Problemas emocionais podem desencadear a hipertensão

O nefrologista Decio Mion, responsável pelo setor de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, afirma que estudos recentes mostram que problemas emocionais e psiquiátricos, como a depressão, podem desencadear a hipertensão e até levar ao infarto. O estresse também ajuda a elevar a pressão arterial, mas não seria causador da hipertensão como doença crônica. Segundo Mion, é normal que o estresse eleve a pressão arterial, funcionando como estado de alerta, como se a pessoa estivesse em perigo. Essa “resposta de fuga” ajudaria a levar maior quantidade de sangue para os músculos para escapar do perigo 

O médico ressalta que a obesidade também caminha junto com a hipertensão, tendo a elevação da pressão arterial como consequência da elevação de peso. Ele explica que a obesidade aumenta a atividade do sistema nervoso simpático, estreitando os vasos sanguíneos e aumentando a pressão sanguínea. Além disso, a obesidade complica o tratamento da hipertensão

A hipertensão é uma doença. A pressão alta faz com que o coração tenha que exercer um esforço maior que o normal para que o sangue seja distribuído pelo corpo, segundo o Ministério da Saúde. A hipertensão danifica as artérias e dilata o coração. Em 95% dos casos, o problema é herdado dos pais, mas fatores que influenciam os níveis de pressão arterial, como hábitos de vida, também causam a doença

A hipertensão é a causa de 60% dos infartos e 80% dos AVCs (acidente vascular cerebral), segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). É considerada uma doença silenciosa, não costuma dar sintomas. Quando se manifestam, os mais comuns são dor de cabeça, sonolência e cansaço ao fazer atividade física. É considerada hipertensa uma pessoa com pressão arterial igual ou superior a 14 por 9 em repouso, na maior parte do tempo

Medir a pressão regularmente é a única maneira de diagnosticar a hipertensão, segundo o Ministério da Saúde. Segundo o nefrologista, o diagnóstico também pode ser confirmado por meio de um exame que monitora a pressão arterial durante 24 horas, que consiste em uma braçadeira ligada a um monitor e oferece um mapa da pressão arterial 

De acordo com o médico, se a hipertensão não estiver relacionada ao fator genético, causada, por exemplo, pela presença de tumores ou pelo estreitamento das artérias, ela poderá ser revertida com o tratamento correto

O nefrologista afirma que a hipertensão é uma doença democrática, acometendo todos os tipos de pessoa. Porém, pessoas obesas, diabéticos, idosos, sedentários, fumantes ou pessoas que fazem grande consumo de bebidas alcoólicas ou consumo exagerado de sal têm maior chance de desenvolver o problema

O médico afirma que os aparelhos digitais para medir a pressão são mais confiáveis, visto que os analógicos podem descalibrar. Mion afirma que pode haver uma diferença mínima ao medir a pressão arterial em um braço e no outro, sendo recomendado que, numa primeira consulta, ambos os braços sejam consultados. Diferenças maiores, porém, podem significar problemas vasculares

O tratamento para a hipertensão é feito com remédios vasodilatadores e deve ser contínuo, já que não há como reverter a hipertensão. Mion afirma que, além de prevenir, é possível controlar os níveis da pressão arterial por meio da mudança de hábitos, como o fim do tabagismo, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, diminuir o consumo de sal e praticar atividades físicas regularmente

Segundo Mion, costumava-se acreditar que dores de cabeça fossem sinal de pressão estava alta. No entanto, o médico afirma que as dores, sejam de cabeça ou nas juntas, possam ajudar a elevar a pressão, e não o contrário. Desta forma, com um remédio para a dor de cabeça, por exemplo, além de melhorar a dor, a pressão também baixaria. Mas, vale ressaltar que, a pressão elevar por causa de uma dor é algo pontual, não configurando a hipertensão
*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini