Quadro de funcionários da Embraer no Brasil diminui quase 10% em cinco anos


Dados são de relatório divulgado pela companhia. Além da redução no efetivo, outra baixa que a fabricante brasileira de aeronaves enfrenta é o prejuízo de R$ 669 milhões em 2018. Quadro de funcionários da Embraer encolhe em cinco anos
O quadro de funcionários da Embraer no Brasil diminuiu quase 10% nos últimos cinco anos. Os dados são do balanço anual divulgado pela empresa nesta semana. Além da redução no efetivo, a fabricante brasileira de aeronaves registrou prejuízo de R$ 669 milhões em 2018 – o primeiro resultado negativo desde 1997 e maior prejuízo já registrado desde a privatização.
As baixas ganham atenção em meio ao episódio de venda da divisão comercial da empresa para a Boeing. Em fevereiro os acionistas da fabricante brasileira de aeronaves aprovaram o acordo sobre a venda para a norte-americana. O negócio já foi aprovado pelo governo federal e a expectativa é que o processo de criação da nova companha seja concluído até o fim deste ano.
O relatório mostra que em 2013 a Embraer tinha 17.391 funcionários no Brasil. Até o fim de 2018, o número passou para 15.670 postos. A empresa tem unidades em São José, Taubaté, Sorocaba, Botucatu e Gavião Peixoto, todas no interior de São Paulo.
O quadro gera contraste com as fábricas que a Embraer tem no exterior, nas quais o número de trabalhadores aumentou de 1.976 para 2.850 –um crescimento de 44%. A empresa tem três bases nos Estados Unidos e uma em Portugal.
Repercussão
De acordo com o economista Carlos Alberto da Silva, os números negativos seriam resultado do aumento das despesas operacionais e a parceria com a Boeing poderia surgir como uma solução.
“A empresa está buscando opções e a Boeing está oferecendo essas opções. E com isso você tem uma diluição dessas despesas operacionais que são muito elevadas e que levou uma boa parte para esse prejuízo e também novos projetos aonde ela vai ter exatamente um fomento, financiamento, de outras formas capitadas no mercado mundial que vai poder facilitar o desenvolvimento de novos projetos”, disse.
Já o Sindicato dos Metalúrgicos de São José, cidade onde fica a sede da Embraer, acredita que a parceria com a multinacional pode colocar em risco a manutenção de empregos.
“O que mais puxa o prejuízo é aviação executiva e a defesa e é justamente isso que vai ficar com a Embraer. Se essa tendência de prejuízo continuar, o futuro da Embraer é o fechamento”, disse o diretor sindical Herbert Claros.
Venda de divisão para a Boeing
Pelo acordo aprovado pelos acionistas, a Boeing deverá pagar US$ 4,2 bilhões por 80% da nova companhia. A Embraer ficará com os 20% restantes.
Os negócios de defesa e jatos executivos e as operações de serviços da Embraer associados a esses produtos permanecerão como uma empresa independente e de capital aberto.
Parceria entre Boeing e Embraer prevê a criação de joint ventures de aviação comercial e defesa.
Claudia Ferreira / G1