Prefeitura autoriza obra emergencial em terreno atingido por deslizamento de terra em Viçosa


Empresa iniciou obra de reaterro; desabamento afetou vias e casas próximas há uma semana. Deslizamento de terra danificou ruas e casas em Viçosa nesta terça-feira (6)
Jinx Vilhas Maurício/Arquivo Pessoal
O Instituto de Planejamento e Meio Ambiente (Iplam) da Prefeitura de Viçosa aprovou o Plano Emergencial de Contenção e Estabilização das Áreas Atingidas apresentado pela incorporadora M3.
O objetivo da empresa é recuperar os fundos do terreno onde houve um deslizamento de terra no dia 6 de março, danificando parte da Rua Cabo Tomaz e da Travessa Pergentino Rodrigues, além do muro do cemitério municipal e casas próximas, no Bairro Bela Vista.
A obra na Rua Gomes Barbosa permanece interditada e a medida só será suspensa após uma reavaliação prevista para depois das medidas emergenciais.
Intervenções
De acordo com a nota publicada pela Prefeitura, o Iplam autorizou as intervenções na quinta-feira (8). A empresa já está executando as medidas.
O Plano Emergencial prevê a instalação de barreiras físicas para completo impedimento da circulação de pessoas na área de risco de escorregamentos; instalação de lona plástica na crista e topo da área rupturada; instalação de mecanismos de desvio de água de escoamento superficial e de águas servidas que estejam sobre o caminhamento da área rupturada e realização de reaterro em toda a extensão da área rupturada.
A empresa estima que serão necessários 1.500 metros cúbicos de terra para a execução do reaterro. Depois, deverá criar uma área de circulação segura para trânsito de pedestres e veículos entre a Rua Cabo Tomás e a Travessa Pergentino Rodrigues, realizando impermeabilização do piso e instalação de dispositivos de segurança.
Deslizamento de terra danificou ruas e casas em Viçosa nesta terça-feira (6)
Jinx Vilhas Mauricio/Arquivo Pessoal
Projeto irregular
De acordo com o secretário de Governo da cidade, Luciano Piovesan, a empresa apresentou em 2012 um projeto para a construção de três torres na região que foi aprovado pelo Iplan no ano seguinte.
No entanto, em agosto de 2017 o próprio instituto constatou irregularidades, multou a Incorporadora M3 e deu um prazo até o final de 2017 para apresentar um novo projeto, que atendesse às exigências.
Ainda segundo o secretário, em fevereiro de 2018 a Defesa Civil recebeu ligações de moradores da rua em que houve o deslizamento, informando sobre rachaduras nos imóveis do local e a empresa foi novamente notificada, para que tomassem providências urgentes.
Tremor na região
De acordo com o morador Jinx Vilhas Maurício, o deslizamento assustou os vizinhos do local.
“Eu moro a mais ou menos 150 metros do deslizamento. Houve um estrondo e um tremor forte, eu estava na cama e assustei. Tem uma obra de um prédio ao lado. É possível que haja relação com essa obra, havia funcionários trabalhando, mas parece que eles não se machucaram”, contou ao G1.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o deslizamento atingiu a base do muro de arrimo nos fundos de uma obra na Rua Gomes Barbosa. A estimativa é de que cerca de 50 metros de comprimento por cinco metros de largura desabou, afetando parte da Travessa Padre Pergentino Rodrigues e o final da Rua Cabo Tomás.
Os militares informaram que três imóveis na Rua Cabo Tomás foram afetadas. Uma casa abandonada na esquina com a Travessa Pergentino Rodrigues foi isolada porque estava com várias trincas. Parte de outro imóvel apresentou trincas e risco de desabamento. Já o terceiro imóvel, composto de três pavimentos e quatro apartamentos, foi esvaziado por precaução e segurança dos moradores.
Duas casas na Travessa Padre Pergentino Rodrigues ficaram isoladas com o desabamento da estrutura da rua. Ainda conforme os Bombeiros, o responsável da obra informou que não havia trabalhadores no momento do desabamento do muro.

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