‘Porto dos Milagres’ estreia no Globoplay: relembre história de Guma, vivido por Marcos Palmeira


Novela de 2001, escrita por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, teve ainda Antônio Fagundes, Flávia Alessandra e Luiza Tomé no elenco, e chega à plataforma de vídeos nesta segunda-feira (1º). Camila Pitanga, Marcos Palmeira e Flávia Alessandra formavam triângulo amoroso em ‘Porto dos Milagres’
Marcela Haddad/Globo
“Porto dos Milagres” é a estreia desta segunda-feira (1º) no Globoplay. Exibida em 2001, a novela escrita por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares é uma livre adaptação de duas obras de Jorge Amado, “Mar Morto” e “A Descoberta da América Pelos Turcos”.
Para ajudar a entrar no clima, o G1 publica curiosidades sobre a novela, com dados do Memória Globo (leia mais ao fim da reportagem).
A trama política contrapõe o simples pescador Guma (Marcos Palmeira), um representante do povo, ao poder exercido pelo inescrupuloso Félix Guerreiro (Antonio Fagundes) e sua ambiciosa mulher, Adma (Cassia Kis).
A história se passa na fictícia cidade de Porto dos Milagres, localizada na região do Recôncavo Baiano e formada por duas classes sociais distintas: a burguesia porto-milagrense com suas famílias tradicionais, instaladas na parte alta da cidade, e os moradores pobres do cais do porto, habitantes da parte baixa. A cidade vive da pesca, mas também é uma das entradas de contrabando no país.
Antônio Fagundes e Cassia Kis durante as gravações de ‘Porto dos Milagres’
Roberto Steinberger/Globo
“O fato de eu ter transformado o personagem do Antonio Fagundes num prefeito e candidato a governador, casado com uma mulher ambiciosa, acabou dando o tom da novela, que é altamente política”, afirmou Silva em entrevista ao Memória Globo.
“É uma crítica ferrenha aos métodos que alguns políticos utilizam no Brasil. O próprio Guma, que acaba sendo um político, não é populista, mas popular, no sentido que era homem de pouca instrução, acaba se contrapondo aos poderosos.”
A mitologia e a religiosidade estão presentes na trama através da figura de Iemanjá, padroeira de Porto dos Milagres e que exerce influência na vida dos habitantes. Como outras histórias dos autores, a novela tem muitas cenas de realismo fantástico.
Vilões
Félix e Adma são vigaristas que viviam foragidos na Espanha. Durante uma fuga, após aplicar mais um de seus golpes, ele encontra uma cigana, que profetiza que ele vai atravessar o mar e ser rei.
O casal conclui que tal profecia só pode se concretizar no Brasil e decidem voltar ao país. Quando chegam a Porto dos Milagres, descobrem que o irmão gêmeo de Félix, Bartolomeu (também interpretado por Fagundes), se transformou no homem mais poderoso da cidade.
Adma, então, envenena o cunhado à revelia do marido, e Félix assume seu lugar.
“Quando o Aguinaldo me chamou, fiquei muito feliz, porque é um autor de que eu gosto muito. Recebi os primeiros capítulos, o Marcos Paulo me ligou e disse: ‘Tenho uma surpresa pra você’. E a surpresa eram os gêmeos. Na sinopse, eram dois irmãos, seria eu e outro ator. E aí eles me mandaram os gêmeos”, contou Fagundes.
“Então, eu ia fazer as duas fases de Porto dos Milagres. E, na verdade, eram quatro personagens: o Bartolomeu, o Félix, depois o Félix imitando o Bartolomeu e, mais tarde, o Félix, 20 anos mais velho. Então, eram quatro personagens. Foi muito divertido.”
Os vilões não sabem, no entanto, que Bartolomeu tem um herdeiro — um filho com a prostituta Arlete (Letícia Sabatella).
Marcos Palmeira em cena de ‘Porto dos Milagres’
Marcela Haddad/Globo
O herdeiro
Adma recebe Arlete e, sem contar nada ao marido, manda o capataz Eriberto (José de Abreu) matar a prostituta e seu filho. Eriberto vira o braço-direito de Adma, por quem é apaixonado, e, a mando dela, comete outros assassinatos ao longo da trama.
Eriberto leva os dois para alto-mar, mas, antes que possa fazer alguma coisa, a mãe coloca o cesto com o bebê na água e se atira no mar. Uma forte onda faz com que o cesto navegue nas águas revoltas, protegido por forças sobrenaturais, sendo guiado até outro barco.
Nesta embarcação, estão o pescador Frederico (Maurício Mattar) e sua mulher Eulália (Cristiana Oliveira), que está prestes a dar à luz. Frederico é um dos pescadores envolvidos nos negócios de contrabando de Bartolomeu.
O filho de Eulália nasce morto, e Frederico, ao ver o cesto e ouvir o choro da criança, pega o bebê e mostra à mulher, como se fosse seu filho. Eulália diz que ele vai se chamar Gumercindo e morre em seguida.
É dessa forma que o filho de Bartolomeu, herdeiro legítimo de sua fortuna, vai parar na comunidade de pescadores. Conhecido como Guma (Marcos Palmeira), e ignorando sua verdadeira origem, ele se transforma em um líder respeitado na cidade baixa.
