Produção do 1º açaizal com certificação do mundo é revertida para escola no Amapá


Plantio e colheita que seguem regras internacionais de manejo garantem desenvolvimento às famílias do Arquipélago do Bailique. Parte das vendas vai financiar escola agroextrativista. Açai é retirado e colocado em lonas para etapa inicial de higienização
John Pacheco/G1
Atuando desde o fim de 2016 com a certicação internacional do Conselho de Manejo Florestal, o FSC (Forest Stewardship Council), a produção de açaí de 28 comunidades do Arquipélago do Bailique, na Foz do Rio Amazonas, em Macapá, é a primeira e única no mundo que atua com padrões exigidos por diversas empresas compradoras da matéria-prima no Brasil e no exterior.
O trabalho de plantio e colheita seguindo critérios socioambientais é feito por quase 100 produtores na região, que já comercializam o fruto mantendo a parceria e a cooperação. A ideia é expandir o mercado e reverter parte dos rendimentos para a construção de uma escola agroextrativista na região, visando a capacitação das crianças e adolescentes para continuar tocando o projeto.
Produto é armazenado para garantir qualidade por maior tempo
Jéssica Alves/G1
Os produtores fazem parte da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique (ACTB). Segundo a entidade, 5% do valor da venda de cada lata – 13 quilos – é depositado diretamente num fundo para a escola. Anteriormente, a mesma reserva garantiu a compra de uma embarcação responsável por transportar o açaí até os pontos de venda.
O primeiro teste de mercado aconteceu em abril de 2017 onde 20 toneladas do fruto foram exportadas e renderam cerca de R$ 204 mil. Para garantir a qualidade certificada do açaí, os produtores atuam nas áreas obrigatoriamente usando equipamentos de segurança, como luvas, óculos e capacete. A retirada também atende a critérios de higienização.
Manejo garantiu técnicas de plantio e colheita em açaizal
John Pacheco/G1
“Durante a colheita, se usa lona para colocar o açaí em cima por causa dos insetos no chão. Isso garante segurança para a gente. O local da colheita é mantido limpo, sem lixo como plástico e vidro. A natureza tem que estar limpa”, explicou o produtor Wellington Ferreira Farias, de 26 anos.
As áreas onde são plantados os açaizeiros também passaram por modificação, limpeza e ordenamento de espécies. Os produtores detalham que árvores pouco produtivas foram eliminadas para garantir espaço para crescimento e luminosidade. A medida, aumentou a produção segundo a ACTB, que subiu de 450 para mil latas por safra.
Fruto é produzido em açaizais de quase 100 produtores em 28 comunidades no Bailique
John Pacheco/G1
A preparação para obter o certificado FSC, o mais conhecido no mundo no segmento, durou quatro anos. Os produtores e as famílias foram capacitados em atividades técnicas com o apoio da Oficina Escola de Lutheria da Amazônia (OELA) e do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA).
“Esse açaí que coletamos passa por um processo de limpeza, depois vai ser ensacado pelo produtor e levado ao nosso barco que fica num ponto estratégico das comunidades próximas. Ele é armazenado numa urna com gelo e depois a gente leva para Macapá para ser entregue nas fábricas ou no comércio local”, destacou Geová Alves, presidente da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique.
Geová completa que a escola agroextrativista vai aplicar os conceitos necessários para garantir a certificação do açaí. Ele completa que o modelo de ensino será o mesmo usado nas escolas famílias, onde o estudante fica na escola durante 15 dias consecutivos, e passa o mesmo período em casa aplicando os conhecimentos entre os parentes.
Geová Alves, presidente da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique
John Pacheco/G1
Tem alguma notícia para compartilhar? Envie para o VC no G1 AP ou por Whatsapp, nos números (96) 99178-9663 e 99115-6081.

Powered by WPeMatico