Preparação para o Enem: atleta piauiense tenta conciliar rotina de 10h de estudos e 3h de treinos


A estudante está no 3º ano do Ensino Médio e explicou que é preciso ter muita disciplina para manter foco nos estudos e na vida de atleta. Atleta Isabelle Rocha se prepara para o Enem
Arquivo Pessoal
As provas do Enem acontecem nos dias 21 e 28 de novembro deste ano e a pressão para ter um bom resultado é ainda maior quando envolve atletas de alto rendimento. É o caso da estudante piauiense Isabelle Rocha, de 17 anos, que possui uma rotina de 10h de estudos e mais 3h de treinos de natação, 6 vezes na semana.
Com a natação, Isabelle Rocha já conquistou várias vitórias, a última foi em setembro deste ano quando participou do Troféu Walter Figueiredo Silva, do Torneio Norte Nordeste de Clubes Inverno, que foi realizado em São Luís, no Maranhão, onde conquistou 10 medalhas, sendo: 2 ouros, 2 bronzes e 6 prata.
“Quando eu entrei na natação era mais como uma forma de tratamento, pois nasci com o pé torto congênito, então necessitava fazer algum esporte que estimulasse os meus pés e para ter mais força para a minha perna. Com o passar do tempo, eu fui gostando e fui me apaixonando. Meus pais me incentivaram e foi assim que entrei na natação como um esporte de alto rendimento”, disse ao g1.
A estudante está no 3º ano do Ensino Médio e explicou que é preciso ter muita disciplina para manter o foco nos estudos e na vida de atleta. Ela dedica cerca de 10h por dia para os estudos e até 3h para a natação.
“Eu dedico a parte da manhã e da tarde aos estudos, pois minha escola é integral, então passo de 7h20 até as 17h. A partir das 18h vou para natação e fico até 21h30. Então é muito cansativo e chego em casa morta de cansada. Eu já deito na minha cama e durmo logo. Tenho que ter essa disciplina todos os dias, pois se algo desandar, ou eu vou ficar muito cansada mentalmente, ou fisicamente”, explicou.
Isabelle explicou que é difícil manter o foco nos estudos e no esporte, pois existe bastante pressão em ambos os lados e que muitas pessoas não compreendem isso.
Isabelle Rocha concilia a natação com os estudos no Piauí
Arquivo pessoal
“Existe muita falta de conhecimento das pessoas em relação a esse assunto. Ou dizem que não dá para conciliar, ou dizem que é muito fácil, quando na verdade não é. Estudar não é simplesmente ler, escrever ou entender os assuntos, principalmente quem está no terceiro ano, tem uma pressão, uma expectativa para que você passe no vestibular e isso mexe não só com seus horários, com a sua disciplina, mas também com a saúde mental. Então é algo difícil de conciliar”, pontuou.
Ela disse que a pressão também acontece na parte esportiva. “Não é simplesmente nadar, tem toda uma carga por trás também, tem a braçada que você tem que acertar, a pernada que tem que acertar. Tem que dormir bem, comer bem, disciplina adequada para que não chegue muito cansada no treino e também tem pressão para que você sempre esteja melhorando, que dê o seu melhor”, destacou.
Isabelle disse que juntar esses dois pontos exige uma carga enorme e é importante que um não atrapalhe o outro.
“É um trabalho dobrado, uma disciplina dobrada, e se não tem um incentivo de quem está perto de você, se torna ainda mais difícil, pois é você que tem que lidar com tudo isso. Então tem que conciliar os dois e trabalhar de forma que eles se compensem, pois os estudos cansam bastante a mente, já o esporte cansa mais fisicamente”, explicou a estudante.
Apesar da dificuldade a jovem está confiante no resultado do Enem. Já o curso que escolheu, Isabelle prefere não contar. Ela acredita que isso pode gerar mais expectativa e pressão por parte dos familiares e amigos.
“Expectativas boas para a prova do Enem, pois venho me preparando desde o começo do ano, então isso me deixa tranquila. Vou dar o meu máximo, não só por mim, mas para quem não conseguiu se preparar porque não tinha condição financeira de estudar de forma remota. Existe uma pressão muito grande da escola, dos pais, avós, tios e tias para a gente passar e para me manter saudável mentalmente, eu decidi não dizer qual o curso eu escolhi”, disse a estudante.
Esporte ajuda nos estudos
Prática esportiva é uma das grandes aliadas à qualidade de vida
Divulgação
A prática esportiva é considerada positiva para se sair bem nos estudos. Diferente dos atletas que precisam dispor muito tempo para os treinos, manter uma rotina simples de treinos já ajuda nos estudos.
De acordo com uma pesquisa realizada por neurocientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, a prática de esporte ajuda a ter desempenho na aprendizagem superior a 20%, mesmo com treinos curtos.
A psicóloga Hanna Saunders explicou ao g1 que a atividade física ajuda a garantir uma sensação de bem estar e ainda melhora a memória e a concentração.
“A atividade física é importantíssima, pois além de ser uma atividade laboral, que dá conforto e uma sensação de prazer, que libera vários transmissores que causam sensação de bem estar, ela também melhora muito a qualidade do sono, o que por consequência vai melhorar muito na memória e na concentração desse aluno, então a atividade física é fundamental nesse processo”, explicou.
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