Professores da Unimep aprovam continuidade de greve, que chega a 11 dias


Sindicato aponta atraso no pagamento de salários, 13º e férias para cerca de 500 profissionais e que ainda não houve uma proposta da universidade à categoria. Unimep, em Piracicaba: continuidade de greve é aprovada
Reprodução/Site da Unimep
Professores da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) aprovaram a continuidade da greve da categoria nesta quinta-feira (10). Eles apontam atraso no pagamento de salários, 13º e férias. Segundo o Sindicato dos Professores de Campinas e Região (Sinpro), ainda não houve uma proposta da universidade.
A paralisação teve início em 30 de novembro, após assembleia, de acordo com Conceição Fornasari, diretora do Sinpro.
A pauta de reivindicações inclui a quitação das seguintes dívidas:
Salários referentes a 2020, equivalentes a praticamente 3 meses e meio, considerando-se que a universidade vem pagando apenas 50% dos valores líquidos desde abril, segundo o sindicato;
50% do salários de novembro de 2020;
Salário de dezembro;
1/3 de férias;
13º salário de 2019;
Primeira parcela do 13º salário de 2020.
Além de decidir pela continuidade da greve, durante a assembleia desta quarta-feira foi definida a elaboração de uma “carta manifesto” para coordenadores e professores que ainda não aderiram à paralisação, chamando-os para o movimento.
“A expectativa é de que a participação mais ampla de cursos, com seus coordenadores e docentes, possa contribuir para uma solução mais rápida da situação, a partir de um processo de debate e deliberação coletivos”, diz trecho da carta.
Também segundo o documento, a assembleia também reafirmou a necessidade de “luta por uma universidade que tenha garantida sua autonomia e seu caráter democrático e participativo, como condição fundamental à superação da atual crise na qual está inserida”.
A próxima assembleia foi agendada para 15 de dezembro, às 19h.
Segundo a diretora do Sinpro, são cerca de 500 professores na situação citada e as aulas estão sendo realizadas em formato virtual atualmente.
O que diz o IEP
Questionado pelo G1 a respeito da continuidade da greve e da informação do Sinpro de que ainda não houve uma proposta da universidade, o Instituto Educacional Piracicabano, entidade mantenedora da Unimep, não se manifestou até a última atualização.
Quando a paralisação foi iniciada, a instituição disse por nota que, atualmente, ocorre uma mudança na direção geral da Educação Metodista e “o início de uma transição que buscará conhecer a real situação financeira, sem criar novos passivos e distorções, bem como deliberar soluções para os desafios impostos neste novo cenário da Educação Superior”.
A instituição disse ainda que tem o objetivo de retomar e manter o diálogo com todos os segmentos que, diretamente ou indiretamente, compõem a universidade, além dos representantes de associações sindicais.
Casos anteriores
Em dezembro de 2019, o Sinpro Campinas também informou que estavam em atraso os salários desde outubro e outros benefícios. Na ocasião, a entidade também relatou a demissão de uma série de professores. À época, o sindicato acionou a Justiça do Trabalho.
O Sindicato dos Auxiliares em Administração Escolar de Piracicaba (Saep) já havia comunicado sobre atraso nos salários dos funcionários da Unimep em fevereiro do ano passado. À época, a entidade também apontou falta de repasse de vale-refeição e vale-alimentação.
O atraso nos salários e no pagamento dos benefícios desrespeita o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado em março de 2018 pela entidade mantenedora da Unimep.
Em outubro do ano retrasado, o Ministério Público do Trabalho (MPT) já entrou com ação de execução para reivindicar o pagamento de R$ 650 mil por descumprimento do TAC.
Em abril de 2019, a Justiça incluiu a Associação da Igreja Metodista e as dez unidades regionais da entidade no polo passivo da ação.
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