Produção de açúcar no Centro-Sul cai pela metade no início da nova safra por chuva e foco no álcool


Maior região produtora do país fabricou 340 mil toneladas do adoçante nos primeiros 15 dias de abril, quando começa o ciclo; 76% da oferta virou etanol. Mercado de cana-de-açúcar busca tecnologias para melhor desempenho e qualidade
Jacto Agrícola/Divulgação
A produção de açúcar por usinas do Centro-Sul do Brasil desabou mais de 50% na primeira quinzena de abril, diante de um mix mais alcooleiro e retração na moagem de cana por causa de chuvas, em um período marcado também por problemas no abastecimento de etanol, disse nesta quinta-feira (25) a associação da indústria Unica.
Na primeira metade do mês, o que representa a primeira quinzena da safra 2019/20, foram produzidas apenas 340 mil toneladas de açúcar no maior polo canavieiro do mundo, queda de 52,3% na comparação anual.
Conforme a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), o tombo reflete uma moagem de cana 38% menor, de 13,9 milhões de toneladas, bem como uma alocação de 76,45% da oferta de matéria-prima para o álcool, versus 68,65% um ano antes.
“A programação de início de moagem na safra 2019/20 deveria seguir o padrão tradicional observado todos os anos. Mas as chuvas registradas no início de abril dificultaram tanto a colheita nas usinas que estavam em operação quanto o início de moagem em outras unidades, atrapalhando o cumprimento do cronograma previsto”, afirmou o diretor técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues, em nota.
Com efeito, a Unica esperava que até 15 de abril, 176 usinas estivessem em atividade, mas a quantidade era de 150, abaixo das 174 em igual data de 2018. Ao todo, 64 reprogramaram o início de suas operações para a segunda metade do mês.
Segundo Rodrigues, porém, as condições climáticas já voltaram à normalidade, e, atualmente, “a operacionalização da colheita é realizada normalmente no Centro-Sul”.
Etanol
Analistas de mercado disseram que as dificuldades de colheita enfrentadas neste início de safra contribuíram para a disparada do preço do etanol nas usinas em abril, justamente um mês em que as cotações começam a ceder devido à maior produção.
Com efeito, a fabricação de álcool no Centro-Sul na primeira quinzena de abril caiu 26,2%, para 737 milhões de litros, sendo 74 milhões de anidro e 662 milhões de hidratado.
Na safra 2018/2019, que se encerrou em março, o Brasil produziu um recorde de 33,6 bilhões de litros de etanol, segundo a Conab.
De acordo com a Unica, contudo, a despeito do atraso na moagem de cana no começo da nova safra, o estoque de passagem de etanol mantido pelos produtores do Centro-Sul se manteve em nível elevado, superando 700 milhões de litros no caso do hidratado e 600 milhões de litros de anidro no começo de abril.
Para Rodrigues, “eventuais problemas de abastecimento do renovável não ocorreram por falta de produto nas usinas, mas por problemas logísticos relacionados à retirada e à distribuição do renovável”.
“É comum os distribuidores reduzirem seus estoques operacionais a partir do final de março quando o início de uma nova safra se aproxima e os preços usualmente começam a cair. Esse movimento aconteceu em 2019, porém o período mais chuvoso em abril pode ter provocado algum problema logístico pontual para uma ou outra distribuidora que não se preparou para essa condição”, avaliou o executivo.
As vendas totais de etanol por usinas do centro-sul somaram 1,17 bilhão de litros, acima dos 939,10 milhões em igual quinzena de 2018. O volume considera anidro e hidratado, bem como mercados interno e externo.
Domesticamente, as vendas de hidratado dispararam 41,4%, a 864,1 milhões de litros nos primeiros quinze dias de abril.