Presidente da Activision Blizzard deixa comando da empresa em meio a processo por assédio sexual


Saída de Allen Brack acontece poucas semanas após o Departamento de Emprego e Habitação da Califórnia abrir uma ação contra a empresa acusando a desenvolvedora de games de manter ambiente hostil e desigual para mulheres. Funcionários e manifestantes protestam em apoio a processo por abuso sexual em frente à sede da Activision Blizzard, nos Estados Unidos
David McNew/AFP
Allen Brack, presidente da Activision Blizzard, anunciou nesta terça-feira (3), através de um comunicado, que deixará o comando da empresa.
A movimentação acontece em meio a um processo de assédio sexual movido, em julho, pelo Departamento de Emprego e Habitação da Califórnia contra a empresa, uma das maiores empresas de games do mundo.
Segundo comunicado, Brack deixa a empresa para “buscar novas oportunidades”. Os nomes de Jen Oneal (vice-presidente executivo) e Mike Ybarra (diretor geral) foram anunciados como os novos líderes da empresa.
“Com seus muitos anos de experiência no setor e profundo compromisso com a integridade e inclusão, estou certo de que Jen e Mike conduzirão a Blizzard com cuidado, compaixão e dedicação à excelência”, afirmou Brack.
Entenda o caso
Em julho, funcionários da Activision Blizzard, uma das maiores empresas de games do mundo, realizaram uma greve e um protesto em frente à sede da empresa nos Estados Unidos.
Com a participação de outros manifestantes, eles demonstravam apoio a um processo por assédio sexual contra a desenvolvedora de franquias como “Warcraft” e “Call of Duty” e pediam tratamento justo para trabalhadores de minorias.
A ação, movida em 20 de julho pelo Departamento de Emprego e Habitação da Califórnia, acusa a empresa por casos de assédio sexual, agressão, e de manter um ambiente hostil contra mulheres, que recebiam salários desiguais e enfrentavam retaliações.
O processo
No processo, o órgão afirma que a empresa criou uma cultura de “assédio sexual constante” e discriminação de gênero. Desde então, diversas mulheres se manifestaram a favor da acusação.
Segundo a ação, os escritórios da desenvolvedora de games pareciam uma república masculina de universidades, onde funcionários homens bebiam, falavam abertamente sobre corpos femininos e faziam piadas sobre estupro.
Por causa disso, mulheres eram submetidas a diversos comentários sexuais, cantadas, tinham os corpos agarrados e sofriam outras formas de abuso. O comportamento era conhecido pelos supervisores e até encorajados por eles.
O processo também cita uma funcionária que teria cometido suicídio após inúmeros assédios.