Rebeca Andrade: Como ‘Baile de Favela’ foi parar nas Olímpiadas de Tóquio


Coreógrafo da seleção ouviu funk, de MC João, nas Olimpíadas do Rio de 2016 e fez trilha com tema de Bach. Maestro achou que mistura de clássico com funk não ia dar certo. Como ‘Baile de Favela’ foi parar nas Olimpíadas de Tóquio com Rebeca Andrade
Dos intervalos das Olimpíadas do Rio para os tatames de Tóquio. A história de “Baile de Favela” no solo de Rebeca Andrade começou em 2016, quando Rhony Ferreira, coreógrafo da seleção brasileira, viu como o funk funcionava bem para “levantar a galera”.
Cinco anos depois, a ginasta fez uma apresentação impecável que a colocou na final dos Jogos Olímpicos com o funk de MC João.
Ela disputa o ouro nesta quinta-feira (29) na individual geral e na próxima segunda (2), dia da final do solo.
“Achei sensacional e via como aquela plateia toda, batia a palma junto, cantava. Pensei: ‘Que bacana para a gente usar um dia justamente para levantar a galera, né?’. Fiquei com essa cartinha na manga”, diz Ferreira ao G1.
Não tinha torcida no Centro de Ginástica Ariake, em Tóquio, mas o solo mobilizou a torcida nas redes sociais e pode trazer o primeiro ouro para a ginástica feminina do Brasil em Olimpíadas.
Rhony Ferreira e Rebeca Andrade no dia que o coreógrafo da seleção mostrou a música do solo, com ‘Baile de Favela’, pela 1ª vez para atleta
Acervo pessoal/Rhony Ferreira
O funk de 2015 é um marco na expansão do funk de São Paulo ao citar os principais fluxos da periferia paulista, mas ele não é o único elemento da apresentação da ginasta.
Ferreira conta que precisava de outra música para fazer o contraponto com “Baile de Favela” e optou por procurar entre os clássicos.
“Cheguei na ‘Tocata e Fuga’, do Yohann Sebastian Bach, que é tocado em órgão de tubo, uma coisa bem séria, bem, né? Achei original essa essa mistura de misturar uma coisa tão clássica com uma coisa tão moderna”.
Rebeca Andrade se destacou nas Olímpiadas de Tóquio com ‘Baile de Favela’
Reuters/Dylan Martinez
Maestro achou que não ia dar certo
Rhony trabalha com o maestro Misa Jr. e a diretora musical Angela Molteni desde “Brasileirinho”, de Daiane dos Santos.
A inovação esteve presente nos solos brasileiros desde então, mas o pedido de juntar Bach com “Baile de Favela” foi uma surpresa para o maestro.
“Eu achei que realmente não iria conseguir achar caminhos que soassem bem musicalmente. Tanto que comecei a mentalidade de mostrar para o Roni que não ia ter uma conexão ali”.
“Só que começou soar muito homogêneo, tem uma ligação, são tons menores, não teve tanto problema na mudança de ritmo e quando entrou o ritmo do funk deu um impacto maior ainda”, completa Misa Jr.
MC João fala sobre o uso de “Baile de Favela” na apresentação de Rebeca Andrade