você faz as coisas você mesmo e não tem uma grande estrutura, não tem um estúdio com engenheiros e tudo mais. Acho que é isso que esse termo significa.”
“Mas, depois do primeiro álbum, eu vou muito a estúdios. Tenho feito ‘not bedroom pop’, o pop normal mesmo, eu acho. Claro que o mundo pode ir inventando esses termos, mas acho que ele hoje não se aplica nem à Billie. Mas eu ainda componho e gravo no meu quarto, então… É, então faz sentido.”
Referências que não são do hip hop ou do bedroom pop também estão no radar do cantor. Ele costuma dizer que ouvia muito ABBA, por exemplo.
“Eu amo ABBA, os meus pais tocavam para mim quando eu estava no carro quando eu estava crescendo”, relembra. “É um som bem teatral, com muitos arranjos de cordas e grandes melodias. Eles tem ótimas canções tristes, mas também canções felizes.”
“Eles são mestres em fazer esses dois tipo de música com propriedade. Tem música que é pra cima, positiva. Mas outras que são tristes demais. E eu amo a capacidade deles de fazer isso.”