Primeira missão privada a tentar pousar na Lua pode abrir caminho para exploração espacial mais barata


Até agora, apenas missões de agências espaciais governamentais conseguiram este feito; a missão tem um custo de US$ 100 milhões – apenas uma fração do que costuma ser gasto nesse tipo de operação. Pousos na superfície do astro só foram realizados até agora por agências espaciais governamentais.
NASA
A primeira missão espacial privada para a Lua tentará pousar na superfície do astro nesta quinta-feira. Até agora, apenas missões de agências espaciais governamentais, da antiga União Soviética, dos Estados Unidos e da China, conseguiram este feito.
A espaçonave israelense – chamada Beresheet – tentará fazer um pouso suave, antes de começar a tirar fotos e realizar experimentos.
Astrônomos apresentam a primeira imagem de um buraco negro já registrada
A missão tem um custo de “apenas” US$ 100 milhões (em torno de R$ 380 milhões). É uma fração do que costuma ser gasto nesse tipo de operação, pavimentando um caminho para futuras explorações lunares de custo reduzido.
A espaçonave irá estudar o magnetismo da Lua enquanto estiver na superfície lunar
Beresheet/Divulgação
Bereshhet, que significa “no começo” em hebraico, é um projeto conjunto da SpaceIL, uma organização privada sem fins lucrativos de Israel, e a Israel Aerospace Industries.
“O pouso será extremamente desafiador. Mas nós temos bons engenheiros, a espaçonave tem respondido bem às nossas instruções nos últimos dois meses. Eu estou razoavelmente confiante, mas um pouco nervoso”, disse à BBC News Morris Kahn, fundador da SpaceIL.
Qual é a importância da missão?
Em 60 anos de exploração espacial, apenas três países conseguiram pousar na Lua.
A antiga União Soviética conseguiu fazer seu primeiro pouso com a espaçonave Luna 9, em em 1966. A seguir, foi a vez da Nasa, que levou as primeiras pessoas para a Lua, em 1969. Então, a espaçonave chinesa Change-4 tocou o lado oculto da Lua, no começo deste ano.
Se o pouso israelense for bem sucedido, Israel será a quarta nação a se juntar a esse clube de elite. Mas o que realmente se destaca nessa missão são seu preço mais baixo e o fato de não ser financiada por uma grande agência espacial.
Beresheet levou semanas para chegar
Em termos espaciais, a Lua está a um mero salto da Terra, e a maioria das missões leva apenas poucos dias para chegar até lá. Mas a missão Beresheet, que decolou em 22 de fevereiro do Cabo Canaveral, no Estado americano da Flórida, levou semanas.
A distância média para a Lua é de 380 mil quilômetros – e a Beresheet já viajou mais de 15 vezes esse número.
O principal motivo é o custo. Em vez de ser acoplada a um foguete que a colocasse na trajetória perfeita rumo à Lua, a Beresheet foi lançada em um foguete em conjunto com um satélite de comunicação e uma aeronave experimental.
Compartilhar a viagem para o espaço fez com que os custos caíssem significativamente – mas também fez com que a aeronave tivesse de fazer um trajeto muito mais complexo para a Lua.
Em sua jornada, a espaçonave passou por uma série de órbitas ao redor da Terra, cada vez mais largas, antes de ser capturada pela gravidade da Lua e começar a se mover na órbita lunar, em 4 de abril.
Quão difícil será pousar na Lua?
Um pouso suave na superfície lunar será um grande desafio para a espaçonave israelense.
Um ponto-chave para seu sucesso será um motor produzido na Inglaterra, por uma empresa chamada Nammo. Esse motor já forneceu energia para que a espaçonave percorresse o caminho para a Lua.
A nave, que tem 1,5 metro de altura, precisa reduzir sua velocidade rapidamente. Então, uma última ativação desse motor irá acionar os freios, fazendo com que a espaçonave faça uma parada suave.
“Nós nunca antes utilizamos um motor nesse tipo de aplicação”, disse Rob Westcott, engenheiro sênior de propulsão da Nammo. “O maior desafio é o fato de que o motor terá de ser ligado e ficar muito quente; então, ser desligado por um curto período de tempo, quando todo esse calor permanece em sua massa térmica; e então acionado de novo, de forma muito precisa, para que freie a espaçonave.”
O processo deve levar em torno de 20 minutos e será realizado autonomamente – o controle da missão ficará apenas observando.
O que a nave fará na superfície da Lua?
A primeira tarefa será usar suas câmeras de alta resolução para tirar fotos – inclusive, uma selfie – e enviá-las para a Terra.
A seguir, a Bersheet começará a medir o campo magnético do local do pouso – uma área conhecida como Mare Serenitatis.
“Eles estarão observando o local de pouso muito atentamente, o que ajudará a descobrir como as medições magnéticas da Lua se relacionam com a geologia e geografia da Lua, o que é realmente importante para compreender como a Lua se formou”, explica Monica Grady, professora de ciência planetária e espacial da Open University.
A nave também transporta um refletor da Nasa, que ajuda os cientistas a fazerem uma medição precisa da distância entre a Terra e a Lua.
Mas a missão não será longa – talvez apenas alguns dias da Terra. As temperaturas da Lua são extremas. Assim, quando o Sol nascer, é improvável que a Bersheet sobreviva ao calor.