Proposta da Zurich e IG4 para Viracopos prevê contrato mais longo e investir até R$ 100 milhões


CEO da empresa suíça detalhou a proposta ao G1; confira os principais itens. Aeroporto precisa aprovar recuperação ou buscar solução de mercado para evitar falência; dívida é de R$ 2,88 bilhões. Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas tem proposta da Zurich Airport e IG4 Capital.
Reprodução/EPTV
O consórcio formado pela Zurich Airport e IG4 Capital pretende assumir o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), com uma proposta que prevê o prolongamento do contrato de concessão, além de um investimento de até R$ 100 milhões para exploração de uma parte do terminal de passageiros, que ainda não é utilizada na atual gestão.
O plano das empresas para o empreendimento foi detalhado ao G1 por Stefan Conrad, CEO da Zurich Airport Latin America – que representa a companhia no Brasil.
A venda das ações correspondentes à Aeroportos Brasil, que administra o aeroporto atualmente, é uma das possibilidades para solucionar a dívida de R$ 2,88 bilhões de Viracopos. A concessionária aguarda também a votação da proposta de recuperação judicial, marcada para 27 de junho, para aprovar o processo e evitar a falência da estrutura.
Em abril, o presidente da Aeroportos Brasil, Gustavo Müssnich, admitiu a possibilidade de venda mesmo em caso de aprovação da recuperação judicial e confirmou o interesse de outras quatro empresas.
Dos cinco grupos, o único que já fez efetivamente uma proposta a Viracopos foi o consórcio da Zurich, companhia suíça responsável pela operação de quatro terminais no Brasil – Florianópolis (SC), Vitória (ES), Macaé (RJ) e Belo Horizonte (MG) – e IG4 Capital, empresa brasileira de gestão de investimentos.
Além da extensão de contrato de concessão do terminal para mais cinco anos e do novo investimento, entre as ideias do consórcio para Viracopos também está renegociar as outorgas para uso do aeroporto com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Atualmente, as parcelas de 2017 e 2018, no valor de R$ 190 milhões cada uma, estão em atraso. A de 2019 vai vencer em julho deste ano.
Confira abaixo os itens da proposta da Zurich e IG4 para Viracopos confirmados pela empresa:
Prorrogação do contrato de concessão de 30 para 35 anos.
Revisão dos investimentos para adequar ao volume de passageiros e cargas. [Fluxo está abaixo do que a expectativa da atual concessionária]
Renegociação das outorgas.
Investimento de R$ 50 milhões a R$ 100 milhões para colocar em funcionamento o novo terminal de passageiros, que atualmente funciona parcialmente.
Em relação ao aporte de até R$ 100 milhões, a intenção do consórcio é colocar em funcionamento o chamado Pier B do terminal de passageiros, que ainda não está em operação por conta da frustração no fluxo da demanda.
Em 2018, o aeroporto fechou com 9,2 milhões de pessoas em trânsito, pior número desde o início da privatização. Neste ano, o aeroporto iniciou uma reação, mas ainda está abaixo da expectativa prevista no contrato.
“Existe um planejamento para se investir algo entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões para colocar em funcionamento integral um terminal que, hoje, está aberto parcialmente. Com certeza, Viracopos será gerenciado com o alto padrão de qualidade da Zurich e com o know-how em finanças da IG4”, explicou Stefan Conrad, por meio da assessoria de imprensa da Zurich Airport.
Prédio administrativo da concessionária Aeroportos Brasil em Viracopos
Daniel Mafra/EPTV
O que diz a concessionária
A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos informou que ainda não recebeu oficialmente a proposta do consórcio e todas as intenções de compra serão avaliadas dentro do processo de recuperação judicial. Veja abaixo a nota do grupo na íntegra.
“A Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos S.A. informa que, até o momento, não recebeu proposta vinculante para aquisição da participação de seus acionistas. As propostas de aquisição serão avaliadas dentro do processo de Recuperação Judicial, em conjunto aos seus assessores jurídicos e financeiros.
Viracopos é um ativo de qualidade e apresenta grande potencial de crescimento de receita, além de viabilidade econômico-financeira caso haja flexibilização de todos os envolvidos na Recuperação Judicial. O pedido deve-se principalmente à crise que assolou o país nos últimos anos, causando frustração de receita de passageiros e de cargas no período de 2013 a 2019.
Apesar do pedido de Recuperação Judicial, o aeroporto foi eleito neste primeiro trimestre de 2019 pelos passageiros, pela 11ª vez desde o início da concessão, o Melhor Aeroporto do Brasil, de acordo com pesquisa da SAC (Secretaria Nacional de Aviação Civil). Ainda, em abril de 2018, recebeu o prêmio de Melhor Aeroporto de Carga do Mundo, na categoria até 400 mil toneladas/ano, o que apenas reforça a confiança dos acionistas na concessão”.
Cenário de crise
Se não houver uma solução de mercado, que é a venda do controle acionário, Viracopos depende de aprovar a recuperação judicial para se manter à frente do aeroporto e solucionar a dívida. Além disso, a concessionária se apega a uma liminar que suspendeu o processo de caducidade aberto pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em fevereiro de 2018, para não perder a concessão.
Em janeiro, o governo federal publicou, no Diário Oficial da União, o edital de chamamento para que empresas manifestem interesse e façam estudos de viabilidade para a nova licitação do aeroporto. De acordo com o Executivo, o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) é um “plano B” caso o terminal não encontre uma solução para a dívida e precise relicitar a concessão.
O aeroporto vive uma crise que se agravou em julho de 2017. Na ocasião, a Aeroportos Brasil anunciou a devolução da concessão ao governo. No entanto, a medida emperrou na regulamentação da lei 13.448, que dispõe sobre regras de relicitação em todo o Brasil. A legislação precisa de um decreto para ser regulamentada, o que ainda não aconteceu.
As dívidas de Viracopos se dividem em débitos com bancos – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outras quatro instituições privadas – além de fornecedores, inclusive empresas responsáveis por serviços diretamente ligados à operação do aeroporto, e outorgas fixas e variáveis de 2017 e 2018 que a concessionária deveria pagar à Anac.
Sem solução, a concessionária protocolou o pedido de recuperação judicial em maio do ano passado, na 8ª Vara Cível da Justiça de Campinas. Viracopos foi o primeiro aeroporto do Brasil a pedir recuperação. O plano para evitar a falência da estrutura foi entregue à Justiça em julho.
A Infraero detém 49% das ações de Viracopos. Os outros 51% são divididos entre a UTC Participações (48,12%), Triunfo Participações (48,12%) e Egis (3,76%), que formam a concessionária. Os investimentos realizados pela Infraero correspondem a R$ 777,3 milhões. A Triunfo e a UTC são investigadas pela Operação Lava Jato.
Vista aérea do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas
Ricardo Lima/Divulgação
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