Presença vip em lives: como ex-BBBs e influenciadores querem faturar na quarentena


Eventos poderiam render R$ 1.500 a R$ 30 mil aos famosos, antes do isolamento. Preços de participações em lives podem ir de R$ 500 a R$ 5 mil, mas depende de cada caso. Marcela, Ivy e Fly posam em posts patrocinados nos perfis do Instagram
Reprodução/Instagram
Com a pandemia do coronavírus, os participantes do “BBB20” não só encontraram uma “vida real” diferente, mas as possibilidades de trabalho pós-programa também mudaram.
As presenças vips em eventos eram uma parte considerável da agenda e do faturamento dos ex-BBBs, mas o que sobrou foi “presença vip virtual”.
Os posts patrocinados já eram uma atividade entre blogueiros e influenciadores, mas a procura das marcas por anúncios on-line aumentou na quarentena. Agora, além das publicações, também é possível cobrar para aparecer em lives.
Mudança no planejamento durante pandemia
Alex Monteiro, sócio da Non Stop Produções, disse que foram três momentos diferentes na relação das marcas com seus parceiros desde o começo de março.
“O primeiro impacto foi parar tudo. Assim como nós paramos as vidas, as marcas também pararam”, explica o empresário. Ele agencia Whindersson Nunes, Tirulipa, Christian Figueredo e outros humorista e influenciadores.
“Depois, muito rapidamente, elas realinharam o discurso, porque perceberam que não dava para falar como antes. O terceiro momento foi uma procura louca de várias marcas para estar no digital, principalmente de empresas que antes não tinham uma conversa genuína com determinada comunidade”.
Outro aspecto que foi reformulado foi a programação do conteúdo. “O planejamento que antes era mensal agora é quase diário, porque os dados mudam a cada dia e a forma de comunicar também”, explica Monteiro.
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Faturamento vai ser menor?
Não se sabe ainda se o faturamento vai cair durante o distanciamento social, dizem especialistas ouvidos pelo G1.
Fabiano de Abreu, assessor que já trabalhou com Mendigata, MC Koringa e Latino, viu os contratos com novos clientes reduzir pela metade: “Com base no que estou vendo nos bastidores, está todo mundo bem ferrado. Muitas marcas pararam.”
Abreu já assessorou mais de 30 ex-BBBs, como Camila Salgado e Eliezer, sabe da importância do momento pós-reality. “Você tem um ano pós-BBB e esse é o ano da presença vip. Muitos dependiam disso.”
Ele já chegou a vender participações em eventos por entre R$ 2 mil e R$ 30 mil. Para o assessor, hoje, ex-BBBs só conseguem se manter em alta se aliarem o trabalho nas redes sociais com suas especialidades de antes do programa.
“Se ela for apenas uma pessoa que publica o cotidiano na praia, no hotel, não tem como ganhar dinheiro”, explica.
Indo por essa linha, depois do BBB, a médica ginecologista Marcela Mc Gowan ofereceu um curso sobre autoestima e sexualidade, em abril.
Gabi Martins e Gizelly Bicalho posam em posts patrocinados no Instagram
Reprodução/Instagram
Presença vip online?
Assim que saiu do programa, Ivy Moraes foi procurada por marcas de cerveja, cachaça, lojas de roupa, aplicativo e até clínicas estéticas. Marcela, Thelminha e Rafa fizeram posts pagos para o Dia das Mãe.
Assessor de webcelebridades, Cacau Oliver acredita que a quarentena vai fazer com que os influenciadores e ex-BBBs ganhem mais dinheiro com a alta demanda das marcas.
“Fala-se muito das lives dos sertanejos, dos cantores, mas as webcelebridades também ganham dinheiro com as lives. Algumas empresas nos procuraram para ter convidados em lives e elas pagam para elas falarem do produto, entrevistarem o dono da marca”, explica Oliver.
“É tudo muito novo, mas já fiz cachês como convidados que variam de R$ 500 a R$ 5 mil”, afirma. Ele diz que quando as celebridades vão na loja o número vai de R$ 1.500 a R$ 30 mil.
Nos dois casos, do presencial ou do virtual, depende do “tamanho” do influenciador: quanto mais seguidores, maior o cachê.
Mesmo com as lives, Abreu não acredita que o faturamento vai ser igual a antes da quarentena. “Já vi cliente que cobrava R$ 5 mil e se pagar mil agora faz”, conta. Ele também cita influenciadores de fitness que ganhavam o mesmo valor para visitar lojas do ramo.
“Não tem mais loja de suplementos. A gente está falando de menos R$ 20 mil por mês, só para dar um exemplo”, afirma.
Sofá, cara amassada, pijama
Com a quarentena, não é difícil encontrar posts de celebridades usando pijamas, com o rosto amassado em produções que seriam pouco prováveis antes de fevereiro, por exemplo.
Para Isabela Ventura, CEO da Squid, empresa especializada em marketing de influência, o isolamento mudou tanto a percepção de quem produz, quanto de quem consome o post.
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“É a quebra da estética perfeita”, diz Isabela. “E está tudo bem isso cair, porque nesse momento não faz sentido. As pessoas estão preocupadas com saúde, alimentação e segurança.”
“Se eu colocar uma bolsa ou uma roupa que não faz sentido para estar dentro de casa, qual é a autenticidade da mensagem? Está caindo aquela coisa da minha vida é perfeita, está tudo lindo. Não, não está tudo lindo e vamos conversar sobre isso.”
Isabela diz que existe uma maior abertura de negociação por parte dos influenciadores. Monteiro, da Non Stop, também opina sobre esta nova estética:
“Se você ver uma grande produção sendo feita hoje você duvida de qual é o intuito daquilo. Não tem como você parar hoje para fazer uma grande produção.”
O especialista diz que os influencers costumam ter bons equipamentos em casa para entregar um post com uma qualidade miníma , mas acredita que as produções maiores devem voltar pós-quarentena.
“Acho que vai voltar a ter grandes produções, até porque o povo gosta de ver”, opina Monteiro. “Não devemos ficar só nessas produções de baixo custo não e vai fazer bem esse retorno por conta de toda uma estrutura de funcionários que trabalha com isso”.