“Porto dos Milagres foi uma novela que me trouxe para próximo da minha origem. Guma era filho de Iemanjá, tinha toda essa relação com o candomblé que foi fantástica. Eu convivi muito com pescadores na Bahia, conversei com várias pessoas ligadas ao candomblé da Bahia, mergulhei nesse universo que o autor me propunha, procurava ir fundo naquilo que ele estava me dando”, disse Palmeira.
“Sou meio baiano, meio carioca, tenho raízes baianas muito fortes até hoje. Pelo fato da novela mostrar esse universo, e eu ser condutor disso, consegui resgatar essas raízes.”
Marcos Palmeira e Flávia Alessandra em ‘Porto dos Milagres’
Marcela Haddad/Globo
Outra personagem importante é a menina Lívia (Flávia Alessandra), sobrinha de Augusta Eugênia Proença de Assunção (Arlete Salles), a mulher mais influente da alta sociedade de Porto dos Milagres. Lívia é filha de Laura (Carolina Kasting), que abriu mão do dinheiro da família para viver com o pescador Leôncio (Tuca Andrada).
Augusta Eugênia nunca se conformou com a escolha da irmã e acabou provocando, indiretamente, a morte de Laura e seu marido, ao denunciar o cunhado à polícia por fazer contrabando.
Ao saber do plano para prejudicar Leôncio, Laura foi atrás dele, e o casal morreu em uma explosão de barco, após uma perseguição policial. Lívia foi criada no Rio de Janeiro por Leontina (Louise Cardoso), outra irmã de Laura.
A moça volta a Porto dos Milagres em companhia do namorado Alexandre (Leonardo Brício), filho de Adma e Félix. Na Bahia, ela conhece Guma, e os dois se apaixonam, mas encontram muitas dificuldades de concretizar esse amor, pois pertencem a mundos diferentes.
Além de enfrentarem a hostilidade de Alexandre, que não se conforma em perder Lívia para Guma, e de Augusta Eugênia, que quer ver a sobrinha casada com o herdeiro de Félix, os dois têm que lidar com as armações da sedutora Esmeralda (Camila Pitanga), moça da cidade baixa apaixonada pelo pescador.
Camila Pitanga em ‘Porto dos Milagres’
Roberto Steinberger/Globo
Curiosidades
A novela conta outras histórias de paixões proibidas, como:
A diferença de social marcou o romance de Alfredo Henrique (Miguel Thiré) e Luísa (Barbara Borges), jovem humilde;
O amor de Leontina (Louise Cardoso) pelo cunhado Oswaldo (Fulvio Stefanini), marido de sua irmã Augusta Eugênia (Arlete Salles);
A repressão sexual de Genésia (Julia Lemmertz), que se realiza nos braços de Ezequiel (Vladimir Brichta);
A relação da professora Dulce (Paloma Duarte) com o médico Rodrigo (Kadu Moliterno).
Efeitos especiais:
A empresa norte-americana Digital Domain, de Los Angeles, responsável por efeitos de filmes como Titanic (1997) e O Segredo do Abismo (1989) – ambos de James Cameron –, foi parceira da Globo na produção de alguns efeitos especiais da novela;
Para as cenas em que Guma enfrenta uma tempestade em alto-mar, um tanque de 30 metros de largura e três metros de profundidade foi construído nos Estúdios Globo.
Música:
Dorival Caymmi foi o destaque da trilha sonora de “Porto dos Milagres”, lançada em dois CDs. O compositor baiano, que já musicara várias adaptações do livro “Mar Morto”, de Jorge Amado, criou a canção “Caminhos do Mar” – cantada por Gal Costa – especialmente para a abertura da novela.
Caymmi ainda participou da trilha com a música “O Bem do Mar”, uma gravação de 1958, feita só com violão, remasterizada com orquestra à época da novela.
Política:
Os últimos capítulos de “Porto dos Milagres” foram marcados pela campanha eleitoral, na qual o pescador Guma, que defendia as cores do Partido das Causas Trabalhistas, se candidata à prefeitura, e Félix Guerreiro, do Partido da Vanguarda Democrática, ao governo do Estado.
Para divulgar a eleição, a direção da novela e a Divisão de Propaganda da Central Globo de Comunicação desenvolveram uma campanha, inserindo um fictício horário eleitoral gratuito no intervalo da novela e durante a programação. Para isso foram criados filmetes, partidos, jingles, logos, imagens de campanha e discursos.
Victorio Viana, o senador interpretado por Lima Duarte em “Porto dos Milagres”, voltou a fazer uma participação em “Senhora do Destino” (2004), outra novela de Aguinaldo Silva. O mesmo recurso já havia sido usado pelo autor em “A Indomad”a (1997), quando o personagem Murilo Pontes, de “Pedra Sobre Pedra” (1992) – também vivido por Lima Duarte – fez uma visita à fictícia cidade de Greenville.
Além disso, o deputado Pitágoras (Ary Fontoura), de “A Indomada”, voltou à cena em “Porto dos Milagres”. Ele faria apenas uma participação especial na trama, mas a receptividade do público foi tão grande que o personagem permaneceu na história.