Por causa da Covid, bolsistas brasileiros são impedidos de estudar na França; indianos obtiveram permissão para viajar


Grupo de estudantes e pesquisadores mandou uma carta ao governo francês pedindo a liberação de entrada, a fim de assumir as vagas que conquistaram em processos seletivos. Viajantes passam por teste para coronavírus ao chegarem no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, no ano passado
Reuters/Christian Hartmann
Alunos e pesquisadores brasileiros — alguns deles com bolsa — lançaram uma campanha internacional para que o governo francês suspenda um bloqueio que os impede de viajar ao país para estudar. O motivo é a situação da Covid no Brasil.
A ideia é que a educação para esses intercambistas seja considerada um “motivo imperioso” — uma exceção para que possam entrar na França. Assim surgiram perfis em redes sociais como o Twitter e o Instagram e a hashtag #etudierestimpérieux (“estudar é imperioso”).
O grupo, formado por cerca de 350 pessoas que passaram em exames e processos seletivos, mandou uma carta ao governo francês pedindo a liberação.
Desde o dia 23 de abril, a Embaixada da França no Brasil suspendeu a emissão de vistos a estudantes e pesquisadores, pois a categoria deixou de fazer parte dos motivos considerados imperiosos para entrar em território francês.
No dia 9 de junho, a França chegou a flexibilizar a entrada de pessoas de alguns países, mas o Brasil segue restrito por fazer parte dos países considerados em zona vermelha, a mais perigosa em relação ao coronavírus.
Mas o embaixador da França na Índia, país que também tem a categoria vermelha, anunciou que os estudantes do país teriam a chance de receber vistos de entrada.
Alunos e pesquisadores brasileiros se reúnem para pedir a liberação da entrada de estudantes na França
Reprodução/ Instagram
Dedicação e estudos por um fio
Uma das barradas é a advogada Flávia Barros Ornellas, de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), ela foi aprovada para um mestrado com bolsa integral e de assistência pra Université Catholique de Lyon em Direito Internacional e Europeu. Flávia precisa estar lá antes do início das aulas, marcado para 20 de setembro.
O processo para a conquista da vaga, que ela considera essencial para o desenvolvimento de sua carreira, exigiu empenho.
“Avaliaram meu currículo, pesquisas e notas na faculdade. Eu me dediquei por bastante tempo, tanto pelo estudo do francês, que no mestrado requer um nível avançado, quanto pra manter um bom currículo na faculdade, notas boas, pesquisas relevantes”, contou a advogada.
Um dos apoios que os estudantes conquistaram foi o da senadora Joëlle Garriaud-Maylam, do Partido Republicano.
“Não há razão para impedir que os alunos continuem sua carreira universitária, especialmente se eles forem vacinados e fizerem exames”, afirmou a senadora no Twitter.
O G1 questionou o Ministério das Relações Exteriores sobre as dificuldades enfrentadas pelos estudantes, que não retornou até a publicação desta reportagem
Senadora francesa manifestou apoio aos estudantes brasileiros
Reprodução/ Twitter
Quem pode viajar para a França
Entre os motivos que permitem a viagem ao país descritos no site da Embaixada da França no Brasil, estão cidadãos franceses, seus cônjuges e filhos; cidadãos da União Europeia que possuam residência na França; brasileiros que possuam autorização de residência ou visto de longa duração no país e funcionários em missões diplomáticas. Estudantes não são citados.
Mesmo para quem se encaixa em uma das categorias, é preciso mostrar um teste negativo ao chegar à França. Além disso, uma quarentena de 10 dias é obrigatória.