Região de Campinas concentra US$ 2,1 bilhões em investimentos e indústria é líder em SP, aponta Seade


O montante da Região Administrativa de Campinas equivale a 14,1% do aporte total estadual, que soma US$ 15,2 bilhões. Investimentos apontam confiança de empresas na região, mas valor é o 2º mais baixo em 7 anos. Indústrias da Região Administrativa de Campinas são destaque no cenário estadual, aponta pesquisa da Fundação Seade.
Reprodução/EPTV
A Região Administrativa (RA) de Campinas (SP) foi destaque no estado de São Paulo em investimentos anunciados confirmados no ano de 2018. O montante de US$ 2,1 bilhões equivale a 14,1% do aporte total estadual, US$ 15,2 bilhões. A RA de Campinas foi a que mais teve participação na indústria em SP, 38,4%.
O levantamento faz parte da Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo (Piesp), realizada pela Fundação Seade.
“A região de Campinas lidera os investimentos na indústria, e a maior parte é de empresas multinacionais, que usam o estado de São Paulo como plataforma da América do Sul”, afirma Margarida Kalemkarian, coordenadora do estudo e economista da Seade.
O valor representa a confiança de investidores – privados, na maioria, e alguns públicos. Margarida explica que, quando as empresas privadas investem, é porque elas estão visualizando possibilidade de avanço e novas atividades que surgem. Desta forma, acabam impulsionando toda a atividade econômica.
“Vão sinalizando que a atividade econômica está avançando. Na medida em que existe uma segurança por parte das empresas para investir, esse clima de negócios acaba sendo positivo”, diz.
No entanto, o aporte computado em 2018 é um dos menores dos últimos anos na região. No período de 2012 a 2018, a RA de Campinas contabilizou um total de US$ 24,8 bilhões, com altos e baixos.
A quantia do ano passado é 14,65% menor do que a de 2017, que somou US$ 2,5 bilhões. Só em 2016, que registrou US$ 1,3 bilhão por conta da recessão na economia, o valor foi menor do que em 2018. Veja no gráfico, abaixo.
“No ano passado, a gente teve uma série de problemas que acabaram influenciando negativamente a atividade econômica, mas, mesmo assim, a gente teve um resultado bastante razoável. Teve a greve dos caminhoneiros, eleições, problemas no cenário internacional, as exportações para a Argentina foram reduzidas, uma série de fatores”, explica a economista.
O ano de 2012 foi o primeiro da série de estudos da Fundação com dados mais completos sobre os investimentos de cada região. Este também foi o ano com maior valor anunciado por investidores, US$ 9,4 bilhões .
“Aquele ano foi dos melhores anos para São Paulo e para o país. Tinha um grande crescimento de infraestrutura; o aeroporto de Viracopos; Paulínia, que puxou bastante investimento da Petrobras para criar novos tipos de combustíveis”, lembra Margarida.
Influência do dólar x situação em real
A economista ressalta que a variação no dólar no ano passado influenciou diretamente no resultado do estado, mas o cenário muda quando se converte os valores em real (R$).
A diferença entre os investimentos de 2018 e 2017 na RA de Campinas foi equivalente a 14,65% em dólares e a 2,1% em reais.
Considerando só o setor da indústria, houve redução de 4,1% nos valores em dólares, mas alta de 11,5% em reais, representando um avanço, segundo a economista.
“A diferença se dá por conta do câmbio. O dólar subiu muito no ano passado. Em setembro, atingiu o nível mais alto de toda a série. Quando a gente faz a conversão de reais para dólares, isso acaba alterando um pouco o cenário. A gente tem que considerar que também houve a questão da desvalorização do real no ano passado, mas muitas empresas estrangeiras aplicaram recursos aqui”, explica Margarida.
Onde estão os investimentos de 2018
O aporte de 2018 teve influências de peso na região, segundo a coordenadora do estudo.
Os investimentos da Toyota em Indaiatuba (SP), com um modelo de veículo mais sustentável; atividade de informática e eletrônicos; o anúncio da Qualcomm, que vai fabricar em Jaguariúna (SP) um chip compactado que não existe na América Latina; e, ainda, uma produtora de chip em Atibaia (SP) que vai lançar novos produtos de transformação digital.
Veja o ranking dos destaques por setor:
Indústria – US$ 1,03 bilhão, com destaque para equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos; e veículos automotores, reboques e carrocerias.
Serviços – US$ 868,6 milhões, destaque para atividades de prestação de serviços de informação e do ramo imobiliário.
Infraestrutura – US$ 214,3 milhões, sendo que eletricidade e gás tem maioria dos investimentos, seguido por armazenamento e atividades auxiliares dos transportes.
Comércio – US$ 21,4 milhões, com destaque para comércio por atacado, exceto veículos automotores e motocicletas.
Outros – US$ 3 milhões, investidos em agricultura, pecuária e serviços relacionados.
No estado de SP
Dados da Piesp mostram que foram contabilizados 483 investimentos em 2018 no estado. A Região Administrativa de Campinas fica atrás somente Região Metropolitana de São Paulo, que concentra 57% do total de aporte, US$ 8,7 bilhões.
Do total de recursos anunciados e confirmados para o estado, a divisão contempla infraestrutura, serviços, indústria e comércio.
Infraestrutura: US$ 8,7 bilhões (57,3%)
Serviços: US$ 3,3 bilhões (21,4%)
Indústria: US$ 2,7 bilhões (17,7%)
Comércio: US$ 540,1 milhões (3,6%)
A coordenadora do estudo ressalta que a participação da RA de Campinas no estado aumentou em um ano, passou de 13,4 % e passou a 14,1%.
A RA representa 10,9% do estado, é composta por 90 cidades. Se destaca pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, malhas rodoviárias e ferroviárias. Além da metrópole, possui municípios com mais de 200 mil habitantes, como Piracicaba (SP), Sumaré (SP), Limeira (SP) e Jundiaí (SP).
No site da pesquisa da Seade é possível conferir cada um dos investimentos divulgados na região.
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Projeções para 2019
Margarida afirma que a expectativa para 2019 é rodeada de muita cautela na avaliação econômica de investimentos. A aposta é de incentivos em:
Eletricidade e energia
Construção civil
Indústria automotiva
Eletrônicos e informática
Telecomunicações
Operação de satélite
Indústria agrícola
“Há uma quantidade enorme de institutos de pesquisas, grandes empresas que fazem parcerias com esses institutos para tentar compartilhar o conhecimento. O acelerador de partículas, o Sirius, vai atrás um monte de interessados. Ele permite você identificar a estrutura dos materiais. É um negócio de última geração mesmo”, pontua a economista.
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