Renault Duster Iconic: primeiras impressões


Segunda geração evolui em visual e acabamento, mas peca ao oferecer apenas 2 airbags e conjunto mecânico desatualizado. Renault Duster Iconic, versão topo de linha do modelo
Guilherme Fontana/G1
O Renault Duster ganhou uma nova geração para tentar recuperar o terreno perdido nos últimos anos. O modelo, que chegou a ser líder em vendas entre os SUVs em 2014, ficou em 9º lugar no ranking de 2019, atrás das principais novidades do mercado.
Veja todos os preços e versões do novo Duster
Em teoria, quem chega por último sempre tem vantagem, mas não é bem o que acontece com ele. Além de não revolucionar nos equipamentos, o Duster manteve o motor 1.6, sem turbo.
Por isso, precisará focar na proposta de robustez e na evolução do visual e do acabamento como principais argumentos de venda. Mas será que convence?
O G1 andou na versão topo de linha do modelo, a Iconic com motor 1.6 e câmbio automático CVT.
Tabela de concorrentes do Renault Duster
Arte: Juliane Souza/G1
Essência mantida
A primeira reação de quem vê o novo Duster pode ser de desconfiança, afinal, ele não parece tão diferente assim.
Mas a Renault garante que se trata da essência do modelo e de uma identidade visual que deu certo. O visual robusto e os volumes bem definidos continuam lá, mas com mais capricho e sem a aparência espartana da primeira geração.
Até as medidas foram praticamente mantidas: ele está 4 centímetros maior, 1 cm mais baixo e 1 cm mais estreito. O entre-eitos continua o mesmo, de 2,67 metros, assim como o porta-malas, de 475 litros.
Visto de lado é quando o novo Duster mais se parece com o antigo. Mas é a primeira vez que ele tem rodas de 17 polegadas, exclusivas da versão mais cara. O repetidor de seta permanece no para-lama, em uma solução de relevo que ajuda na visualização ao redor do veículo.
Repetidores de seta laterais ficam em uma peça “destacada” da carroceria para melhor visibilidade
Guilherme Fontana/G1
A dianteira tem faróis mais horizontais e com LEDs, grade maior e novo para-choque. O capô está mais alto e ganha novos vincos – de acordo com a marca, a mudança do capô servirá para abrigar novos motores.
O aplique extra que abriga os faróis de milha, o friso das portas, a barra de teto e os retrovisores pretos, e os apliques plásticos nos para-lamas fazem parte do pacote opcional Outsider (que, diferentemente do Kwid, não é uma versão).
Por fim, um ângulo que promete causar polêmica é a traseira do SUV. As novas lanternas de LEDs têm o desenho inegavelmente semelhante às do Renegade. No conjunto, porém, o resultado visual é bom e não chega a parecer uma cópia do Jeep.
Traseira do novo Duster pode causar polêmica, mas resultado é bom
Guilherme Fontana/G1
Mas o Duster ficou irreconhecível por dentro. Ele deixou o interior compartilhado com Sandero e Logan no passado para assumir uma identidade própria.
Tudo está mais bonito e refinado em relação ao modelo antigo. Mesmo com toque rígido, o painel tem materiais de melhor qualidade e diversos cuidados, como apliques em aço escovado nas saídas de ar, no volante e na alavanca do câmbio.
Interior é o ponto algo do novo Duster, com desenho e acabamento mais caprichados
Guilherme Fontana/G1
O mesmo material está nos comandos do ar-condicionado, que merecem atenção especial pelo refinamento. O acabamento texturizado e o funcionamento dos botões giratórios são dignos de segmentos superiores.
Embora siga tendências e combine com o restante do visual, a central multimídia destacada do painel soa como uma adaptação. Já o quadro de instrumentos mantém a receita tradicional, analógico, apenas com um visor digital monocromático ao centro. Merecia ao menos uma tela colorida na versão topo.
Na versão Iconic, que o G1 testou, as portas ganham acabamento de tecido cinza, também de boa qualidade percebida. Os bancos são de couro.
O reposicionamento dos comandos dos retrovisores, que agora estão ao lado do volante, no painel, melhoram a ergonomia. Porém, o volante poderia agregar também os botões de música, que permaneceram na antiquada (e feia) alavanca atrás da direção.
