Projeto de capitalização da Eletrobras sai no começo de junho, diz ministro


Bento Albuquerque reiterou modelo de operação que será apresentado, que descarta a privatização da estatal. Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia, em imagem de arquivo
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse durante evento em São Paulo nesta terça-feira (28) que vai apresentar o projeto de capitalização da Eletrobras ao governo no começo de junho.
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“Vamos apresentar o projeto no início de junho dentro do governo, trabalhando com o ministério da economia, advocacia geral da união, com a própria Eletrobras, ou seja, com todos os atores envolvidos dentro do governo. E depois para o Congresso”.
Segundo ele, tudo será feito de forma transparente. “Nós estabelecemos um planejamento e estamos cumprindo esse planejamento e vamos apresentar essas informações todas em junho.”
Ele reiterou que a ideia é a capitalização da empresa e não a privatização.
“A ideia inicial e a ideia presente é a capitalização da empresa. O modelo é que a gente ainda não sabe”, declarou.
Defesa do carvão
O ministro defendeu o aproveitamento do carvão mineral. E disse que haverá espaço para o carvão nos próximos leilões.
“Vai ter espaço pra manter a base dele de 1,9% da nossa matriz”, afirmou.
Albuquerque participará de uma campanha de apoio ao carvão mineral.
“O Brasil é um dos países do mundo mais privilegiados, nós temos uma diversidade de fontes de energia. E não podemos descartar nenhuma dessas fontes. Particularmente na região sul do país, onde há o carvão mineral.”
O ministro disse que visitou um centro de pesquisa em Criciúma (SC) na semana passada e considera que a indústria do carvão não é apenas uma atividade econômica, mas está relacionada a pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação.
Ele conheceu uma planta de absorção de CO2. “Isso mostra que ainda é uma atividade econômica sustentável, que está se tornando mais limpa”.
Segundo ele, vai depender muito da inovação e do desenvolvimento tecnológico, para que o carvão continue sendo uma atividade econômica de interesse.
Desestatização da Eletrobras
O governo anterior, de Michel Temer, falava em promover uma desestatização da Eletrobras, por meio de uma operação em que a empresa emitiria novas ações e diluiria a fatia governamental na companhia para uma posição minoritária.
A gestão Bolsonaro passou a adotar o termo capitalização para se referir ao processo.
O ministro Albuquerque chegou a comparar a operação em preparação para a companhia ao modelo adotado pelo governo brasileiro com sua fatia na Embraer.
Antes estatal, a Embraer foi privatizada no final de 1994, em leilão na bolsa paulista que envolveu 55% das ações ordinárias da companhia, com direito a voto.