Comandos do ar-condicionado têm acabamento sofisticado; demais botões parecem teclas
Guilherme Fontana/G1
Só 2 airbags
Todas as versões do novo Duster têm ar-condicionado, start-stop (que liga e desliga o motor em paradas momentâneas, como no semáforo), banco do motorista com regulagem de altura, banco traseiro bipartido, faróis com LEDs e alarme.
Entre os itens de segurança, além dos obrigatórios Isofix para cadeirinhas infantis, cintos de três pontos e encosto de cabeça para todos, há controle de estabilidade, luz diurna em LED e assistente de partida em rampas.
O grande escorregão da marca está na falta de mais airbags: há apenas 2, até na versão topo de linha. Enquanto isso, os compactos Kwid, Sandero e Logan têm 4 de série.
A versão Iconic, avaliada, acrescenta o sistema Multiview com 4 câmeras (uma frontal, uma traseira e duas laterais), que permite a visualização individual de cada uma, faróis automáticos, piloto automático, limitador de velocidade, faróis de neblina e chave presencial com partida do motor por botão.
Volante novo é bonito, mas faltaram comandos de som; quadro de instrumentos é simples
Guilherme Fontana/G1
Há ainda retrovisores elétricos, sensores de estacionamento traseiros, câmera de ré, alerta de ponto cego e ar-condicionado automático.
O modelo também estreia por aqui a nova central multimídia Easy Link, presente na nova geração do Clio na Europa, com tela de 8 polegadas, Android Auto e Apple Carplay.
Motor antigo, desempenho limitado
Enquanto o visual do novo Duster passa por uma evolução, a mecânica fica no passado. Isso porque ele manteve o motor 1.6 de até 120 cavalos de potência e 16,2 kgfm de torque com etanol.
A configuração avaliada pelo G1, a Iconic, combina o motor 1.6 ao também já conhecido câmbio automático CVT com 6 marchas virtuais. Agora, porém, o conjunto adiciona o start-stop, que desliga o motor automaticamente em paradas e religa quando o motorista solta o freio.
Ou seja, o desempenho não apenas permanece semelhante ao do modelo antigo, como segue limitado em algumas situações.
Para ciclos urbanos e estradas sem muito sobe e desce o SUV vai bem, tem boas saídas e retomadas, e a transmissão cumpre seu papel de conforto. Para quem quiser um pouco mais de agilidade, há a opção de trocas manuais.
Ele também mostra certa valentia em percursos de off-road leve, mas não abuse: ele ainda é um SUV feito para a cidade, com tração dianteira.
Em couro na versão Iconic, bancos são confortáveis e têm bom apoio nas laterais
Guilherme Fontana/G1
Porém, ele sofre (e “grita”, pela elevação do giro do motor causada pelo CVT) para enfrentar ultrapassagens nas rodovias e subidas mais íngremes na cidade. O futuro motor 1.3 turbo, o mesmo que já equipa o Mercedes-Benz Classe A Sedan, deverá suprir esta falta de fôlego.
De acordo com a Renault, o Duster vai de 0 a 100 km/h em até 12,4 segundos, com etanol. O consumo, com o mesmo combustível, fica nas médias de 7,2 km/l em ciclo urbano e 7,8 km/l na estrada. Com gasolina os números saltam para 10,7 e 11,1 km/l, respectivamente.
Como comparação, o Nissan Kicks, também com motor 1.6 e câmbio CVT, faz até 13,7 km/l na estrada e 11,4 km/l na cidade com gasolina, segundo o Inmetro.
Modelo topo de linha tem rodas de 17 polegadas; modelo tem certa vocação para um off-road leve
Guilherme Fontana/G1
Mesmo com desempenho semelhante, a dirigibilidade do Duster melhorou. A suspensão manteve o ajuste para o conforto sem abrir mão da estabilidade em velocidades mais altas. Em curvas mais fechadas, as abas laterais dos bancos também ajudam a segurar o corpo.
Conclusão
O Duster evoluiu no visual e, principalmente, no acabamento. Porém, o modelo comete duas faltas graves, com a ausência de mais airbags além dos obrigatórios e a falta de uma motorização mais potente e turbinada, contrariando o mercado.